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Timing of intervention in posthaemorrhagic ventricular dilatation of prematurity and its impact in neurodevelopment at 2 years of age

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: A Dilatação Ventricular Pós-hemorrágica (DVPH) é uma complicação da prematuridade, que representa uma causa importante de alterações do neurodesenvolvimento e incapacidade a longo-prazo. Atualmente, o tratamento desta patologia ainda é muito variável. Estudos recentes conduziram à revisão das recomendações internacionais, que atualmente sugerem iniciar a intervenção assim que o índice ventricular (IV) de Levene ultrapassa a linha do percentil 97+4 mm, o que mostrou melhorar o neurodesenvolvimento e reduzir a necessidade de implantação de sistemas de derivação ventrículo-peritoneal (SDVP). Métodos: Foi realizado um estudo retrospetivo unicêntrico, incluindo os bebés prematuros nascidos entre 2014-2020, diagnosticados com hemorragia peri-intraventricular (HPIV) e que desenvolveram DVPH. A dilatação ventricular foi quantificada em ecografias cerebrais disponíveis no arquivo, realizando medições do IV e do diâmetro do corno anterior (DCA) do ventrículo lateral. Os detalhes relativos aos procedimentos de drenagem do líquido cefalorraquidiano (LCR), incluindo punções lombares (PL) e a implantação de reservatórios ventriculares (RV) e SDVP, foram obtidos a partir dos registos clínicos. O neurodesenvolvimento aos 2 anos de idade corrigida foi categorizado em 3 grupos: sem sequelas, com sequelas e morte. Resultados: 110 prematuros foram diagnosticados com HPIV de qualquer grau, 20% (22/110) dos quais desenvolveram DVPH. 32% (7/22) morreram e em 59% (13/22) foi necessário realizar drenagem de LCR. As ecografias cerebrais estavam disponíveis para 85% (11/13) dos doentes, e todos foram intervencionados após ultrapassarem o percentil 97+4 mm, com uma idade pós-menstrual (IPM) média de 30,6 semanas (±2,7). Em 23% (3/13) houve estabilização ventricular após PL; 15% (2/13) morreram após intervenções neurocirúrgicas temporizadoras; 62% (8/13) precisaram de SDVP, com uma IPM mediana de 38,9 semanas (AIQ 37,0-41,3). Os registos de consultas de seguimento aos 2 anos de idade corrigida estavam disponíveis para 13 dos 15 sobreviventes. O neurodesenvolvimento foi significativamente melhor nos bebés que não precisaram de intervenção (p<0,05). Por outro lado, não se verificou uma diferença estatisticamente significativa entre a dilatação ventricular antes da primeira intervenção e a necessidade de SDVP ou neurodesenvolvimento.Conclusões: Os prematuros incluídos neste estudo foram tratados previamente à revisão das recomendações internacionais e, consequentemente, foram intervencionados mais tarde do que é atualmente recomendado. Os bebés que precisaram de intervenção revelaram ter um pior neurodesenvolvimento comparativamente aos não intervencionados, apesar de não se ter verificado haver uma relação entre a dilatação ventricular e a necessidade de SDVP ou alterações no neurodesenvolvimento. Futuramente, iniciar a drenagem de LCR assim que o IV ultrapasse o percentil 97 permitirá reduzir o limiar de intervenção para valores inferiores ao percentil 97+4 mm, tal como é atualmente recomendado.
Autores principais:Silva, Luísa Maltez Perdigão Carneiro da
Assunto:Prematuridade Dilatação ventricular pós-hemorrágica Hemorragia peri-intraventricular Neurodesenvolvimento Pediatria
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: A Dilatação Ventricular Pós-hemorrágica (DVPH) é uma complicação da prematuridade, que representa uma causa importante de alterações do neurodesenvolvimento e incapacidade a longo-prazo. Atualmente, o tratamento desta patologia ainda é muito variável. Estudos recentes conduziram à revisão das recomendações internacionais, que atualmente sugerem iniciar a intervenção assim que o índice ventricular (IV) de Levene ultrapassa a linha do percentil 97+4 mm, o que mostrou melhorar o neurodesenvolvimento e reduzir a necessidade de implantação de sistemas de derivação ventrículo-peritoneal (SDVP). Métodos: Foi realizado um estudo retrospetivo unicêntrico, incluindo os bebés prematuros nascidos entre 2014-2020, diagnosticados com hemorragia peri-intraventricular (HPIV) e que desenvolveram DVPH. A dilatação ventricular foi quantificada em ecografias cerebrais disponíveis no arquivo, realizando medições do IV e do diâmetro do corno anterior (DCA) do ventrículo lateral. Os detalhes relativos aos procedimentos de drenagem do líquido cefalorraquidiano (LCR), incluindo punções lombares (PL) e a implantação de reservatórios ventriculares (RV) e SDVP, foram obtidos a partir dos registos clínicos. O neurodesenvolvimento aos 2 anos de idade corrigida foi categorizado em 3 grupos: sem sequelas, com sequelas e morte. Resultados: 110 prematuros foram diagnosticados com HPIV de qualquer grau, 20% (22/110) dos quais desenvolveram DVPH. 32% (7/22) morreram e em 59% (13/22) foi necessário realizar drenagem de LCR. As ecografias cerebrais estavam disponíveis para 85% (11/13) dos doentes, e todos foram intervencionados após ultrapassarem o percentil 97+4 mm, com uma idade pós-menstrual (IPM) média de 30,6 semanas (±2,7). Em 23% (3/13) houve estabilização ventricular após PL; 15% (2/13) morreram após intervenções neurocirúrgicas temporizadoras; 62% (8/13) precisaram de SDVP, com uma IPM mediana de 38,9 semanas (AIQ 37,0-41,3). Os registos de consultas de seguimento aos 2 anos de idade corrigida estavam disponíveis para 13 dos 15 sobreviventes. O neurodesenvolvimento foi significativamente melhor nos bebés que não precisaram de intervenção (p<0,05). Por outro lado, não se verificou uma diferença estatisticamente significativa entre a dilatação ventricular antes da primeira intervenção e a necessidade de SDVP ou neurodesenvolvimento.Conclusões: Os prematuros incluídos neste estudo foram tratados previamente à revisão das recomendações internacionais e, consequentemente, foram intervencionados mais tarde do que é atualmente recomendado. Os bebés que precisaram de intervenção revelaram ter um pior neurodesenvolvimento comparativamente aos não intervencionados, apesar de não se ter verificado haver uma relação entre a dilatação ventricular e a necessidade de SDVP ou alterações no neurodesenvolvimento. Futuramente, iniciar a drenagem de LCR assim que o IV ultrapasse o percentil 97 permitirá reduzir o limiar de intervenção para valores inferiores ao percentil 97+4 mm, tal como é atualmente recomendado.