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A pintura que retém a palavra

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Dezassete capítulos correspondem a dezassete projectos de pintura que problematizam a relação da representação da escrita na composição pictórica. As aporias que mapeam esse questionamento têm, cada uma, um enfoque particular mas ramificam-se neste conjunto de projectos pictóricos, pelos reenvios. A autoria desdobra-se sob o pseudónimo artístico Ema M. Entre pintura e escrita, entre imagem e linguagem, entre figural e textual, entre opacidade e transparência, esta questão antiga é problematizada e actualizada em duas vertentes, prática (pictórica) e teórica (conceptual). A «pintura retém a palavra» como elemento na composição, porque a persegue ou, ao contrário, quer escapar-lhe. O texto participa na pintura pela inscrição, como pretexto e pré-texto. Implícito ou explícito nas palavras, frases, histórias ou lições pintadas, informa e atravessa a pintura, torna-se imagem, duplamente: mental e da percepção. A metáfora, a écfrase e a ficção são apropriadas pela pintura através de termos, frases e narrativas. Atravessada pelo texto, a pintura altera-se, fica contaminada por palavras e por significados acumulados. Mas a pintura toma o texto obedecendo à sua fórmula legível e afastando-se do trabalho de metamorfose até à ilegibilidade do desenho das letras. Interessa-lhe o conteúdo e significado dos textos e a sua capacidade de afectar a imagem pintada, pela presença expressa ou pressuposta, pela plasticidade da sua inscrição, a sua pertinência na composição a par do figural, pela exigência simultânea de um leitor e de um observador, num, num desafio duplo à percepção visual: a legibilidade e a visibilidade. Por outro lado, a instalação das pinturas em polípticos permite reelaborar opções ou variáveis do posicionamento das partes constituintes e, de cada vez, a relação entre a pintura e a escrita está em potência, passível de ser reconfigurada na performatividade criativa deste instalar.
Autores principais:Prieto, Margarida
Assunto:Teses de doutoramento - 2013 Pintura Escrita Figuração narrativa Imagem Linguagem Semiótica
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Dezassete capítulos correspondem a dezassete projectos de pintura que problematizam a relação da representação da escrita na composição pictórica. As aporias que mapeam esse questionamento têm, cada uma, um enfoque particular mas ramificam-se neste conjunto de projectos pictóricos, pelos reenvios. A autoria desdobra-se sob o pseudónimo artístico Ema M. Entre pintura e escrita, entre imagem e linguagem, entre figural e textual, entre opacidade e transparência, esta questão antiga é problematizada e actualizada em duas vertentes, prática (pictórica) e teórica (conceptual). A «pintura retém a palavra» como elemento na composição, porque a persegue ou, ao contrário, quer escapar-lhe. O texto participa na pintura pela inscrição, como pretexto e pré-texto. Implícito ou explícito nas palavras, frases, histórias ou lições pintadas, informa e atravessa a pintura, torna-se imagem, duplamente: mental e da percepção. A metáfora, a écfrase e a ficção são apropriadas pela pintura através de termos, frases e narrativas. Atravessada pelo texto, a pintura altera-se, fica contaminada por palavras e por significados acumulados. Mas a pintura toma o texto obedecendo à sua fórmula legível e afastando-se do trabalho de metamorfose até à ilegibilidade do desenho das letras. Interessa-lhe o conteúdo e significado dos textos e a sua capacidade de afectar a imagem pintada, pela presença expressa ou pressuposta, pela plasticidade da sua inscrição, a sua pertinência na composição a par do figural, pela exigência simultânea de um leitor e de um observador, num, num desafio duplo à percepção visual: a legibilidade e a visibilidade. Por outro lado, a instalação das pinturas em polípticos permite reelaborar opções ou variáveis do posicionamento das partes constituintes e, de cada vez, a relação entre a pintura e a escrita está em potência, passível de ser reconfigurada na performatividade criativa deste instalar.