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Liderança, cultura organizacional e responsabilidade social organizacional como condições para a prática do planeamento estratégico nas empresas e institutos públicos de Moçambique

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Resumo:As organizações são relevantes, enquanto objetos de estudo, para compreender a dinâmica das sociedades atuais. E os processos de gestão, como elementos de estruturação das mesmas, constituem elementos nucleares para a análise da mudança organizacional, com vista à realização dos respetivos objetivos e o propósito delineado para a sociedade. A introdução do Planeamento Estratégico (PE) nas empresas e institutos públicos foi considerado como a ferramenta eleita para a concretização da reforma e modernização da administração pública de Moçambique. Esta corrente está associada ao movimento ideológico internacional conhecido como Nova Gestão Pública. O aspeto central deste trabalho de investigação consiste em introduzir a perspetiva configuracional para analisar, através do fuzzy-set Qualitative Comparative Analysis (fsQCA), a forma como a liderança organizacional (LO), a cultura organizacional (CO) e a responsabilidade social organizacional (RSO), isoladamente e em conjunto, são determinantes da implementação do PE nas empresas e institutos públicos de Moçambique (EIPMs). As principais conclusões a que chega o estudo, baseado em dados recolhidos através de um inquérito realizado a 15 EIPMs, apontam para a pertinência das três condições (LO, CO e RSO) no desempenho ao nível do PE. Contudo, nenhuma das condições por si só é suficiente para o resultado. De facto, o elevado desempenho no PE é suportado por duas configurações que contemplam a presença da liderança transformacional e da RSO, a ausência da liderança transacional complementada com a ausência da cultura com foco interno ou em substituição com a presença da cultura com foco externo. Uma evidência relevante deste estudo é termos verificado a importância da elevada prática da RSO no PE das EIPMs, conjugada com a presença ou ausência das outras condições, sendo por isso uma oportunidade que as mesmas têm para melhorar o PE através da dinamização de políticas sociais e ambientais. Os resultados sugerem igualmente que a reduzida incidência da RSO e cultura organizacional de foco externo (cultura de mercado e cultura adocrática) nas EIPMs e elevada cultura burocrática e liderança transacional tem resultado em planos estratégicos que carecem de melhoramentos. De facto, o processo de implementação não deixa muito espaço para participação, inovação e adaptação ao contexto interno e externo, aspetos centrais para o PE e que o discurso da modernização da administração pública preconiza e salienta.
Autores principais:Masquete, João Ambrósio
Assunto:Administração pública planeamento estratégico liderança cultura organizacional responsabilidade social organizacional fsQCA public administration strategic planning leadership organizational culture organizational social responsibility
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As organizações são relevantes, enquanto objetos de estudo, para compreender a dinâmica das sociedades atuais. E os processos de gestão, como elementos de estruturação das mesmas, constituem elementos nucleares para a análise da mudança organizacional, com vista à realização dos respetivos objetivos e o propósito delineado para a sociedade. A introdução do Planeamento Estratégico (PE) nas empresas e institutos públicos foi considerado como a ferramenta eleita para a concretização da reforma e modernização da administração pública de Moçambique. Esta corrente está associada ao movimento ideológico internacional conhecido como Nova Gestão Pública. O aspeto central deste trabalho de investigação consiste em introduzir a perspetiva configuracional para analisar, através do fuzzy-set Qualitative Comparative Analysis (fsQCA), a forma como a liderança organizacional (LO), a cultura organizacional (CO) e a responsabilidade social organizacional (RSO), isoladamente e em conjunto, são determinantes da implementação do PE nas empresas e institutos públicos de Moçambique (EIPMs). As principais conclusões a que chega o estudo, baseado em dados recolhidos através de um inquérito realizado a 15 EIPMs, apontam para a pertinência das três condições (LO, CO e RSO) no desempenho ao nível do PE. Contudo, nenhuma das condições por si só é suficiente para o resultado. De facto, o elevado desempenho no PE é suportado por duas configurações que contemplam a presença da liderança transformacional e da RSO, a ausência da liderança transacional complementada com a ausência da cultura com foco interno ou em substituição com a presença da cultura com foco externo. Uma evidência relevante deste estudo é termos verificado a importância da elevada prática da RSO no PE das EIPMs, conjugada com a presença ou ausência das outras condições, sendo por isso uma oportunidade que as mesmas têm para melhorar o PE através da dinamização de políticas sociais e ambientais. Os resultados sugerem igualmente que a reduzida incidência da RSO e cultura organizacional de foco externo (cultura de mercado e cultura adocrática) nas EIPMs e elevada cultura burocrática e liderança transacional tem resultado em planos estratégicos que carecem de melhoramentos. De facto, o processo de implementação não deixa muito espaço para participação, inovação e adaptação ao contexto interno e externo, aspetos centrais para o PE e que o discurso da modernização da administração pública preconiza e salienta.