Publicação
A imagem da mulher e a construção da identidade feminina na narrativa de Paulina Chiziane: balada de amor ao vento e Niketche: uma história de poligamia
| Resumo: | O objetivo principal desta dissertação é proporcionar um olhar atento e analítico sobre a temática da imagem da mulher e o processo da construção da identidade feminina na obra narrativa de Paulina Chiziane, mais concretamente em Balada de amor ao vento e Niketche: uma história de poligamia. A nossa metodologia consiste em partir do texto chizianiano para mostrar que a autora foca diversas questões relativas ao mal-estar feminino e ao profundo sentimento de incomodidade experimentado pela mulher moçambicana perante os papéis, atitudes e valores que lhe foram destinados pela cultura patriarcal milenária. Este estudo procura, igualmente, analisar as obras referidas tendo em vista averiguar os fundamentos de um discurso feminista, que faz com que a narrativa chizianiana se erija como um contra-discurso, que critica a situação de submissão da mulher, questiona as concepções preestabelecidas sobre a feminilidade e discute a questão da identidade feminina, tendo em conta a especificidade e a heterogeneidade das mulheres moçambicanas, a diversidade das suas experiências, das suas origens étnicas e culturais e das suas pertenças regionais e religiosas. No tratamento deste tema argumentamos que a proclamação de uma categoria de sujeito social, e a reivindicação de uma identidade feminina, baseiam-se, neste contexto, num processo de revisão das construções culturais e simbólicas de índole falogocêntrica. Esta revisão é levada a cabo por meio de estratégias discursivas como a desmantelamento dos pressupostos do poder andrógeno, a desmitificação dos mitos sociais e a redefinição dos modelos genéricos, que sustentam a polaridade feminino/masculino. A análise resultante deste estudo, marcado pelas orientações do pensamento feminista, mostrar-nos-á que a construção da identidade feminina, como fica exposta pela escritora moçambicana, encontra-se tensionada entre duas visões ou dimensões distintas, a saber, a tradição e a modernidade; motivo pelo qual se impõe a alternativa de uma sinergia e de uma osmose culturais para conciliar o passado com o presente, tendo em conta um olhar prudente para o futuro. |
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| Autores principais: | Boutchich, Sanaa |
| Assunto: | Chiziane, Paulina, 1955- - Crítica e interpretação Romance moçambicano - séc.20-21 - História e crítica Mulher - Na literatura Feminilidade - Na literatura Mulher - Condições sociais - Moçambique Teses de mestrado - 2016 |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O objetivo principal desta dissertação é proporcionar um olhar atento e analítico sobre a temática da imagem da mulher e o processo da construção da identidade feminina na obra narrativa de Paulina Chiziane, mais concretamente em Balada de amor ao vento e Niketche: uma história de poligamia. A nossa metodologia consiste em partir do texto chizianiano para mostrar que a autora foca diversas questões relativas ao mal-estar feminino e ao profundo sentimento de incomodidade experimentado pela mulher moçambicana perante os papéis, atitudes e valores que lhe foram destinados pela cultura patriarcal milenária. Este estudo procura, igualmente, analisar as obras referidas tendo em vista averiguar os fundamentos de um discurso feminista, que faz com que a narrativa chizianiana se erija como um contra-discurso, que critica a situação de submissão da mulher, questiona as concepções preestabelecidas sobre a feminilidade e discute a questão da identidade feminina, tendo em conta a especificidade e a heterogeneidade das mulheres moçambicanas, a diversidade das suas experiências, das suas origens étnicas e culturais e das suas pertenças regionais e religiosas. No tratamento deste tema argumentamos que a proclamação de uma categoria de sujeito social, e a reivindicação de uma identidade feminina, baseiam-se, neste contexto, num processo de revisão das construções culturais e simbólicas de índole falogocêntrica. Esta revisão é levada a cabo por meio de estratégias discursivas como a desmantelamento dos pressupostos do poder andrógeno, a desmitificação dos mitos sociais e a redefinição dos modelos genéricos, que sustentam a polaridade feminino/masculino. A análise resultante deste estudo, marcado pelas orientações do pensamento feminista, mostrar-nos-á que a construção da identidade feminina, como fica exposta pela escritora moçambicana, encontra-se tensionada entre duas visões ou dimensões distintas, a saber, a tradição e a modernidade; motivo pelo qual se impõe a alternativa de uma sinergia e de uma osmose culturais para conciliar o passado com o presente, tendo em conta um olhar prudente para o futuro. |
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