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Prevenção e tratamento da Monkeypox

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Resumo:A Monkeypox (Mpox), ou varíola dos macacos, é uma doença zoonótica, endémica da África central e ocidental. O primeiro caso de infeção em humanos foi detetado na década de 70, seguindo-se de múltiplos casos ao longo das décadas seguintes, principalmente na zona de floresta tropical africana endémica e ocasionalmente fora desta, por importação. Em maio de 2022, um elevado número de casos foi registado em diversos países ao redor do globo, acabando por se disseminar, constituindo o maior surto global de Mpox até à data. Este vírus pertence à mesma família do vírus da varíola, apresentando sintomatologia semelhante, provocando um exantema que se estende por todo o corpo, acompanhado de febre e linfadenopatia. A evidência científica atual aponta para que, contrariamente ao nome, não sejam os primatas o reservatório natural da doença, mas sim os roedores. A transmissão do vírus para humanos pode ser feita via animal-humano ou humano-humano, quer por contacto próximo, fluídos corporais ou objetos contaminados. O surto atual que perdura desde 2022 afetou principalmente as regiões das Américas e Europeia. O grupo de maior risco de exposição são homens que têm sexo com homens, constituindo a maioria dos casos reportados, sendo por isso importante o foco no combate à destigmatização e desinformação, permitindo uma resposta mais eficaz. As estratégias de prevenção delineadas para um surto como este devem ter como meta a interrupção da transmissão humano-humano, a minimização da transmissão zoonótica e a proteção dos grupos de risco. Para isso, devem ser implementadas estratégias assentes na cooperação internacional, vigilância epidemiológica, testagem e diagnóstico, medidas preventivas pessoais e vacinação. Existem 3 principais vacinas para a prevenção de Mpox usadas ao redor do mundo, sendo apenas uma delas autorizada pela Agência Europeia do Medicamento (EMA). A terapêutica baseia-se no controlo da sintomatologia associada a tratamento antiviral, quando necessário. Atualmente o tecovirimat é o único medicamento aprovado pela EMA para tratamento de Mpox. Contudo, as vacinas e medicamentos utilizados no combate à doença não são específicos, pelo que são necessários estudos que permitam caracterizar mais extensivamente o vírus e a eficácia e segurança das estratégias empregues na prevenção e tratamento, bem como o desenvolvimento de estratégias com maior especificidade.
Autores principais:Coelho, Alberto Alexandre Sousa
Assunto:Monkeypox Surto Prevenção Vacinação Tratamento Mestrado Integrado - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Monkeypox (Mpox), ou varíola dos macacos, é uma doença zoonótica, endémica da África central e ocidental. O primeiro caso de infeção em humanos foi detetado na década de 70, seguindo-se de múltiplos casos ao longo das décadas seguintes, principalmente na zona de floresta tropical africana endémica e ocasionalmente fora desta, por importação. Em maio de 2022, um elevado número de casos foi registado em diversos países ao redor do globo, acabando por se disseminar, constituindo o maior surto global de Mpox até à data. Este vírus pertence à mesma família do vírus da varíola, apresentando sintomatologia semelhante, provocando um exantema que se estende por todo o corpo, acompanhado de febre e linfadenopatia. A evidência científica atual aponta para que, contrariamente ao nome, não sejam os primatas o reservatório natural da doença, mas sim os roedores. A transmissão do vírus para humanos pode ser feita via animal-humano ou humano-humano, quer por contacto próximo, fluídos corporais ou objetos contaminados. O surto atual que perdura desde 2022 afetou principalmente as regiões das Américas e Europeia. O grupo de maior risco de exposição são homens que têm sexo com homens, constituindo a maioria dos casos reportados, sendo por isso importante o foco no combate à destigmatização e desinformação, permitindo uma resposta mais eficaz. As estratégias de prevenção delineadas para um surto como este devem ter como meta a interrupção da transmissão humano-humano, a minimização da transmissão zoonótica e a proteção dos grupos de risco. Para isso, devem ser implementadas estratégias assentes na cooperação internacional, vigilância epidemiológica, testagem e diagnóstico, medidas preventivas pessoais e vacinação. Existem 3 principais vacinas para a prevenção de Mpox usadas ao redor do mundo, sendo apenas uma delas autorizada pela Agência Europeia do Medicamento (EMA). A terapêutica baseia-se no controlo da sintomatologia associada a tratamento antiviral, quando necessário. Atualmente o tecovirimat é o único medicamento aprovado pela EMA para tratamento de Mpox. Contudo, as vacinas e medicamentos utilizados no combate à doença não são específicos, pelo que são necessários estudos que permitam caracterizar mais extensivamente o vírus e a eficácia e segurança das estratégias empregues na prevenção e tratamento, bem como o desenvolvimento de estratégias com maior especificidade.