Publicação
"Escolheu apoiar-me" : adaptação familiar ao coming out na comunidade trans
| Resumo: | A investigação sobre o desenvolvimento, stressores, necessidades e forças da população trans é recente. Um processo que tem sido estudado nesta população é o coming out, i.e., reconhecimento, aceitação ou comunicação da identidade de género, por não se alinhar com o género atribuído à nascença com base no sexo biológico. Contudo, este processo tem sido conceptualizado maioritariamente a nível individual, existindo lacunas na exploração do seu papel no desenvolvimento familiar, nomeadamente numa visão sistémica salutogénica, atenta aos seus diferentes membros e à influência percebida de diferentes contextos ecológicos. O objetivo deste estudo foi compreender como pessoas trans percebem a adaptação de diferentes gerações da sua família ao seu coming out, em Portugal. Para tal, realizaram-se entrevistas semiestruturadas e aplicou-se a linha da vida (Frost et al., 2020) a 14 participantes homens trans e pessoas não binárias. Os resultados revelaram que o processo de coming out na comunidade trans é moldado por fatores de risco e proteção associados a stress minoritário trans individual e familiar. O coming out na comunidade trans envolveu três marcos – começo de inconformidade de género, revelação familiar de identidade de género e consolidação da identidade e expressão de género – que incitaram um processo de adaptação individual e familiar, sendo que o último pode envolver três tipos de estratégias de coping familiares, diferenças intergeracionais, dois tipos de aceitação familiar e processos que a caracterizam como “boa”. As pessoas participantes sentiram que, apesar da maior prevalência de fatores de risco, ao longo do coming out, as suas famílias apresentaram mais estratégias de coping e comportamentos de aceitação. As pessoas participantes também percecionaram que mais transformações positivas (vs. negativas) emergiram do processo. Estes resultados foram enquadrados como possíveis indicadores de resiliência familiar e foram sugeridas pistas terapêuticas e de investigação para alargar a inclusão da família na intervenção psicológica trans. |
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| Autores principais: | Guedes, Rita Sofia Franganito |
| Assunto: | Identidade de género Comunidade trans Transgénero Aceitação Psicologia clínica Estratégias de coping Apoio familiar Dissertações de mestrado - 2023 |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A investigação sobre o desenvolvimento, stressores, necessidades e forças da população trans é recente. Um processo que tem sido estudado nesta população é o coming out, i.e., reconhecimento, aceitação ou comunicação da identidade de género, por não se alinhar com o género atribuído à nascença com base no sexo biológico. Contudo, este processo tem sido conceptualizado maioritariamente a nível individual, existindo lacunas na exploração do seu papel no desenvolvimento familiar, nomeadamente numa visão sistémica salutogénica, atenta aos seus diferentes membros e à influência percebida de diferentes contextos ecológicos. O objetivo deste estudo foi compreender como pessoas trans percebem a adaptação de diferentes gerações da sua família ao seu coming out, em Portugal. Para tal, realizaram-se entrevistas semiestruturadas e aplicou-se a linha da vida (Frost et al., 2020) a 14 participantes homens trans e pessoas não binárias. Os resultados revelaram que o processo de coming out na comunidade trans é moldado por fatores de risco e proteção associados a stress minoritário trans individual e familiar. O coming out na comunidade trans envolveu três marcos – começo de inconformidade de género, revelação familiar de identidade de género e consolidação da identidade e expressão de género – que incitaram um processo de adaptação individual e familiar, sendo que o último pode envolver três tipos de estratégias de coping familiares, diferenças intergeracionais, dois tipos de aceitação familiar e processos que a caracterizam como “boa”. As pessoas participantes sentiram que, apesar da maior prevalência de fatores de risco, ao longo do coming out, as suas famílias apresentaram mais estratégias de coping e comportamentos de aceitação. As pessoas participantes também percecionaram que mais transformações positivas (vs. negativas) emergiram do processo. Estes resultados foram enquadrados como possíveis indicadores de resiliência familiar e foram sugeridas pistas terapêuticas e de investigação para alargar a inclusão da família na intervenção psicológica trans. |
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