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Papel do CFTR nas doenças respiratórias : possibilidade de novas abordagens terapêuticas

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O cystic fibrosis transmembrane conductance regulator (CFTR) é um transportador aniónico com um papel essencial na regulação da absorção e secreção de iões e água em tecidos epiteliais, nomeadamente nas vias aéreas. Nestas, o CFTR está envolvido na regulação de mecanismos de defesa essenciais, sendo crucial para a manutenção do líquido de superfície epitelial e de uma adequada clearence mucociliar. A fibrose quística (FQ) resulta da deficiência ou disfunção do CFTR determinada geneticamente. Evidências recentes sugerem que a disfunção do CFTR, determinada por mutações genéticas ou adquirida em proteínas CFTR wild type, pode ter um papel noutras doenças das vias respiratórias, como na doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), na asma, na aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA), nas bronquiectasias difusas (DB), e na doença pulmonar associada a micobactérias não tuberculosas (PNTM). Mutações do gene do CFTR mesmo em apenas um alelo podem ter um papel fisiopatológico nas doenças referidas. Adicionalmente, fatores ambientais como a exposição ao fumo do tabaco, a álcool e a metais pesados, a hipóxia e acidose locais, o stress oxidativo e a inflamação, podem condicionar disfunção do CFTR wild type, com um potencial papel patogénico na DPOC, na asma, nas DB e na infeção PNTM, havendo igualmente evidência de correlação desta disfunção com o fenótipo clínico e gravidade da DPOC e, de forma menos clara, das DB e da ABPA. O desenvolvimento recente de novas abordagens terapêuticas direcionadas a corrigir a disfunção do CFTR na FQ permite considerar o recurso a terapêutica dirigida noutras doenças pulmonares com alterações da função do CFTR, nomeadamente utilizando, por exemplo, moduladores do CFTR, secretagagogos do cloro ou antagonistas da fosfodiesterase-4. Destaca-se a doença pulmonar obstrutiva crónica onde existe já evidência in vivo e in vitro da eficácia da terapêutica de substituição proteica.
Autores principais:Alçada, Rita Santos
Assunto:Cystic fibrosis transmembrane conductance regulator Clearance de muco Bronquite crónica Bronquiectasias Pneumologia
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O cystic fibrosis transmembrane conductance regulator (CFTR) é um transportador aniónico com um papel essencial na regulação da absorção e secreção de iões e água em tecidos epiteliais, nomeadamente nas vias aéreas. Nestas, o CFTR está envolvido na regulação de mecanismos de defesa essenciais, sendo crucial para a manutenção do líquido de superfície epitelial e de uma adequada clearence mucociliar. A fibrose quística (FQ) resulta da deficiência ou disfunção do CFTR determinada geneticamente. Evidências recentes sugerem que a disfunção do CFTR, determinada por mutações genéticas ou adquirida em proteínas CFTR wild type, pode ter um papel noutras doenças das vias respiratórias, como na doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), na asma, na aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA), nas bronquiectasias difusas (DB), e na doença pulmonar associada a micobactérias não tuberculosas (PNTM). Mutações do gene do CFTR mesmo em apenas um alelo podem ter um papel fisiopatológico nas doenças referidas. Adicionalmente, fatores ambientais como a exposição ao fumo do tabaco, a álcool e a metais pesados, a hipóxia e acidose locais, o stress oxidativo e a inflamação, podem condicionar disfunção do CFTR wild type, com um potencial papel patogénico na DPOC, na asma, nas DB e na infeção PNTM, havendo igualmente evidência de correlação desta disfunção com o fenótipo clínico e gravidade da DPOC e, de forma menos clara, das DB e da ABPA. O desenvolvimento recente de novas abordagens terapêuticas direcionadas a corrigir a disfunção do CFTR na FQ permite considerar o recurso a terapêutica dirigida noutras doenças pulmonares com alterações da função do CFTR, nomeadamente utilizando, por exemplo, moduladores do CFTR, secretagagogos do cloro ou antagonistas da fosfodiesterase-4. Destaca-se a doença pulmonar obstrutiva crónica onde existe já evidência in vivo e in vitro da eficácia da terapêutica de substituição proteica.