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Contraceção oral feminina: evolução histórica e farmacológica

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Resumo:A contraceção oral feminina, normalmente conhecida por pílula, tem sido dos métodos contracetivos mais utilizados pelas mulheres no mundo inteiro. Segundo as Nações Unidas, a prevalência do uso da contraceção oral quase duplicou entre 1970 e 2015, de 36% a 64%, o que ocorreu maioritariamente nos anos de 1990. Em Portugal, segundo o 4.º inquérito nacional de saúde (2009), 85% da população feminina em idade fértil usa um método de contraceção, sendo os contracetivos orais combinados (COC) os mais utilizados, seguido pelos preservativos e dipositivos intrauterinos (DIU) Foi através do trabalho de cientistas como Ludwing Haberlandt, Russel Marker, Carl Djerassi, Margaret Sanger, Gregory Pincus, John Rock, e outros, que foi possível o desenvolvimento dos contracetivos orais combinados. Após a sua introdução no mercado em 1960 este método começou a ser utilizado por muitas mulheres. Entretanto a correlação entre o seu uso e efeitos adversos a nível metabólico e hemostático como náuseas, ganho de peso, cefaleias, sangramentos irregulares e aumento do risco de doenças cardiovasculares, particularmente do tromboembolismo venoso, conduziu ao desenvolvimento de novas hormonas sintéticas com menor potencial de efeitos adversos. Alem disso, efeitos benéficos na redução da acne e hirsutismo foram também fatores importantes para o desenvolvimento de novos progestagénios com menor potencial androgénico, mas igualmente seguros e eficazes. Novos regimes de administração permitiram mimetizar o ciclo menstrual fisiológico. Desta forma, regimes monofásicos deram lugar a regimes bifásicos, trifásicos e quadrifasicos, embora a eficácia entre estes pareça ser semelhante. O desenvolvimento de contracetivos progestativos como a minipílula permitiu às mulheres com contraindicações para o uso de estrogénios, beneficiarem dos efeitos da contraceção hormonal. A contraceção de emergência foi também um avanço importante na prevenção de uma gravidez indesejada após uma relação sexual não protegida. Com o desenvolvimento de todos estes métodos tornou-se necessário fornecer às mulheres informações fidedignas acerca da utilização, efeitos adversos ou interações medicamentosas. O papel dos profissionais de saúde neste caso é essencial. O farmacêutico, como profissional do medicamento torna-se então numa figura de grande relevância para a prestação de informações fidedignas e atualizadas.
Autores principais:Graça, Jacqueline Delgado da
Assunto:Contraceção oral Pilula Estrogénios Progestagénios Evolução da contraceção Riscos Benefícios Mestrado Integrado - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A contraceção oral feminina, normalmente conhecida por pílula, tem sido dos métodos contracetivos mais utilizados pelas mulheres no mundo inteiro. Segundo as Nações Unidas, a prevalência do uso da contraceção oral quase duplicou entre 1970 e 2015, de 36% a 64%, o que ocorreu maioritariamente nos anos de 1990. Em Portugal, segundo o 4.º inquérito nacional de saúde (2009), 85% da população feminina em idade fértil usa um método de contraceção, sendo os contracetivos orais combinados (COC) os mais utilizados, seguido pelos preservativos e dipositivos intrauterinos (DIU) Foi através do trabalho de cientistas como Ludwing Haberlandt, Russel Marker, Carl Djerassi, Margaret Sanger, Gregory Pincus, John Rock, e outros, que foi possível o desenvolvimento dos contracetivos orais combinados. Após a sua introdução no mercado em 1960 este método começou a ser utilizado por muitas mulheres. Entretanto a correlação entre o seu uso e efeitos adversos a nível metabólico e hemostático como náuseas, ganho de peso, cefaleias, sangramentos irregulares e aumento do risco de doenças cardiovasculares, particularmente do tromboembolismo venoso, conduziu ao desenvolvimento de novas hormonas sintéticas com menor potencial de efeitos adversos. Alem disso, efeitos benéficos na redução da acne e hirsutismo foram também fatores importantes para o desenvolvimento de novos progestagénios com menor potencial androgénico, mas igualmente seguros e eficazes. Novos regimes de administração permitiram mimetizar o ciclo menstrual fisiológico. Desta forma, regimes monofásicos deram lugar a regimes bifásicos, trifásicos e quadrifasicos, embora a eficácia entre estes pareça ser semelhante. O desenvolvimento de contracetivos progestativos como a minipílula permitiu às mulheres com contraindicações para o uso de estrogénios, beneficiarem dos efeitos da contraceção hormonal. A contraceção de emergência foi também um avanço importante na prevenção de uma gravidez indesejada após uma relação sexual não protegida. Com o desenvolvimento de todos estes métodos tornou-se necessário fornecer às mulheres informações fidedignas acerca da utilização, efeitos adversos ou interações medicamentosas. O papel dos profissionais de saúde neste caso é essencial. O farmacêutico, como profissional do medicamento torna-se então numa figura de grande relevância para a prestação de informações fidedignas e atualizadas.