Publicação
Moçambique e o comércio internacional das oleaginosas: 1855 c.-1890 c.
| Resumo: | Esta dissertação estuda o surgimento e o desenvolvimento do comércio legítimo internacional das sementes oleosas de gergelim (sésamo) e amendoim, na segunda metade do século XIX, na costa do atual Estado moderno de Moçambique. A passagem/transição (ou ruptura?) do tráfico negreiro ao comércio de mercadorias ―lícitas‖, questão hoje particularmente conhecida no que respeita à África atlântica, impactou tanto nas sociedades africanas, como nos espaços europeus e americanos. Nos séculos XIX e XX, esta mudança se revelou como um dos pilares centrais da economia mundial. O objectivo deste trabalho é, de uma forma geral, recorrendo a fontes de natureza estatística e relatos de viagem e da burocracia oitocentistas, estudar a gêneis do comércio lícito em Moçambique. Numa perspectiva mais problematizante, esta tese procura estabelecer a relação entre a importância capitalista deste comércio que permite alimentar as indústrias emergentes europeias, e a adesão/participação das populações quer africanas, quer indianas instaladas na região, bem como o impacto deste novo fenómeno comercial nas transformações económicas, sociais e políticas que vão marcar a construção de Moçambique. A abolição do tráfico negreiro e da escravatura era uma ―realidade‖ teórica, pois o comércio clandestino ―ilegal, ilegítimo, ilícito― de escravos continuava, apesar de uma legislação internacional e nacional contrária, conduzindo a uma definição, por oposição, do comércio de produtos ―legais‖, como foi o caso, entre muitas outras produções africanas, das sementes oleaginosas, passando a ser designado por comércio legítimo, lícito, legal. A exportação destas oleaginosas inseriu-se num sistema mais alargado de circulação de produtos e de rotas comerciais ―fenómeno secular ― através da costa índica do continente africano. Esta atividade, na região estudada, tomou impulso justamente com a produção e a exportação do gergelim e do amendoim a partir da década de 1860, com a aparição e fixação organizada de portugueses e de outros europeus que aí procuravam matérias-primas necessárias ao desenvolvimento das suas economias. |
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| Autores principais: | Zonta, Diego |
| Assunto: | Oleaginosas - Comércio - séc.19 Comércio internacional - séc.19 Moçambique - História - séc.19 Teses de mestrado - 2012 |
| Ano: | 2011 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Esta dissertação estuda o surgimento e o desenvolvimento do comércio legítimo internacional das sementes oleosas de gergelim (sésamo) e amendoim, na segunda metade do século XIX, na costa do atual Estado moderno de Moçambique. A passagem/transição (ou ruptura?) do tráfico negreiro ao comércio de mercadorias ―lícitas‖, questão hoje particularmente conhecida no que respeita à África atlântica, impactou tanto nas sociedades africanas, como nos espaços europeus e americanos. Nos séculos XIX e XX, esta mudança se revelou como um dos pilares centrais da economia mundial. O objectivo deste trabalho é, de uma forma geral, recorrendo a fontes de natureza estatística e relatos de viagem e da burocracia oitocentistas, estudar a gêneis do comércio lícito em Moçambique. Numa perspectiva mais problematizante, esta tese procura estabelecer a relação entre a importância capitalista deste comércio que permite alimentar as indústrias emergentes europeias, e a adesão/participação das populações quer africanas, quer indianas instaladas na região, bem como o impacto deste novo fenómeno comercial nas transformações económicas, sociais e políticas que vão marcar a construção de Moçambique. A abolição do tráfico negreiro e da escravatura era uma ―realidade‖ teórica, pois o comércio clandestino ―ilegal, ilegítimo, ilícito― de escravos continuava, apesar de uma legislação internacional e nacional contrária, conduzindo a uma definição, por oposição, do comércio de produtos ―legais‖, como foi o caso, entre muitas outras produções africanas, das sementes oleaginosas, passando a ser designado por comércio legítimo, lícito, legal. A exportação destas oleaginosas inseriu-se num sistema mais alargado de circulação de produtos e de rotas comerciais ―fenómeno secular ― através da costa índica do continente africano. Esta atividade, na região estudada, tomou impulso justamente com a produção e a exportação do gergelim e do amendoim a partir da década de 1860, com a aparição e fixação organizada de portugueses e de outros europeus que aí procuravam matérias-primas necessárias ao desenvolvimento das suas economias. |
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