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Utilização de alimentos alternativos na dieta do coelho : gordura de insetos vs gordura de linho

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Atualmente, a nível mundial, configura-se a perspetiva de um aumento de consumo de insetos tanto pelos humanos como pelos animais, pelo que se considera importante a realização de diferentes estudos, nomeadamente da sua utilização nas dietas animais. Com o objetivo de comparar o efeito do uso de duas gorduras suplementadas na dieta de coelhos, nomeadamente de origem animal e vegetal (óleo de Hermetia illucens, e de linho, respetivamente), foram formulados 4 regimes alimentares com teor baixo (5%) e com teor alto (8%) de gordura, para cada fonte de gordura adicionada, e distribuídos a 48 coelhos (12 x 4) com 35 dias (recém desmamados) alojados em gaiolas de digestibilidade. Os animais tiveram acesso ad libitum a alimento e água durante as 5 semanas do perído experimental, sendo abatidos aos 70 dias de idade. Foram avaliados os resultados zootécnicos, sem diferenças significativas (P>0,05) e recolhidas e analisadas as fezes na 4ª semana do ensaio, para se avaliar a digestibilidade aparente das dietas. Os pesos iniciais (1047g) foram uniformes e os finais (2405g) foram semelhantes em todos os grupos. Verificou-se que há um efeito muito significativo na natureza da gordura (P<0,0001), na digestibilidade da matéria seca e na da matéria orgânica. Os regimes com óleo de insetos têm uma digestibilidade da MS e da MO cerca de 95% da digestibilidade das mesmas frações dos regimes com óleo de linho. Também a digestibilidade das frações EE e EB foi significativamente mais baixa (P<0,05) nos regimes com óleo de inseto. Os regimes com teores de gordura mais altos aumentaram a digestibilidade (P<0,0001) do extracto etéreo, mas diminuíram (P<0,003) a digestibilidade da celulose. Foram analisadas as carcaças, e não houveram diferenças significativas (P>0,05) nos pesos do aparelho digestivo, fígado, gorduras peri-renal e inter-escapular, apenas um efeito no peso do estômago vazio (P=0,006), maior nos regimes com óleo de insetos, provavelmente devido a uma maior retenção de alimento durante o período experimental. Entre os resultados colorimétricos obtidos, não parecem haver diferenças significativas, excepto uma tonalidade mais vermelha na carne dos animais dos regimes com óleo de insetos (P=0,047). De acordo com estes resultados a gordura de insetos pode ser utilizada na alimentação do coelho, apenas com alguma perda na digestibilidade da matéria seca e orgânica, mas não afetando o crescimento nem o rendimento da carcaça.
Autores principais:Cardoso, Cristóvão dos Santos
Assunto:coelho gordura óleo insetos linho rabbit fat oil insects flax
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Atualmente, a nível mundial, configura-se a perspetiva de um aumento de consumo de insetos tanto pelos humanos como pelos animais, pelo que se considera importante a realização de diferentes estudos, nomeadamente da sua utilização nas dietas animais. Com o objetivo de comparar o efeito do uso de duas gorduras suplementadas na dieta de coelhos, nomeadamente de origem animal e vegetal (óleo de Hermetia illucens, e de linho, respetivamente), foram formulados 4 regimes alimentares com teor baixo (5%) e com teor alto (8%) de gordura, para cada fonte de gordura adicionada, e distribuídos a 48 coelhos (12 x 4) com 35 dias (recém desmamados) alojados em gaiolas de digestibilidade. Os animais tiveram acesso ad libitum a alimento e água durante as 5 semanas do perído experimental, sendo abatidos aos 70 dias de idade. Foram avaliados os resultados zootécnicos, sem diferenças significativas (P>0,05) e recolhidas e analisadas as fezes na 4ª semana do ensaio, para se avaliar a digestibilidade aparente das dietas. Os pesos iniciais (1047g) foram uniformes e os finais (2405g) foram semelhantes em todos os grupos. Verificou-se que há um efeito muito significativo na natureza da gordura (P<0,0001), na digestibilidade da matéria seca e na da matéria orgânica. Os regimes com óleo de insetos têm uma digestibilidade da MS e da MO cerca de 95% da digestibilidade das mesmas frações dos regimes com óleo de linho. Também a digestibilidade das frações EE e EB foi significativamente mais baixa (P<0,05) nos regimes com óleo de inseto. Os regimes com teores de gordura mais altos aumentaram a digestibilidade (P<0,0001) do extracto etéreo, mas diminuíram (P<0,003) a digestibilidade da celulose. Foram analisadas as carcaças, e não houveram diferenças significativas (P>0,05) nos pesos do aparelho digestivo, fígado, gorduras peri-renal e inter-escapular, apenas um efeito no peso do estômago vazio (P=0,006), maior nos regimes com óleo de insetos, provavelmente devido a uma maior retenção de alimento durante o período experimental. Entre os resultados colorimétricos obtidos, não parecem haver diferenças significativas, excepto uma tonalidade mais vermelha na carne dos animais dos regimes com óleo de insetos (P=0,047). De acordo com estes resultados a gordura de insetos pode ser utilizada na alimentação do coelho, apenas com alguma perda na digestibilidade da matéria seca e orgânica, mas não afetando o crescimento nem o rendimento da carcaça.