Publicação
Influência espacial da invasora Acacia longifolia (Andrews) Willd. num ecossistema dunar português
| Resumo: | A invasão pela leguminosa Acacia longifolia de sistemas dunares portugueses tem sérios impactes no ecossistema, pois promove a redução da diversidade biológica e a alteração da estrutura do sistema. A elevada taxa de crescimento, a capacidade de fixar azoto atmosférico e a alta eficiência na utilização de recursos permite o sucesso invasor desta espécie em sistemas pobres em nutrientes, embora a sensibilidade de A. longifolia à seca possa limitar a sua propagação em ambientes mais secos. Contudo, ainda não é claro em que medida o fornecimento e a disponibilização do azoto adicional por parte desta espécie influencia directamente o conteúdo de azoto nas espécies nativas, e consequentemente a funcionalidade do ecossistema. Foi realizado um estudo num ecossistema dunar estabilizado, localizado no sul de Portugal (Pinheiro da Cruz), cujo objectivo foi avaliar o impacte do acréscimo da disponibilidade de azoto nos sistemas dunares, medindo o potencial de disponibilização de azoto por parte da espécie invasora através da análise da sua distribuição na duna, densidade e cobertura vegetativa, estrutura da comunidade, e, ainda, a distribuição espacial do azoto no sistema dunar proveniente da espécie invasora (composição isotópica do azoto foliar, δ15N). Os resultados demonstraram que o δ15N nas folhas de Corema album pode constituir um indicador do fornecimento de N pela invasora, o qual teve ainda um efeito significativo no conteúdo de azoto na espécie nativa C. album. A disponibilização de N no ecossistema foi significativamente limitada no espaço, aumentando com a percentagem de cobertura de A. longifolia e diminuindo exponencialmente com o aumento da distância à espécie invasora. A qualidade da folhada e a área de intercepção da copa de A. longifolia influenciam a variaç~o do δ15N na espécie nativa. A combinação da capacidade de fixar azoto, com uma elevada produção de biomassa e de uma camada espessa de folhada têm um impacte muito significativo na estrutura da comunidade vegetal. Do ponto de vista de análise espacial, a utilizaç~o do par}metro δ15N pode ser uma ferramenta importante na análise do impacte das espécies invasoras quando ainda são pouco visíveis os efeitos na biodiversidade e outros parâmetros ao nível do ecossistema. É de realçar que os efeitos estudados foram considerados espacialmente ao nível da área de estudo, muito embora este tipo de análise possa ter importantes implicações para a gestão e restauro do sistema em questão a escalas muito maiores, particularmente, quando na posse de dados complementares da topografia do solo e climáticos. |
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| Autores principais: | Marques, Dora Nazaré, 1984- |
| Assunto: | Biodiversidade Dunas Azoto Acácia Espécies exóticas Pinheiro da Cruz - Portugal Teses de mestrado - 2010 |
| Ano: | 2010 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A invasão pela leguminosa Acacia longifolia de sistemas dunares portugueses tem sérios impactes no ecossistema, pois promove a redução da diversidade biológica e a alteração da estrutura do sistema. A elevada taxa de crescimento, a capacidade de fixar azoto atmosférico e a alta eficiência na utilização de recursos permite o sucesso invasor desta espécie em sistemas pobres em nutrientes, embora a sensibilidade de A. longifolia à seca possa limitar a sua propagação em ambientes mais secos. Contudo, ainda não é claro em que medida o fornecimento e a disponibilização do azoto adicional por parte desta espécie influencia directamente o conteúdo de azoto nas espécies nativas, e consequentemente a funcionalidade do ecossistema. Foi realizado um estudo num ecossistema dunar estabilizado, localizado no sul de Portugal (Pinheiro da Cruz), cujo objectivo foi avaliar o impacte do acréscimo da disponibilidade de azoto nos sistemas dunares, medindo o potencial de disponibilização de azoto por parte da espécie invasora através da análise da sua distribuição na duna, densidade e cobertura vegetativa, estrutura da comunidade, e, ainda, a distribuição espacial do azoto no sistema dunar proveniente da espécie invasora (composição isotópica do azoto foliar, δ15N). Os resultados demonstraram que o δ15N nas folhas de Corema album pode constituir um indicador do fornecimento de N pela invasora, o qual teve ainda um efeito significativo no conteúdo de azoto na espécie nativa C. album. A disponibilização de N no ecossistema foi significativamente limitada no espaço, aumentando com a percentagem de cobertura de A. longifolia e diminuindo exponencialmente com o aumento da distância à espécie invasora. A qualidade da folhada e a área de intercepção da copa de A. longifolia influenciam a variaç~o do δ15N na espécie nativa. A combinação da capacidade de fixar azoto, com uma elevada produção de biomassa e de uma camada espessa de folhada têm um impacte muito significativo na estrutura da comunidade vegetal. Do ponto de vista de análise espacial, a utilizaç~o do par}metro δ15N pode ser uma ferramenta importante na análise do impacte das espécies invasoras quando ainda são pouco visíveis os efeitos na biodiversidade e outros parâmetros ao nível do ecossistema. É de realçar que os efeitos estudados foram considerados espacialmente ao nível da área de estudo, muito embora este tipo de análise possa ter importantes implicações para a gestão e restauro do sistema em questão a escalas muito maiores, particularmente, quando na posse de dados complementares da topografia do solo e climáticos. |
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