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Pseudomonas spp. em répteis de companhia : um estudo retrospetivo

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Resumo:A manutenção de répteis como animais de companhia tem aumentado nos últimos anos na Europa. Estes animais podem ser reservatórios de microrganismos zoonóticos, incluindo bactérias do género Pseudomonas, cujos mecanismos de resistência aos antimicrobianos em constante evolução tornam as opções terapêuticas disponíveis atualmente cada vez mais ineficazes, pelo que a monitorização da relação entre este género bacteriano e a classe Reptilia é de grande importância. Este estudo retrospetivo teve como objetivos o cálculo da frequência de isolamento de Pseudomonas em répteis detidos como animais de companhia ou de coleção, apresentados a consulta no Hospital Escolar Veterinário (HEV) entre Abril de 2006 e Fevereiro de 2020; a identificação de fatores que podem predispor para infeção por Pseudomonas spp. em répteis; e a caracterização do perfil de resistência a antibióticos, através do método de difusão em disco (Kirby-Bauer), dos isolados. Para tal, procedeu-se à verificação dos relatórios de análises bacteriológicas do Laboratório de Microbiologia e Imunologia (LMI) da FMV-ULisboa e procedeu-se à pesquisa e recolha das fichas clínicas dos répteis através da plataforma Guruvet ®, tendo sido possível ter acesso às fichas de 24 animais, cujos dados foram utilizados para análise estatística. Verificou-se uma frequência de isolamento para Pseudomonas spp. de 35%. Não foi observada uma associação estatisticamente significativa entre o isolamento deste género bacteriano e a idade, género ou espécie dos répteis, nem com o tipo de doença apresentado pelos animais. No entanto, os perfis de multirresistência obtidos são preocupantes, com 4 isolados classificados como multirresistentes, 4 classificados como extensivamente resistentes e 1 classificado como pan-resistente. Estes resultados alertam para a imprescindibilidade da criação de uma política de administração de antibióticos em répteis, com uma hierarquização dos agentes, de forma a garantir uma prescrição segura e universal. A eficácia do tratamento de uma infeção cutânea grave causada por Pseudomonas sp., não suscetível a todos os antibióticos utilizados, através da aplicação de um antisséptico tópico, pode sugerir que esta abordagem seja válida noutros casos clínicos e uma opção adequada para tratamento empírico enquanto se aguarda pelos resultados do teste de sensibilidade aos antibióticos ou do cálculo da concentração mínima inibitória.
Autores principais:Roque, Helena Margarida Carvalho Miranda Augusto
Assunto:Pseudomonas Répteis Virulência Resistência a antimicrobianos Saúde Pública Pseudomonas Reptiles Virulence Antimicrobial resistance Public Health
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A manutenção de répteis como animais de companhia tem aumentado nos últimos anos na Europa. Estes animais podem ser reservatórios de microrganismos zoonóticos, incluindo bactérias do género Pseudomonas, cujos mecanismos de resistência aos antimicrobianos em constante evolução tornam as opções terapêuticas disponíveis atualmente cada vez mais ineficazes, pelo que a monitorização da relação entre este género bacteriano e a classe Reptilia é de grande importância. Este estudo retrospetivo teve como objetivos o cálculo da frequência de isolamento de Pseudomonas em répteis detidos como animais de companhia ou de coleção, apresentados a consulta no Hospital Escolar Veterinário (HEV) entre Abril de 2006 e Fevereiro de 2020; a identificação de fatores que podem predispor para infeção por Pseudomonas spp. em répteis; e a caracterização do perfil de resistência a antibióticos, através do método de difusão em disco (Kirby-Bauer), dos isolados. Para tal, procedeu-se à verificação dos relatórios de análises bacteriológicas do Laboratório de Microbiologia e Imunologia (LMI) da FMV-ULisboa e procedeu-se à pesquisa e recolha das fichas clínicas dos répteis através da plataforma Guruvet ®, tendo sido possível ter acesso às fichas de 24 animais, cujos dados foram utilizados para análise estatística. Verificou-se uma frequência de isolamento para Pseudomonas spp. de 35%. Não foi observada uma associação estatisticamente significativa entre o isolamento deste género bacteriano e a idade, género ou espécie dos répteis, nem com o tipo de doença apresentado pelos animais. No entanto, os perfis de multirresistência obtidos são preocupantes, com 4 isolados classificados como multirresistentes, 4 classificados como extensivamente resistentes e 1 classificado como pan-resistente. Estes resultados alertam para a imprescindibilidade da criação de uma política de administração de antibióticos em répteis, com uma hierarquização dos agentes, de forma a garantir uma prescrição segura e universal. A eficácia do tratamento de uma infeção cutânea grave causada por Pseudomonas sp., não suscetível a todos os antibióticos utilizados, através da aplicação de um antisséptico tópico, pode sugerir que esta abordagem seja válida noutros casos clínicos e uma opção adequada para tratamento empírico enquanto se aguarda pelos resultados do teste de sensibilidade aos antibióticos ou do cálculo da concentração mínima inibitória.