Publicação

Pseudomonas aeruginosa na otite externa em animais de companhia : resistência aos antimicrobianos

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria patogénica frequente na etiologia da otite externa crónica em animais de companhia, e o tratamento dessas infecções está se tornando problemático devido ao aumento do número de estirpes multirresistentes (MDR). Este estudo teve como objetivo detectar e avaliar a frequência de P. aeruginosa causadora de otite externa e caracterizar sua resistência antimicrobiana. Um total de 64 isolados de P. aeruginosa de otite externa de animais de companhia foram identificados por PCR. Todos os isolados foram testados contra 15 antimicrobianos antipseudomonas pela determinação da concentração inibitória mínima. Os fenótipos de susceptibilidade antimicrobiana foram interpretados de acordo com Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI). As frequências de resistência observadas foram, da maior para a menor: Colistina (56.3%, n=36/64), Norfloxacina (51,6%, n=33/64), Gentamicina (34%, n=23/64), Amicacina (32,9%, n=21/64), Ciprofloxacina (25%, n=16/64), Levofloxacina (21,9%, n=14/64), Cefepima (12,5%, n=8/64), Aztreonam e Tobramicina (7,9%, n=5/64), Imipenem (6.3%, n=4/64), Piperaciclina/tazobactam (4,7%, n=3/64), Cefepima, Ceftazidima e Piperaciclina (1,6%, n=1/64). Não houve resistência ao Doripenemo nem ao Meropeneme. A pesquisa por PCR para deteção de genes que codificam as enzimas metalo β-lactamases sub-classes VIM, IMP e SPM nas amostras resistentes ao Imipeneme teve resultado negativo, assim como a pesquisa para a enzima AAC (6’) – Ib nas amostras resistentes a Ciprofloxacina e Gentamicina. O teste de suscetibilidade antimicrobiana neste estudo demonstrou altos níveis de resistência para as classes de fluoroquinolonas de 2ª e 3ª geração, aminoglicosídeos e colistina, assim como foi observado resistência ao Imipeneme. Dado que as classes das fluoroquinolonas e aminoglicosídeos são os principais agentes antimicrobianos utilizados no tratamento da otite externa em animais de companhia e considerados como antimicrobianos criticamente importantes para humanos, fica desta forma demonstrada a necessidade de uma terapia antimicrobiana mais precisa e baseada em estudos de susceptibilidade aos antimicrobianos.
Autores principais:Marconi, Claudia
Assunto:Pseudomonas aeruginosa resistência a antimicrobianos otite externa antimicrobial resistance otitis externa
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria patogénica frequente na etiologia da otite externa crónica em animais de companhia, e o tratamento dessas infecções está se tornando problemático devido ao aumento do número de estirpes multirresistentes (MDR). Este estudo teve como objetivo detectar e avaliar a frequência de P. aeruginosa causadora de otite externa e caracterizar sua resistência antimicrobiana. Um total de 64 isolados de P. aeruginosa de otite externa de animais de companhia foram identificados por PCR. Todos os isolados foram testados contra 15 antimicrobianos antipseudomonas pela determinação da concentração inibitória mínima. Os fenótipos de susceptibilidade antimicrobiana foram interpretados de acordo com Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI). As frequências de resistência observadas foram, da maior para a menor: Colistina (56.3%, n=36/64), Norfloxacina (51,6%, n=33/64), Gentamicina (34%, n=23/64), Amicacina (32,9%, n=21/64), Ciprofloxacina (25%, n=16/64), Levofloxacina (21,9%, n=14/64), Cefepima (12,5%, n=8/64), Aztreonam e Tobramicina (7,9%, n=5/64), Imipenem (6.3%, n=4/64), Piperaciclina/tazobactam (4,7%, n=3/64), Cefepima, Ceftazidima e Piperaciclina (1,6%, n=1/64). Não houve resistência ao Doripenemo nem ao Meropeneme. A pesquisa por PCR para deteção de genes que codificam as enzimas metalo β-lactamases sub-classes VIM, IMP e SPM nas amostras resistentes ao Imipeneme teve resultado negativo, assim como a pesquisa para a enzima AAC (6’) – Ib nas amostras resistentes a Ciprofloxacina e Gentamicina. O teste de suscetibilidade antimicrobiana neste estudo demonstrou altos níveis de resistência para as classes de fluoroquinolonas de 2ª e 3ª geração, aminoglicosídeos e colistina, assim como foi observado resistência ao Imipeneme. Dado que as classes das fluoroquinolonas e aminoglicosídeos são os principais agentes antimicrobianos utilizados no tratamento da otite externa em animais de companhia e considerados como antimicrobianos criticamente importantes para humanos, fica desta forma demonstrada a necessidade de uma terapia antimicrobiana mais precisa e baseada em estudos de susceptibilidade aos antimicrobianos.