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Caracterização dos mecanismos de resistência aos antibióticos em estirpes de Escherichia coli isoladas de produtos de origem animal

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Resumo:A resistência aos antibióticos (ABR) é atualmente um dos principais problemas de saúde pública e animal, a nível mundial. A interação entre o Homem, os animais (de companhia, de produção e selvagens), os alimentos e o meio ambiente, que representam reservatórios de genes de resistência importantes, é o principal vetor na disseminação da resistência aos antibióticos (ABR). A pressão seletiva exercida pela administração incorreta ou abusiva de antimicrobianos na produção animal e na clínica humana, constitui um dos principais determinantes conducentes à prevalência de uma população microbiana resistente e, consequentemente, à transferência vertical (TVG) e/ou horizontal (THG) de genes de resistência. Os produtos alimentares de origem animal podem ser colonizados por bactérias portadoras de genes de resistência, por contaminação ao abate, ou numa fase posterior de processamento até ao consumidor – from farm to fork. A manipulação humana, a contaminação cruzada com outros produtos alimentares e superfícies, e deficientes condições de armazenamento, constituem fontes de contaminação adicionais. O objetivo principal deste estudo foi a caracterização genotípica de estirpes de Escherichia coli resistentes às cefalosporinas de 3ª geração, isoladas de carne do retalho de bovinos (n=26), suínos (n=23) e frangos (n=60), no que respeita à deteção de determinantes plasmídicos que codificam β-lactamases (bla) de espetro estendido (ESBL) e do tipo AmpC (PMAβ). Adicionalmente, nas estirpes resistentes às fluoroquinolonas e à colistina foi feita a deteção dos respetivos mecanismos de resistência mediados por plasmídeos, plasmid-mediated quinolone resistance, PMQR (qnr, aac(6’)-Ib-cr, oqxAB e qepA) e plasmid-mediated colistin resistance, PMCR (mcr), bem como de elementos genéticos envolvidos na integração e mobilidade dos genes de resistência (Integrões de classe I, II e III). Após a determinação dos respetivos perfis de suscetibilidade aos antibióticos e através da Reação em Cadeia da Polimerase nas suas variedades simplex e multiplex (PCR e mPCR), e Sequenciação de Sanger, identificámos em estirpes produtoras de ESBLs e de PMAβs, os seguintes genes: blaCTX-M-1 (n=15), blaCTX-M-32 (n=8), blaCTX-M-15 (n=5), blaCTX-M-55 (n=4), blaCTX-M-14 (n=8), blaCTX-M-27 (n=7), blaCTX-M-9 (n=2), blaCTX-M-65 (n=2), blaSHV-12 (n=4), blaCMY-2 (n=6). Em sete estirpes resistentes à cefoxitina detetámos mutações pontuais na região promotora do gene blaAmpC, nomeadamente nas posições -1, -14, -18, -42, -82, e -88, consideradas responsáveis pela sua sobreexpressão. Em uma estirpe isolada de carne de frango identificámos a presença de uma β-lactamase do tipo AmpC e de largo espetro (blaESAC). Em 88 estirpes resistentes à ciprofloxacina identificámos os seguintes genes codificantes de PMQR: qnrB (n=23) e qnrS (n=20). Em oito estirpes resistentes à colistina, o gene mcr-1 foi detetado em sete. Foi realizada uma análise complementar por Sequenciação do Genoma Completo (WGS) de oito estirpes em que, adicionalmente aos genes de resistência identificámos: grupo clonal, fatores de virulência e patogenecidade, bem como plasmídeos pertencentes a diferentes grupos de incompatibilidade. As várias fases da produção ao consumo (farm to fork) constituem ambientes propícios à coexistência de bactérias resistentes aos antibióticos, e à partilha de informação genética, tornando a compreensão dos mecanismos moleculares na base da resistência aos antibióticos, crucial para a prevenção e controlo da disseminação da ABR via cadeia alimentar.
Autores principais:Moura, Laura Ferreira Croft de
Assunto:Resistência antimicrobiana Animais de produção Produtos alimentares Escherichia coli β-lactamases de espetro estendido (ESBL)/β-lactamases AmpC plasmídicas Teses de mestrado -2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A resistência aos antibióticos (ABR) é atualmente um dos principais problemas de saúde pública e animal, a nível mundial. A interação entre o Homem, os animais (de companhia, de produção e selvagens), os alimentos e o meio ambiente, que representam reservatórios de genes de resistência importantes, é o principal vetor na disseminação da resistência aos antibióticos (ABR). A pressão seletiva exercida pela administração incorreta ou abusiva de antimicrobianos na produção animal e na clínica humana, constitui um dos principais determinantes conducentes à prevalência de uma população microbiana resistente e, consequentemente, à transferência vertical (TVG) e/ou horizontal (THG) de genes de resistência. Os produtos alimentares de origem animal podem ser colonizados por bactérias portadoras de genes de resistência, por contaminação ao abate, ou numa fase posterior de processamento até ao consumidor – from farm to fork. A manipulação humana, a contaminação cruzada com outros produtos alimentares e superfícies, e deficientes condições de armazenamento, constituem fontes de contaminação adicionais. O objetivo principal deste estudo foi a caracterização genotípica de estirpes de Escherichia coli resistentes às cefalosporinas de 3ª geração, isoladas de carne do retalho de bovinos (n=26), suínos (n=23) e frangos (n=60), no que respeita à deteção de determinantes plasmídicos que codificam β-lactamases (bla) de espetro estendido (ESBL) e do tipo AmpC (PMAβ). Adicionalmente, nas estirpes resistentes às fluoroquinolonas e à colistina foi feita a deteção dos respetivos mecanismos de resistência mediados por plasmídeos, plasmid-mediated quinolone resistance, PMQR (qnr, aac(6’)-Ib-cr, oqxAB e qepA) e plasmid-mediated colistin resistance, PMCR (mcr), bem como de elementos genéticos envolvidos na integração e mobilidade dos genes de resistência (Integrões de classe I, II e III). Após a determinação dos respetivos perfis de suscetibilidade aos antibióticos e através da Reação em Cadeia da Polimerase nas suas variedades simplex e multiplex (PCR e mPCR), e Sequenciação de Sanger, identificámos em estirpes produtoras de ESBLs e de PMAβs, os seguintes genes: blaCTX-M-1 (n=15), blaCTX-M-32 (n=8), blaCTX-M-15 (n=5), blaCTX-M-55 (n=4), blaCTX-M-14 (n=8), blaCTX-M-27 (n=7), blaCTX-M-9 (n=2), blaCTX-M-65 (n=2), blaSHV-12 (n=4), blaCMY-2 (n=6). Em sete estirpes resistentes à cefoxitina detetámos mutações pontuais na região promotora do gene blaAmpC, nomeadamente nas posições -1, -14, -18, -42, -82, e -88, consideradas responsáveis pela sua sobreexpressão. Em uma estirpe isolada de carne de frango identificámos a presença de uma β-lactamase do tipo AmpC e de largo espetro (blaESAC). Em 88 estirpes resistentes à ciprofloxacina identificámos os seguintes genes codificantes de PMQR: qnrB (n=23) e qnrS (n=20). Em oito estirpes resistentes à colistina, o gene mcr-1 foi detetado em sete. Foi realizada uma análise complementar por Sequenciação do Genoma Completo (WGS) de oito estirpes em que, adicionalmente aos genes de resistência identificámos: grupo clonal, fatores de virulência e patogenecidade, bem como plasmídeos pertencentes a diferentes grupos de incompatibilidade. As várias fases da produção ao consumo (farm to fork) constituem ambientes propícios à coexistência de bactérias resistentes aos antibióticos, e à partilha de informação genética, tornando a compreensão dos mecanismos moleculares na base da resistência aos antibióticos, crucial para a prevenção e controlo da disseminação da ABR via cadeia alimentar.