Publicação

Tectono-estratigrafia e modelação de sistemas petrolíferos da Bacia do Porto

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Este trabalho consiste genericamente na reavaliação do potencial petrolífero da Bacia do Porto, localizada no sector Noroeste da margem ocidental portuguesa. Esta análise compreende a identificação dos principais eventos tectono-estratigráficos que controlaram a evolução da bacia e do sector no offshore profundo, contíguo a esta, bem como a análise da evolução da maturação dos intervalos geradores identificados. A Bacia do Porto teve algum histórico de exploração de hidrocarbonetos no final do século XX até há cerca de 20 anos atrás, com a realização de cinco poços exploratórios e várias campanhas de aquisição sísmica 2D, a última da qual executada no ano 2001. A reinterpretação das linhas sísmicas confirmou a existência de um sulco de direcção NNW-SSE na zona da plataforma continental, bordejado a Este pela Falha Porto-Tomar, e limitado a Oeste pelo sistema de falhas do talude continental. A área de estudo considerada evoluiu ao longo do processo de rifting mulltifásico que deu origem ao Oceano Atlântico Norte. Este processo iniciou-se no Triásico Superior até ao momento de ruptura continental entre as margens da Ibéria e Terra Nova, no Aptiano-Albiano. A partir deste momento deu-se o preenchimento da margem por um pacote sedimentar até ao final do Cretácico Superior. No Cenozóico a margem atravessa uma fase de inversão tectónica generalizada, que afectou igualmente a área de estudo. Houve subsidência e levantamento diferenciais ao longo dos sectores aqui definidos, que justificam a deposição pouco espessa a negligenciável na plataforma continental, e mais espessa na zona pós-sopé de talude continental. A coluna litostratigráfica foi redefinida a partir de publicações anteriores e pela reinterpretação dos relatórios de poço, apresentando ser bastante similar à do sector Norte da Bacia Lusitânica. As sondagens realizadas intersectaram níveis que mostraram ter evidências da geração e acumulação de hidrocarbonetos na bacia. Assim, foram identificados dois intervalos com potencial gerador de hidrocarbonetos. O primeiro corresponde ao início do Jurássico Inferior, na base da Formação Esturjão, e o segundo insere-se no início do Jurássico Superior, no Oxfordiano (Formação Cabo Mondego). Estes dois intervalos deverão ter correspondência com os identificados na Bacia Lusitânica para o Jurássico Inferior (Formações Água de Madeiros e Vale das Fontes), e para o Jurássico Superior (Formação de Cabaços/Vale Verde). Através da análise dos dados geoquímicos disponibilizados, verifica-se que o intervalo do Jurássico Inferior mostrou ter indícios promissores de potencial gerador, nomeadamente tendo como referência os níveis identificados no poço Lula-1. O intervalo do Oxfordiano foi reconhecido na base do poço Cavala-4, apresentando um razoável potencial gerador de hidrocarbonetos. Porém, a interpretação nas linhas sísmicas leva a considerar que a distribuição desta rocha-mãe será marginal, controlada essencialmente pela paleotopografia e estruturas pre-existentes à deposição no Oxfordiano. A análise tectono-estratigráfica teve como ponto de referência as publicações de Gawthorpe (1987), Ebinger (1999), Morley (1999), Leeder & Gawthorpe (2000) e Acocella et al. (2005). Estas revelaram ser bastante úteis para a identificação de modelos tectónicos em sistemas de rifte análogos aos verificados neste sector da margem. Com base nestes, e a partir da interpretação dos mapas de espessuras criados para cada unidade sismoestratigráfica idealizada, foi possível considerar a existência de rampas de ligação durante as fases de clímax de rifte do Jurássico Superior e Cretácico Inferior. Estas deverão ter sido responsáveis pelo desenvolvimento de sistemas deposicionais essencialmente siliciclásticos de uma superfície mais elevada, proximal, para zonas mais distais criadas pela elevada subsidência tectónica. As zonas de acomodação ENE-WSW terão evoluído para falhas de transferência durante esta fase, constituindo bypass’s sedimentares nas zonas de rift shoulder, conduzindo assim os sedimentos siliciclásticos para as zonas mais distais, a Oeste. Através da utilização do software PetroMod 1D (IES-Schlumberger) foram realizados exercícios de modelação, de forma a avaliar a maturação dos dois principais intervalos com bom potencial gerador que foram determinados. A partir da integração de dados de geoquímica orgânica, cinética do querogénio e definição das condições-fronteira (Fluxo de Calor, paleobatimetria e superfície de interface água-sedimento) definiu-se a curva que descreve a variação da temperatura ao longo do tempo e o modo como esta tem impacto na entrada da janela de geração de hidrocarbonetos. Os modelos térmicos produzidos indicam o momento crítico da expulsão de um determinado hidrocarboneto gerado, o que influencia a avaliação dos timings de eventos de sistemas petrolíferos. Tendo em consideração os resultados da modelação de maturação e os dados presentes nos relatórios de poço, reavaliaram-se o tipo e carácter de elementos de sistemas petrolíferos na Bacia do Porto, o que levou à definição de uma Carta de Eventos de Sistema Petrolífero. De forma a avaliar a existência e tipo de sistemas petrolíferos na margem subexplorada no offshore profundo, incluída na área de estudo, projectou-se todo o conhecimento da litostratigrafia, evolução geodinâmica, ciclos de transgressão-regressão e variação do nível do mar desde a Bacia do Porto para a área mais distal. Esta ferramenta de estudo denominada genericamente por «Diagrama de Wheeler» revelou ser extremamente útil para um exercício de especulação, com critério, das variações litológicas mais prováveis de serem encontradas na margem proximal externa, com impacto na definição dos prováveis elementos de sistemas petrolíferos. A comparação da zona a Oeste da Bacia do Porto no offshore profundo, com a margem conjugada Canadiana, especificamente com a Bacia de Flemish Pass, foi importante como análogo de exploração. As recentes descobertas comerciais nessa bacia constituíram uma importante mudança de paradigma exploratório, esperando-se que constituam bons prenúncios para o recentrar da exploração petrolífera neste sector da margem, que apresenta uma sequência litostratigráfica bastante semelhante.
Autores principais:Casacão, João Pedro Malveiro
Assunto:Bacia do Porto Tectono-estratigrafia de bacias tipo-rifte Geoquímica orgânica Modelação térmica Sistemas petrolíferos Teses de mestrado - 2015
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Este trabalho consiste genericamente na reavaliação do potencial petrolífero da Bacia do Porto, localizada no sector Noroeste da margem ocidental portuguesa. Esta análise compreende a identificação dos principais eventos tectono-estratigráficos que controlaram a evolução da bacia e do sector no offshore profundo, contíguo a esta, bem como a análise da evolução da maturação dos intervalos geradores identificados. A Bacia do Porto teve algum histórico de exploração de hidrocarbonetos no final do século XX até há cerca de 20 anos atrás, com a realização de cinco poços exploratórios e várias campanhas de aquisição sísmica 2D, a última da qual executada no ano 2001. A reinterpretação das linhas sísmicas confirmou a existência de um sulco de direcção NNW-SSE na zona da plataforma continental, bordejado a Este pela Falha Porto-Tomar, e limitado a Oeste pelo sistema de falhas do talude continental. A área de estudo considerada evoluiu ao longo do processo de rifting mulltifásico que deu origem ao Oceano Atlântico Norte. Este processo iniciou-se no Triásico Superior até ao momento de ruptura continental entre as margens da Ibéria e Terra Nova, no Aptiano-Albiano. A partir deste momento deu-se o preenchimento da margem por um pacote sedimentar até ao final do Cretácico Superior. No Cenozóico a margem atravessa uma fase de inversão tectónica generalizada, que afectou igualmente a área de estudo. Houve subsidência e levantamento diferenciais ao longo dos sectores aqui definidos, que justificam a deposição pouco espessa a negligenciável na plataforma continental, e mais espessa na zona pós-sopé de talude continental. A coluna litostratigráfica foi redefinida a partir de publicações anteriores e pela reinterpretação dos relatórios de poço, apresentando ser bastante similar à do sector Norte da Bacia Lusitânica. As sondagens realizadas intersectaram níveis que mostraram ter evidências da geração e acumulação de hidrocarbonetos na bacia. Assim, foram identificados dois intervalos com potencial gerador de hidrocarbonetos. O primeiro corresponde ao início do Jurássico Inferior, na base da Formação Esturjão, e o segundo insere-se no início do Jurássico Superior, no Oxfordiano (Formação Cabo Mondego). Estes dois intervalos deverão ter correspondência com os identificados na Bacia Lusitânica para o Jurássico Inferior (Formações Água de Madeiros e Vale das Fontes), e para o Jurássico Superior (Formação de Cabaços/Vale Verde). Através da análise dos dados geoquímicos disponibilizados, verifica-se que o intervalo do Jurássico Inferior mostrou ter indícios promissores de potencial gerador, nomeadamente tendo como referência os níveis identificados no poço Lula-1. O intervalo do Oxfordiano foi reconhecido na base do poço Cavala-4, apresentando um razoável potencial gerador de hidrocarbonetos. Porém, a interpretação nas linhas sísmicas leva a considerar que a distribuição desta rocha-mãe será marginal, controlada essencialmente pela paleotopografia e estruturas pre-existentes à deposição no Oxfordiano. A análise tectono-estratigráfica teve como ponto de referência as publicações de Gawthorpe (1987), Ebinger (1999), Morley (1999), Leeder & Gawthorpe (2000) e Acocella et al. (2005). Estas revelaram ser bastante úteis para a identificação de modelos tectónicos em sistemas de rifte análogos aos verificados neste sector da margem. Com base nestes, e a partir da interpretação dos mapas de espessuras criados para cada unidade sismoestratigráfica idealizada, foi possível considerar a existência de rampas de ligação durante as fases de clímax de rifte do Jurássico Superior e Cretácico Inferior. Estas deverão ter sido responsáveis pelo desenvolvimento de sistemas deposicionais essencialmente siliciclásticos de uma superfície mais elevada, proximal, para zonas mais distais criadas pela elevada subsidência tectónica. As zonas de acomodação ENE-WSW terão evoluído para falhas de transferência durante esta fase, constituindo bypass’s sedimentares nas zonas de rift shoulder, conduzindo assim os sedimentos siliciclásticos para as zonas mais distais, a Oeste. Através da utilização do software PetroMod 1D (IES-Schlumberger) foram realizados exercícios de modelação, de forma a avaliar a maturação dos dois principais intervalos com bom potencial gerador que foram determinados. A partir da integração de dados de geoquímica orgânica, cinética do querogénio e definição das condições-fronteira (Fluxo de Calor, paleobatimetria e superfície de interface água-sedimento) definiu-se a curva que descreve a variação da temperatura ao longo do tempo e o modo como esta tem impacto na entrada da janela de geração de hidrocarbonetos. Os modelos térmicos produzidos indicam o momento crítico da expulsão de um determinado hidrocarboneto gerado, o que influencia a avaliação dos timings de eventos de sistemas petrolíferos. Tendo em consideração os resultados da modelação de maturação e os dados presentes nos relatórios de poço, reavaliaram-se o tipo e carácter de elementos de sistemas petrolíferos na Bacia do Porto, o que levou à definição de uma Carta de Eventos de Sistema Petrolífero. De forma a avaliar a existência e tipo de sistemas petrolíferos na margem subexplorada no offshore profundo, incluída na área de estudo, projectou-se todo o conhecimento da litostratigrafia, evolução geodinâmica, ciclos de transgressão-regressão e variação do nível do mar desde a Bacia do Porto para a área mais distal. Esta ferramenta de estudo denominada genericamente por «Diagrama de Wheeler» revelou ser extremamente útil para um exercício de especulação, com critério, das variações litológicas mais prováveis de serem encontradas na margem proximal externa, com impacto na definição dos prováveis elementos de sistemas petrolíferos. A comparação da zona a Oeste da Bacia do Porto no offshore profundo, com a margem conjugada Canadiana, especificamente com a Bacia de Flemish Pass, foi importante como análogo de exploração. As recentes descobertas comerciais nessa bacia constituíram uma importante mudança de paradigma exploratório, esperando-se que constituam bons prenúncios para o recentrar da exploração petrolífera neste sector da margem, que apresenta uma sequência litostratigráfica bastante semelhante.