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Ideias republicanas na consolidação de um pensamento angolano urbano, 1880 c.-1910 c. :convergência e autonomia

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A partir de 1880, quando se acirra a disputa entre potências europeias pelo domínio territorial em África, vários jornais republicanos circularam em Luanda a defender o fim da monarquia e a implantação da República em Portugal. A maioria desses jornais era dirigida por mestiços e negros, chamados “filhos do país”. Esses jornalistas, membros da elite cultural e económica dos espaços de presença portuguesa naquela região, reivindicavam o desenvolvimento de Angola e criticavam a inoperância e corrupção dos governadores-gerais nomeados em Lisboa. O objetivo deste trabalho é compreender o significado da opção dos “filhos do país” pelo republicanismo e verificar o grau de identidade entre o seu projeto e o dos republicanos portugueses. Ambos definiam-se como seguidores dos ideais da igualdade, liberdade e fraternidade e batiam-se pelo progresso da pátria e a educação do povo. A República, para eles, era o regime que proporcionaria a concretização dessas utopias. As divergências surgiam quando os “filhos do país” adicionavam a estas aspirações a da independência de Angola, de maneira frontal ou matizada. Os republicanos portugueses, pelo contrário, defendiam a colonização daquele território e os direitos históricos de Portugal em África. Na tentativa de compreender as diferenças existentes entre os dois “tipos” de republicanismo, procuramos problematizá-las relacionando-as com os conceitos de nação e nacionalismo, território e independência nacional. Outro elemento articulado neste estudo foi o projeto colonial europeu deste final de século XIX e, no seu interior, as especificidades do projeto português. A nossa fonte privilegiada foi a imprensa republicana existente em Luanda entre 1880 e 1910, ano em que os republicanos tomam o poder em Portugal. Ao interrogar estes jornais encontramos um interlocutor bastante eloquente e fidedigno, capaz, se não de nos dar todas as repostas, de nos apresentar novas e mais eficazes perguntas.
Autores principais:Ribeiro, Maria Cristina Portella
Assunto:Republicanismo - Portugal - séc.19-20 Republicanismo - Angola - séc.19-20 Imprensa - Angola - séc.19-20 Angola - Autonomia e movimentos independentistas - séc.19-20 Portugal - Colónias - África - História - séc.19-20 Teses de mestrado - 2012
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A partir de 1880, quando se acirra a disputa entre potências europeias pelo domínio territorial em África, vários jornais republicanos circularam em Luanda a defender o fim da monarquia e a implantação da República em Portugal. A maioria desses jornais era dirigida por mestiços e negros, chamados “filhos do país”. Esses jornalistas, membros da elite cultural e económica dos espaços de presença portuguesa naquela região, reivindicavam o desenvolvimento de Angola e criticavam a inoperância e corrupção dos governadores-gerais nomeados em Lisboa. O objetivo deste trabalho é compreender o significado da opção dos “filhos do país” pelo republicanismo e verificar o grau de identidade entre o seu projeto e o dos republicanos portugueses. Ambos definiam-se como seguidores dos ideais da igualdade, liberdade e fraternidade e batiam-se pelo progresso da pátria e a educação do povo. A República, para eles, era o regime que proporcionaria a concretização dessas utopias. As divergências surgiam quando os “filhos do país” adicionavam a estas aspirações a da independência de Angola, de maneira frontal ou matizada. Os republicanos portugueses, pelo contrário, defendiam a colonização daquele território e os direitos históricos de Portugal em África. Na tentativa de compreender as diferenças existentes entre os dois “tipos” de republicanismo, procuramos problematizá-las relacionando-as com os conceitos de nação e nacionalismo, território e independência nacional. Outro elemento articulado neste estudo foi o projeto colonial europeu deste final de século XIX e, no seu interior, as especificidades do projeto português. A nossa fonte privilegiada foi a imprensa republicana existente em Luanda entre 1880 e 1910, ano em que os republicanos tomam o poder em Portugal. Ao interrogar estes jornais encontramos um interlocutor bastante eloquente e fidedigno, capaz, se não de nos dar todas as repostas, de nos apresentar novas e mais eficazes perguntas.