Publicação
Suscetibilidade genética para a osteoporose segundo vias metabólicas: vias de transmetilação e de transsulfuração
| Resumo: | A Osteoporose é uma doença multifatorial já que a suscetibilidade para o seu desenvolvimento é condicionada por múltiplos fatores genéticos e ambientais. Por sua vez, a interação entre estes fatores pode proporcionar uma redução na densidade mineral óssea (DMO), levando a alterações na microarquitectura do osso, a uma diminuição considerável da resistência óssea e a um aumento do risco de fraturas. Dado o aumento da população envelhecida em Portugal e o facto de a Osteoporose afetar maioritariamente a faixa etária mais idosa, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens estão em risco de uma fratura osteoporótica, sendo esta patologia encarada como um problema de saúde pública cada vez mais relevante, tornando o estudo dos seus fatores de suscetibilidade e desenvolvimento também cada vez mais pertinente. A fisiopatologia desta doença está associada à desregulação dos mecanismos de remodelação óssea, através do aumento da reabsorção óssea pelos osteoclastos e/ou redução da sua formação por via dos osteoblastos. No entanto, existem muitas medidas que podem ser tomadas para prevenir e diagnosticar a Osteoporose, tornando esta patologia essencialmente tratável, pois com uma combinação de mudanças de estilo de vida e de tratamento médico adequado, muitas fraturas podem ser prevenidas. Os objetivos desta dissertação são: determinar a suscetibilidade genética para a Osteoporose através da análise de polimorfismos genéticos de enzimas envolvidas nas vias metabólicas de Transmetilação – DHFR e MTHFR – e Transsulfuração – CβS e GST e suas isoformas, e ainda estudar a relação destes polimorfismos genéticos com os parâmetros metabólicos e de remodelação óssea. Para este trabalho foram estudados 503 indivíduos seguidos na consulta de endocrinologia da Clínica de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo de Lisboa Lda. pelo Prof. Doutor Mário Rui Mascarenhas. Todos os indivíduos foram submetidos à avaliação da DMO em diferentes partes do esqueleto por DXA, e posteriormente divididos em três grupos: a) densidade mineral óssea normal (N=185 – 36,8%); b) Osteopenia (N=160 – 31,8%); c) Osteoporose (N=158 – 31,4%). Os indivíduos foram genotipados para os polimorfismos CβS, DHFR, MTHFR e GST por PCR e PCR-RFLP. A visualização dos produtos de amplificação e de restrição foi realizada por eletroforese em gel de agarose. A análise estatística dos dados foi efetuada no programa SPSS 25.0 e considerada significativa estatisticamente para um p<0,05. Através do estudo realizado percebeu-se que a idade e o IMC estão diretamente relacionados com a suscetibilidade para a Osteoporose e que a atividade da Fosfatase alcalina se encontra aumentada nas amostras das populações com DMO reduzida. Da relação entre os polimorfismos genéticos e a DMO, percebemos que apenas o polimorfismo da MTHFR influencia diretamente a DMO, com um risco de 2,205 vezes superior para o desenvolvimento de Osteoporose nos genótipos CC ou CT. Percebeu-se ainda que existe uma relação entre todos os polimorfismos estudados e os metabolismos lipídico, glicíco e de remodelação óssea, contribuindo indiretamente para a suscetibilidade para a Osteoporose. O osso não é um órgão isolado e estático, tendo também funções endócrinas, dado que se encontra em constante interação com outros sistemas do organismo humano. Podemos concluir que a DMO reduzida está associada não só a alterações nos parâmetros de remodelação óssea como também nos metabolismos lipídico e da glicose. Conclui-se ainda que os polimorfismos estudados nos genes das vias de Transmetilação e Transsulfuração podem condicionar alterações nestes mesmos parâmetros, influenciando indiretamente a susceptibilidade para a Osteoporose. Por último, podemos constatar que o polimorfismo genético C677T do gene MTHFR confere susceptibilidade direta para o desenvolvimento de Osteoporose. Apesar de serem necessárias mais pesquisas e investigações sobre este tema, os resultados desta dissertação apontam para um papel relevante das vias de Transmetilação e Transsulfuração no desenvolvimento de Osteoporose, aumentando assim o conhecimento sobre a fisiopatologia e a possibilidade de novas medidas preventivas e de tratamento desta doença. |
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| Autores principais: | Carvalho, Carla Sofia Mendes |
| Assunto: | Osteoporose Remodelação óssea Suscetibilidade genética Vias de Transmetilação e Transsulfuração; Polimorfismos genéticos CβS/DHFR/MTHFR/GST Teses de mestrado - 2018 |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A Osteoporose é uma doença multifatorial já que a suscetibilidade para o seu desenvolvimento é condicionada por múltiplos fatores genéticos e ambientais. Por sua vez, a interação entre estes fatores pode proporcionar uma redução na densidade mineral óssea (DMO), levando a alterações na microarquitectura do osso, a uma diminuição considerável da resistência óssea e a um aumento do risco de fraturas. Dado o aumento da população envelhecida em Portugal e o facto de a Osteoporose afetar maioritariamente a faixa etária mais idosa, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens estão em risco de uma fratura osteoporótica, sendo esta patologia encarada como um problema de saúde pública cada vez mais relevante, tornando o estudo dos seus fatores de suscetibilidade e desenvolvimento também cada vez mais pertinente. A fisiopatologia desta doença está associada à desregulação dos mecanismos de remodelação óssea, através do aumento da reabsorção óssea pelos osteoclastos e/ou redução da sua formação por via dos osteoblastos. No entanto, existem muitas medidas que podem ser tomadas para prevenir e diagnosticar a Osteoporose, tornando esta patologia essencialmente tratável, pois com uma combinação de mudanças de estilo de vida e de tratamento médico adequado, muitas fraturas podem ser prevenidas. Os objetivos desta dissertação são: determinar a suscetibilidade genética para a Osteoporose através da análise de polimorfismos genéticos de enzimas envolvidas nas vias metabólicas de Transmetilação – DHFR e MTHFR – e Transsulfuração – CβS e GST e suas isoformas, e ainda estudar a relação destes polimorfismos genéticos com os parâmetros metabólicos e de remodelação óssea. Para este trabalho foram estudados 503 indivíduos seguidos na consulta de endocrinologia da Clínica de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo de Lisboa Lda. pelo Prof. Doutor Mário Rui Mascarenhas. Todos os indivíduos foram submetidos à avaliação da DMO em diferentes partes do esqueleto por DXA, e posteriormente divididos em três grupos: a) densidade mineral óssea normal (N=185 – 36,8%); b) Osteopenia (N=160 – 31,8%); c) Osteoporose (N=158 – 31,4%). Os indivíduos foram genotipados para os polimorfismos CβS, DHFR, MTHFR e GST por PCR e PCR-RFLP. A visualização dos produtos de amplificação e de restrição foi realizada por eletroforese em gel de agarose. A análise estatística dos dados foi efetuada no programa SPSS 25.0 e considerada significativa estatisticamente para um p<0,05. Através do estudo realizado percebeu-se que a idade e o IMC estão diretamente relacionados com a suscetibilidade para a Osteoporose e que a atividade da Fosfatase alcalina se encontra aumentada nas amostras das populações com DMO reduzida. Da relação entre os polimorfismos genéticos e a DMO, percebemos que apenas o polimorfismo da MTHFR influencia diretamente a DMO, com um risco de 2,205 vezes superior para o desenvolvimento de Osteoporose nos genótipos CC ou CT. Percebeu-se ainda que existe uma relação entre todos os polimorfismos estudados e os metabolismos lipídico, glicíco e de remodelação óssea, contribuindo indiretamente para a suscetibilidade para a Osteoporose. O osso não é um órgão isolado e estático, tendo também funções endócrinas, dado que se encontra em constante interação com outros sistemas do organismo humano. Podemos concluir que a DMO reduzida está associada não só a alterações nos parâmetros de remodelação óssea como também nos metabolismos lipídico e da glicose. Conclui-se ainda que os polimorfismos estudados nos genes das vias de Transmetilação e Transsulfuração podem condicionar alterações nestes mesmos parâmetros, influenciando indiretamente a susceptibilidade para a Osteoporose. Por último, podemos constatar que o polimorfismo genético C677T do gene MTHFR confere susceptibilidade direta para o desenvolvimento de Osteoporose. Apesar de serem necessárias mais pesquisas e investigações sobre este tema, os resultados desta dissertação apontam para um papel relevante das vias de Transmetilação e Transsulfuração no desenvolvimento de Osteoporose, aumentando assim o conhecimento sobre a fisiopatologia e a possibilidade de novas medidas preventivas e de tratamento desta doença. |
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