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Análise molecular da região NS3 do vírus da hepatite C e estudo da resistência aos novos antivirais no contexto da implementação de novas estratégias para tratamento da infecção crónica

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Num futuro próximo, os dois inibidores da protease (IP) aprovados pela FDA - Telaprevir e Boceprevir - serão administrados no tratamento dos doentes crónicos infectados por VHC, e este facto tem implicações clínicas para a adequação dos regimes terapêuticos. Assim, torna-se crucial, desenvolver uma metodologia para conhecer as melhores estratégias laboratoriais e clínicas a seguir, na monitorização e tratamento da infecção por VHC. O presente estudo pretendeu desenvolver um método in house de amplificação e sequenciação da região NS3 que permitisse, por um lado, a classificação do VHC, e por outro lado a identificação e monitorização de mutações de resistência aos IP numa população de conveniência de UDI, infectada por VIH e drug-naive aos IP. Amostras de 47 indivíduos foram submetidas ao rastreio de anticorpos anti-VHC e os casos positivos selecionados para a amplificação e sequenciação das regiões 5’UTR (ensaio comercial) e NS3 (ensaio in house) do VHC. Algumas amostras e respectivos produtos de PCR foram selecionados para procedimentos de clonagem do fragmento NS3. A classificação do VHC foi realizada por estimativa filogenética para as duas regiões genómicas do VHC. Na população estudada foi obtida uma prevalência de 93,6% para anticorpos anti-VHC e 70,5% de infecção activa por VHC. A estimativa filogenética (e em alguns casos a análise de bootscanning) para a região NS3, revelou uma maior prevalência de casos classificados de subtipo 1a (46,2%), seguida de uma igual proporção de casos de subtipos 3a, 4a e 4d (15,4%). Foram ainda classificados 2 casos de potenciais formas recombinantes: RF_1b/2k (3,8%) e 2q/2k (3,8%). Nas sequências consenso analisadas, as mutações V36L (elevada prevalência), T54A, I72T e Q80K (baixa prevalência), que conferem grau baixo e médio de resistência aos IP, foram identificadas em 57,6% dos indivíduos estudados. Em sequências derivadas da mesma amostra foi observada também uma variação intra-indivíduo devido à presença de quasispecies nas amostras analisadas. O ensaio de genotipagem (região 5’UTR) comercial revelou limitações para a diferenciação dos subtipos 1a e 1b, bem como para classificação dos subtipos 4c e 4d. Contrariamente, a região NS3 mostrou ter vantagem na subtipagem do VHC. Estudos de maior amostragem são necessários para avaliar a influência do genótipo ou do subtipo de VHC na emergência de variantes naturais de resistência aos IP, e também, para conhecer o verdadeiro impacto das mutações na eficácia da terapia antiviral no tratamento dos doentes crónicos.
Autores principais:Silva, Tânia Sofia Santos, 1989-
Assunto:Hepatite C Resistência aos antivirais Teses de mestrado - 2013
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Num futuro próximo, os dois inibidores da protease (IP) aprovados pela FDA - Telaprevir e Boceprevir - serão administrados no tratamento dos doentes crónicos infectados por VHC, e este facto tem implicações clínicas para a adequação dos regimes terapêuticos. Assim, torna-se crucial, desenvolver uma metodologia para conhecer as melhores estratégias laboratoriais e clínicas a seguir, na monitorização e tratamento da infecção por VHC. O presente estudo pretendeu desenvolver um método in house de amplificação e sequenciação da região NS3 que permitisse, por um lado, a classificação do VHC, e por outro lado a identificação e monitorização de mutações de resistência aos IP numa população de conveniência de UDI, infectada por VIH e drug-naive aos IP. Amostras de 47 indivíduos foram submetidas ao rastreio de anticorpos anti-VHC e os casos positivos selecionados para a amplificação e sequenciação das regiões 5’UTR (ensaio comercial) e NS3 (ensaio in house) do VHC. Algumas amostras e respectivos produtos de PCR foram selecionados para procedimentos de clonagem do fragmento NS3. A classificação do VHC foi realizada por estimativa filogenética para as duas regiões genómicas do VHC. Na população estudada foi obtida uma prevalência de 93,6% para anticorpos anti-VHC e 70,5% de infecção activa por VHC. A estimativa filogenética (e em alguns casos a análise de bootscanning) para a região NS3, revelou uma maior prevalência de casos classificados de subtipo 1a (46,2%), seguida de uma igual proporção de casos de subtipos 3a, 4a e 4d (15,4%). Foram ainda classificados 2 casos de potenciais formas recombinantes: RF_1b/2k (3,8%) e 2q/2k (3,8%). Nas sequências consenso analisadas, as mutações V36L (elevada prevalência), T54A, I72T e Q80K (baixa prevalência), que conferem grau baixo e médio de resistência aos IP, foram identificadas em 57,6% dos indivíduos estudados. Em sequências derivadas da mesma amostra foi observada também uma variação intra-indivíduo devido à presença de quasispecies nas amostras analisadas. O ensaio de genotipagem (região 5’UTR) comercial revelou limitações para a diferenciação dos subtipos 1a e 1b, bem como para classificação dos subtipos 4c e 4d. Contrariamente, a região NS3 mostrou ter vantagem na subtipagem do VHC. Estudos de maior amostragem são necessários para avaliar a influência do genótipo ou do subtipo de VHC na emergência de variantes naturais de resistência aos IP, e também, para conhecer o verdadeiro impacto das mutações na eficácia da terapia antiviral no tratamento dos doentes crónicos.