Publicação
As condutas dos escolares e a construção do cidadão social:uma análise política pelo referencial dos instrumentos de regulação (1977-2007)
| Resumo: | Ancorado numa abordagem cognitiva das políticas públicas, o presente estudo é o resultado de um processo de investigação que teve como objeto a emergência e formação do cidadão social. Partindo daquilo que é descrito como indisciplina na Escola, o estudo propõe-se compreender como se tem reconfigurado o papel e as conceções de aluno e do cidadão, no sentido da sua perspetivação como sujeito ativo que participa no devir social, individual ou coletivo. Esta compreensão é procurada por intermédio da identificação e do exame de um conjunto de instrumentos de regulação adotados, nacional e localmente, no sentido de enfrentar a indisciplina em contexto escolar. Estes dispositivos e técnicas são analisados com recurso ao conceito de referencial que permite pôr em evidência a redefinição cognitiva e normativa de aluno e de cidadão, bem como dos objetivos do trabalho escolar e das formas de encarar o governo coletivo. As balizas cronológicas do trabalho situam-se entre dois normativos que têm como objetivo organizar as relações, sociais e educativas, em contexto escolar. De um lado, o Decreto-Lei 769-A/76 de 23 de outubro, do outro, a alteração ao Estatuto do Aluno do Ensino não Superior, a Lei 3/2008 de 18 janeiro. No desenvolvimento da pesquisa adotou-se um conjunto de opções metodológicas de natureza qualitativa, assumindo-se uma dimensão interpretativa assente no estudo a partir de um caso (uma escola pública). O estudo põe em evidência um conjunto de mudanças na regulação da indisciplina na escola que acompanham a emergência do cidadão social: a reconfiguração das estratégias de regulação, mais orientadas para fornecer ao jovem elementos que permitam definir os modos de identificação ao grupo ou ao contexto; a instituição de ‘geografias de acção que definem o espaço e o lugar da normalidade, conferindo à ação individual condições de e para a sua ‘normalização’; a centralidade de uma bioética na regulação condutas. Contudo, o estudo mostra também a manutenção das assimetrias das relações de poder que sempre caracterizaram governo e governados, aluno e cidadão, Estado e sociedade. |
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| Autores principais: | Cabeça, Manuel Dinis P., 1963- |
| Assunto: | Teses de doutoramento - 2012 |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Ancorado numa abordagem cognitiva das políticas públicas, o presente estudo é o resultado de um processo de investigação que teve como objeto a emergência e formação do cidadão social. Partindo daquilo que é descrito como indisciplina na Escola, o estudo propõe-se compreender como se tem reconfigurado o papel e as conceções de aluno e do cidadão, no sentido da sua perspetivação como sujeito ativo que participa no devir social, individual ou coletivo. Esta compreensão é procurada por intermédio da identificação e do exame de um conjunto de instrumentos de regulação adotados, nacional e localmente, no sentido de enfrentar a indisciplina em contexto escolar. Estes dispositivos e técnicas são analisados com recurso ao conceito de referencial que permite pôr em evidência a redefinição cognitiva e normativa de aluno e de cidadão, bem como dos objetivos do trabalho escolar e das formas de encarar o governo coletivo. As balizas cronológicas do trabalho situam-se entre dois normativos que têm como objetivo organizar as relações, sociais e educativas, em contexto escolar. De um lado, o Decreto-Lei 769-A/76 de 23 de outubro, do outro, a alteração ao Estatuto do Aluno do Ensino não Superior, a Lei 3/2008 de 18 janeiro. No desenvolvimento da pesquisa adotou-se um conjunto de opções metodológicas de natureza qualitativa, assumindo-se uma dimensão interpretativa assente no estudo a partir de um caso (uma escola pública). O estudo põe em evidência um conjunto de mudanças na regulação da indisciplina na escola que acompanham a emergência do cidadão social: a reconfiguração das estratégias de regulação, mais orientadas para fornecer ao jovem elementos que permitam definir os modos de identificação ao grupo ou ao contexto; a instituição de ‘geografias de acção que definem o espaço e o lugar da normalidade, conferindo à ação individual condições de e para a sua ‘normalização’; a centralidade de uma bioética na regulação condutas. Contudo, o estudo mostra também a manutenção das assimetrias das relações de poder que sempre caracterizaram governo e governados, aluno e cidadão, Estado e sociedade. |
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