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A formação inicial de professores do Ensino Básico da Guiné-Bissau : um estudo sobre os modelos de formação e o seu contributo no desempenho profissional

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Resumo:Na maior parte dos países africanos, nomeadamente nos de expressão portuguesa (PALOP's), deparamo-nos com uma elevada taxa de analfabetismo, tomando-se assim o ensino Básico uma prioridade absoluta. De entre outras limitações dos sistemas educativos, a que requer maior preocupação é a preparação dos professores quer ao nível científico, quer pedagógico, bem como a insuficiência destes profissionais na resposta às necessidades da cobertura escolar que se deseja para este continente. O presente estudo exploratório inscreve-se nessa problemática da formação, num país de Língua Oficial Portuguesa, a Guiné-Bissau, que acompanha as mesmas limitações do restante continente africano. Conhecer os modelos de formação inicial de professores deste país, a sua contribuição para o desempenho profissional e de que forma essa formação ainda se revê na prática de sala de aula, constituíram os objectivos que presidiram à elaboração deste estudo. Nesse sentido, realizaram-se dez entrevistas a professores do 1º Ciclo do Ensino Básico Elementar, em exercício em várias escolas de Bissau, cuja formação inicial foi adquirida nas diferentes instituições, no período entre 1966 e 1998, que abrange duas épocas que marcaram a sociedade guineense — o antes e o após independência. A análise de conteúdo das entrevistas constitui a técnica utilizada, no sentido de nos apropriarmos das representações que esses professores tinham face à sua formação inicial e perceber os seus contributos para o seu actual desempenho. Dos resultados obtidos foi possível saber que existiram quatro modelos de formação inicial de professores ao longo do período referido, em quatro escolas inseridas em contextos geo-políticos distintos e por isso orientadas por princípios políticos e ideológicos também eles diferenciados. Apesar destes professores se terem confrontado com uma constante instabilidade sócio-política, têm conseguido desenvolver o seu saber profissional, reformulando as suas práticas a partir de diferentes estratégias e aproveitando algumas oportunidades de formação que lhes têm sido disponibilizadas, quer no país, quer no estrangeiro. As suas expectativas em relação a uma reestruturação do ensino e da formação existem, mas também estão conscientes que o poder político terá que modificar a sua forma de olhar para a educação e fazer nela investimentos que dignifiquem e revitalizem esta componente social tão importante para o desenvolvimento de país.
Autores principais:Gonçalves, Maria Isabel dos Santos Gomes Maduro, 1947-
Assunto:Formação inicial de professores - Guiné-Bissau Ensino básico Modelos de formação Desempenho profissional Teses de mestrado - 2002
Ano:2002
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Na maior parte dos países africanos, nomeadamente nos de expressão portuguesa (PALOP's), deparamo-nos com uma elevada taxa de analfabetismo, tomando-se assim o ensino Básico uma prioridade absoluta. De entre outras limitações dos sistemas educativos, a que requer maior preocupação é a preparação dos professores quer ao nível científico, quer pedagógico, bem como a insuficiência destes profissionais na resposta às necessidades da cobertura escolar que se deseja para este continente. O presente estudo exploratório inscreve-se nessa problemática da formação, num país de Língua Oficial Portuguesa, a Guiné-Bissau, que acompanha as mesmas limitações do restante continente africano. Conhecer os modelos de formação inicial de professores deste país, a sua contribuição para o desempenho profissional e de que forma essa formação ainda se revê na prática de sala de aula, constituíram os objectivos que presidiram à elaboração deste estudo. Nesse sentido, realizaram-se dez entrevistas a professores do 1º Ciclo do Ensino Básico Elementar, em exercício em várias escolas de Bissau, cuja formação inicial foi adquirida nas diferentes instituições, no período entre 1966 e 1998, que abrange duas épocas que marcaram a sociedade guineense — o antes e o após independência. A análise de conteúdo das entrevistas constitui a técnica utilizada, no sentido de nos apropriarmos das representações que esses professores tinham face à sua formação inicial e perceber os seus contributos para o seu actual desempenho. Dos resultados obtidos foi possível saber que existiram quatro modelos de formação inicial de professores ao longo do período referido, em quatro escolas inseridas em contextos geo-políticos distintos e por isso orientadas por princípios políticos e ideológicos também eles diferenciados. Apesar destes professores se terem confrontado com uma constante instabilidade sócio-política, têm conseguido desenvolver o seu saber profissional, reformulando as suas práticas a partir de diferentes estratégias e aproveitando algumas oportunidades de formação que lhes têm sido disponibilizadas, quer no país, quer no estrangeiro. As suas expectativas em relação a uma reestruturação do ensino e da formação existem, mas também estão conscientes que o poder político terá que modificar a sua forma de olhar para a educação e fazer nela investimentos que dignifiquem e revitalizem esta componente social tão importante para o desenvolvimento de país.