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Crise de representação, cultura política e participação no Brasil:das jornadas de Junho ao IMPEACHMENT de Dilma Rousseff (2013-2016)

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Resumo:Desde a terceira onda de democratização, a falta de avanços sólidos nas democracias tem gerado insatisfação, desconfiança e desafeto em relação às suas estruturas, devido à incapacidade da democracia em garantir igualdade social e política. A representação democrática é uma forma de mediar conflitos frente à pluralidade de atores, e pressupõe comunicação entre a sociedade civil e política. Contudo, acaba por excluir certos grupos devido à fragmentação do bem público em interesses distintos, o que distancia a população das elites. O fenômeno da crise de representação envolve a desvalorização das instituições tradicionais, e a perda da centralidade dos partidos políticos como estruturas de mediação, processo decorrente da lacuna entre expectativa e realidade das democracias. Em junho de 2013, o Brasil presenciou a emergência de protestos em massa por todo o país, que levaram às ruas insatisfações generalizadas em relação ao sistema político. Com a Copa do Mundo de 2014, houve uma ampliação das vozes críticas no país, seguida de eleições gerais marcadas pela polarização. Em 2015 e 2016, com o aprofundamento da crise política e econômica, novas multidões foram às ruas, dividindo apoiadores de governo e opositores que pediam o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Visto isso, o objetivo desta dissertação é compreender o impacto da crise de representação nas mudanças na cultura política e participação dos brasileiros, entre 2013 e 2016. Para isso, foram utilizados dados do Latin American Public Opinion Project (LAPOP) de 2012, 2014 e 2016/7. Os resultados indicam que as características específicas da crise de representação brasileira, desenvolvidas no período, levaram a um maior engajamento e mobilização dos cidadãos, entretanto este não foi baseado em uma cultura política cívica ou em valores democráticos.
Autores principais:Costa, Andressa Liegi Vieira
Assunto:Brasil Crise de representação Cultura política Democracia Participação política Brazil Crisis of Representation Democracy Political Culture Political Participation
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Desde a terceira onda de democratização, a falta de avanços sólidos nas democracias tem gerado insatisfação, desconfiança e desafeto em relação às suas estruturas, devido à incapacidade da democracia em garantir igualdade social e política. A representação democrática é uma forma de mediar conflitos frente à pluralidade de atores, e pressupõe comunicação entre a sociedade civil e política. Contudo, acaba por excluir certos grupos devido à fragmentação do bem público em interesses distintos, o que distancia a população das elites. O fenômeno da crise de representação envolve a desvalorização das instituições tradicionais, e a perda da centralidade dos partidos políticos como estruturas de mediação, processo decorrente da lacuna entre expectativa e realidade das democracias. Em junho de 2013, o Brasil presenciou a emergência de protestos em massa por todo o país, que levaram às ruas insatisfações generalizadas em relação ao sistema político. Com a Copa do Mundo de 2014, houve uma ampliação das vozes críticas no país, seguida de eleições gerais marcadas pela polarização. Em 2015 e 2016, com o aprofundamento da crise política e econômica, novas multidões foram às ruas, dividindo apoiadores de governo e opositores que pediam o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Visto isso, o objetivo desta dissertação é compreender o impacto da crise de representação nas mudanças na cultura política e participação dos brasileiros, entre 2013 e 2016. Para isso, foram utilizados dados do Latin American Public Opinion Project (LAPOP) de 2012, 2014 e 2016/7. Os resultados indicam que as características específicas da crise de representação brasileira, desenvolvidas no período, levaram a um maior engajamento e mobilização dos cidadãos, entretanto este não foi baseado em uma cultura política cívica ou em valores democráticos.