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A flora e a vegetação da faixa litoral entre Tróia e Sines

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Resumo:Neste trabalho pretendeu-se estudar a flora e a vegetação da faixa litoral entre Tróia e Sines, numa perspectiva fitossociológica, a qual é cruzada com estudos geomorfológicos, pedológicos e climatológicos, efectuados com o objectivo de entender os principais factores que comandam a distribuição das comunidades vegetais. Em geral, a vegetação da área estudada é influenciada por um clima de características mediterrânicas com influência atlântica e um bioclima termomediterrânico inferior, segundo a classificação de (RIVAS-MARTÍNEZ, 1996). O microclima e o clima local foram analizados com base nos registos de duas estações meteorológicas colocadas nas dunas da praia da Comporta e em medições itinerantes. Os resultados permitem avaliar a existência de diversos microclimas dunares que condicionam o posicionamento de algumas comunidades vegetais, como por exemplo, as comunidades termófilas nas dunas mais interiores e as menos termófilas mais próximas da praia. A análise dos ventos apresenta uma enorme importância na explicação das correntes marítimas locais que, ao condicionar a fraca incidência de nevoeiros estivais. Desde Tróia até Melides, justifica as diferenças florísticas e de vegetação entre os Superdistritos Sadense e Costeiro Vicentino. A flora e a vegetação da área estudada foi organizada em seis grandes biogeossistemas, os quais se individualizam pelas comunidades vegetais que lhes são próprias e pelas características lito-morfo-pedológicas: - praias e dunas litorais sob a influência da salsugem - dunas e coberturas arenosas interiores - arribas litorais areníticas e conglomeráticas - superfícies constituídas pelos materiais areníticos e conglometáticos da Formação da Marateca - espaços húmidos com solos turfosos - espaços húmidos sem solos turfosos A flora destas seis unidades é maioritáriamente mediterrânica, mas verifica-se a presença de muitos elementos florísticos atlânticos, como resultado das flutuações climáticas Quaternárias. A originalidade de muitas das comunidades vegetais identificadas, reside nesta sobreposição, no mesmo território, de espécies atlânticas e espécies mediterrânicas. Como resultado de uma profunda e longínqua acção antrópica, as comunidades vegetais correspondentes às várias cabeças de séries, estão pouco representadas e as etapas de substituição, mais ou menos degradadas, constituem a vegetação dominante.
Autores principais:Neto, Carlos
Assunto:Flora Vegetação Fitossociologia Distribuição das comunidades vegetais Faixa litoral Tróia Sines
Ano:1999
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Neste trabalho pretendeu-se estudar a flora e a vegetação da faixa litoral entre Tróia e Sines, numa perspectiva fitossociológica, a qual é cruzada com estudos geomorfológicos, pedológicos e climatológicos, efectuados com o objectivo de entender os principais factores que comandam a distribuição das comunidades vegetais. Em geral, a vegetação da área estudada é influenciada por um clima de características mediterrânicas com influência atlântica e um bioclima termomediterrânico inferior, segundo a classificação de (RIVAS-MARTÍNEZ, 1996). O microclima e o clima local foram analizados com base nos registos de duas estações meteorológicas colocadas nas dunas da praia da Comporta e em medições itinerantes. Os resultados permitem avaliar a existência de diversos microclimas dunares que condicionam o posicionamento de algumas comunidades vegetais, como por exemplo, as comunidades termófilas nas dunas mais interiores e as menos termófilas mais próximas da praia. A análise dos ventos apresenta uma enorme importância na explicação das correntes marítimas locais que, ao condicionar a fraca incidência de nevoeiros estivais. Desde Tróia até Melides, justifica as diferenças florísticas e de vegetação entre os Superdistritos Sadense e Costeiro Vicentino. A flora e a vegetação da área estudada foi organizada em seis grandes biogeossistemas, os quais se individualizam pelas comunidades vegetais que lhes são próprias e pelas características lito-morfo-pedológicas: - praias e dunas litorais sob a influência da salsugem - dunas e coberturas arenosas interiores - arribas litorais areníticas e conglomeráticas - superfícies constituídas pelos materiais areníticos e conglometáticos da Formação da Marateca - espaços húmidos com solos turfosos - espaços húmidos sem solos turfosos A flora destas seis unidades é maioritáriamente mediterrânica, mas verifica-se a presença de muitos elementos florísticos atlânticos, como resultado das flutuações climáticas Quaternárias. A originalidade de muitas das comunidades vegetais identificadas, reside nesta sobreposição, no mesmo território, de espécies atlânticas e espécies mediterrânicas. Como resultado de uma profunda e longínqua acção antrópica, as comunidades vegetais correspondentes às várias cabeças de séries, estão pouco representadas e as etapas de substituição, mais ou menos degradadas, constituem a vegetação dominante.