Publicação
Contributos para a formação de professores no âmbito da prevenção da indisciplina em sala de aula
| Resumo: | Procurando contribuir para a superação de algumas lacunas detectadas a nível da pesquisa em Ciências da Educação, sobre estratégias para prevenir a indisciplina em sala de aula, foram desenhados dois programas de intervenção inspirados em modelos teóricos diferenciados: o primeiro, no da "classroom management"; o segundo em modelos de carácter psicológico, em especial o modelo sócio-cultural vygotskyano e o modelo da autodeterminação formulado por Decy e Ryan no âmbito das teorias sobre motivação intrínseca. A primeira intervenção, que comporta um conjunto de estudos, que envolveram 6 professores e 21 alunos pertencentes a turmas do sexto, sétimo e oitavo anos de escolaridade, combinou uma metodologia de estiado de caso. própria de uma estratégia de investigação qualitativa, com uma perspectiva mais positivista e experimentalista através da utilização de um planeamento experimental de caso único A-B-A mitigado. Os dados apurados mostraram que houve em termos gerais, da parte dos professores, um acolhimento das novas concepções procedentes do modelo empirico-teórico, que suportou as intervenções formativas, sem que, todavia, esse acolhimento fosse feito à custa da substituição das concepções mais enraizadas dos professores. A análise aos dados de natureza quantitativa e qualitativa permitiu concluir, por um lado, que o modelo adoptado nestas práticas formativo/supervisivas contribuiu para o desenvolvimento, nos professores, de competências de prevenção da indisciplina na aula, e, por outro, que os seus efeitos não se projectaram, em termos de melhorias no comportamento dos alunos, para além do contexto das disciplinas onde decorreu a intervenção. A segunda intervenção, que pretendia promover mudanças transtemporais e transsituacionais no comportamento de indisciplina dos alunos, envolveu 5 professoras leccionartdo a disciplina de Língua Portuguesa e 3 amostras de alunos. Para a amostra 1 (composta por 29 alunos) foi utilizado um planeamento quasi-experimental pré-teste-pósteste com grupo de controle e para as amostras 2 (com 11 alunos) e 3 (com 10 alunos) um planeamento híbrido com características quer de plano quasi-experimental pré-teste-pósteste com grupo de controle, quer de plano experimental de caso único de tipo A-B-A. Relativamente à disciplina onde decorreu a intervenção, os resultados obtidos, de natureza quantitativa (baseados nas observações em sala de aula) e qualitativa (baseados nas opiniões de professoras e de alunos), mostraram, para as três amostras, uma redução significativa do comportamento de indisciplina dos alunos, redução essa que atravessou todas as categorias comportamentais, ao contrário da investigação por nós conduzida à luz do quadro teórico-empírico da "classroom management". Quanto à avaliação do impacto externo e da estabilidade temporal dos efeitos da intervenção no comportamento dos alunos, só em relação à amostra 1 houve evidência estatística das suas potencialidades. No que diz receito à avaliação dos efeitos da intervenção no discursos dos alunos, ao nível da orientação motivacional do seu comportamento, só em relação à amostra 1, em especial aos alunos mais velhos, houve indícios em termos estatísticos, de um incremento da orientação interna e de uma diminuição da orientação externa. Finalmente, em relação ao impacto da intervenção nas professoras, os elementos carreados por uma análise de carácter exploratório, mostraram que o programa deformação teve efeito positivos, para todas as participantes, ao nível da generalidade das competências que por via dele se pretendeu desenvolver. |
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| Autores principais: | Espírito Santo, José António Reis do, 1954- |
| Assunto: | Indisciplina Salas de aula Prevenção Professores - Formação Teses de doutoramento - 2003 |
| Ano: | 2002 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Procurando contribuir para a superação de algumas lacunas detectadas a nível da pesquisa em Ciências da Educação, sobre estratégias para prevenir a indisciplina em sala de aula, foram desenhados dois programas de intervenção inspirados em modelos teóricos diferenciados: o primeiro, no da "classroom management"; o segundo em modelos de carácter psicológico, em especial o modelo sócio-cultural vygotskyano e o modelo da autodeterminação formulado por Decy e Ryan no âmbito das teorias sobre motivação intrínseca. A primeira intervenção, que comporta um conjunto de estudos, que envolveram 6 professores e 21 alunos pertencentes a turmas do sexto, sétimo e oitavo anos de escolaridade, combinou uma metodologia de estiado de caso. própria de uma estratégia de investigação qualitativa, com uma perspectiva mais positivista e experimentalista através da utilização de um planeamento experimental de caso único A-B-A mitigado. Os dados apurados mostraram que houve em termos gerais, da parte dos professores, um acolhimento das novas concepções procedentes do modelo empirico-teórico, que suportou as intervenções formativas, sem que, todavia, esse acolhimento fosse feito à custa da substituição das concepções mais enraizadas dos professores. A análise aos dados de natureza quantitativa e qualitativa permitiu concluir, por um lado, que o modelo adoptado nestas práticas formativo/supervisivas contribuiu para o desenvolvimento, nos professores, de competências de prevenção da indisciplina na aula, e, por outro, que os seus efeitos não se projectaram, em termos de melhorias no comportamento dos alunos, para além do contexto das disciplinas onde decorreu a intervenção. A segunda intervenção, que pretendia promover mudanças transtemporais e transsituacionais no comportamento de indisciplina dos alunos, envolveu 5 professoras leccionartdo a disciplina de Língua Portuguesa e 3 amostras de alunos. Para a amostra 1 (composta por 29 alunos) foi utilizado um planeamento quasi-experimental pré-teste-pósteste com grupo de controle e para as amostras 2 (com 11 alunos) e 3 (com 10 alunos) um planeamento híbrido com características quer de plano quasi-experimental pré-teste-pósteste com grupo de controle, quer de plano experimental de caso único de tipo A-B-A. Relativamente à disciplina onde decorreu a intervenção, os resultados obtidos, de natureza quantitativa (baseados nas observações em sala de aula) e qualitativa (baseados nas opiniões de professoras e de alunos), mostraram, para as três amostras, uma redução significativa do comportamento de indisciplina dos alunos, redução essa que atravessou todas as categorias comportamentais, ao contrário da investigação por nós conduzida à luz do quadro teórico-empírico da "classroom management". Quanto à avaliação do impacto externo e da estabilidade temporal dos efeitos da intervenção no comportamento dos alunos, só em relação à amostra 1 houve evidência estatística das suas potencialidades. No que diz receito à avaliação dos efeitos da intervenção no discursos dos alunos, ao nível da orientação motivacional do seu comportamento, só em relação à amostra 1, em especial aos alunos mais velhos, houve indícios em termos estatísticos, de um incremento da orientação interna e de uma diminuição da orientação externa. Finalmente, em relação ao impacto da intervenção nas professoras, os elementos carreados por uma análise de carácter exploratório, mostraram que o programa deformação teve efeito positivos, para todas as participantes, ao nível da generalidade das competências que por via dele se pretendeu desenvolver. |
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