Publicação
Melanoma metastático e novos alvos terapêuticos
| Resumo: | O melanoma metastático é uma neoplasia que se caracteriza por apresentar um mau prognóstico, dada a taxa de sobrevivência reduzida dos doentes com este tipo de tumor. Durante anos, as opções disponíveis para o tratamento do melanoma metastático encontraram-se estagnadas. Os regimes terapêuticos baseavam-se essencialmente na utilização de agentes alquilantes de quimioterapia como a dacarbazina, por vezes combinada com imunoterapia, através da utilização de interleucina-2 em doses elevadas. Ao longo dos anos têm ocorrido avanços importantes no diz respeito ao tratamento, que têm mudado definitivamente a abordagem terapêutica, resultando num arsenal diversificado de fármacos para o tratamento do melanoma. Investiu-se na investigação na área da imunoterapia, nomeadamente nos inibidores dos checkpoints imunológicos, surgindo em 2011 os primeiros anticorpos monoclonais destinados ao tratamento do melanoma metastático, sendo o ipilimumab o pioneiro dos anticorpos anti-CTLA-4. Posteriormente surgiu o nivolumab e pembrolizumab como anticorpos anti-PD-1. Desde então, a procura por novos alvos terapêuticos tem-se intensificado principalmente nas áreas de imunoterapia e terapia dirigida, sendo que o sistema imunitário e os fatores genéticos desempenham um papel fundamental na patogénese do melanoma. Surgem assim os inibidores BRAF e MEK na área das terapias dirigidas, com destaque para os fármacos vemurafenib, dabrafenib e trametinib, que apresentam benefícios significativos descritos para os doentes de melanoma irressecável ou metastático. Estão a ser estudadas também combinações dos diferentes tipos de terapêuticas em várias vertentes, tal como a combinação dos inibidores BRAF e MEK que apresenta resultados positivos em ensaios clínicos e na prática clínica. Apesar disso, fatores como o surgimento de resistências, o desenvolvimentos de efeitos adversos significativos, o microambiente tumoral e a heterogeneidade do tumor comprometem as opções terapêuticas disponíveis e justificam a necessidade de continuar a investigação nesta área, sendo um dos maiores desafios a identificação de marcadores biológicos e parâmetros tumorais, de forma a individualizar o tratamento a cada doente. |
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| Autores principais: | Sequeira, Ana Lúcia Severino |
| Assunto: | Melanoma metastático Quimioterapia Imunoterapia Terapia dirigida Mestrado Integrado - 2023 |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O melanoma metastático é uma neoplasia que se caracteriza por apresentar um mau prognóstico, dada a taxa de sobrevivência reduzida dos doentes com este tipo de tumor. Durante anos, as opções disponíveis para o tratamento do melanoma metastático encontraram-se estagnadas. Os regimes terapêuticos baseavam-se essencialmente na utilização de agentes alquilantes de quimioterapia como a dacarbazina, por vezes combinada com imunoterapia, através da utilização de interleucina-2 em doses elevadas. Ao longo dos anos têm ocorrido avanços importantes no diz respeito ao tratamento, que têm mudado definitivamente a abordagem terapêutica, resultando num arsenal diversificado de fármacos para o tratamento do melanoma. Investiu-se na investigação na área da imunoterapia, nomeadamente nos inibidores dos checkpoints imunológicos, surgindo em 2011 os primeiros anticorpos monoclonais destinados ao tratamento do melanoma metastático, sendo o ipilimumab o pioneiro dos anticorpos anti-CTLA-4. Posteriormente surgiu o nivolumab e pembrolizumab como anticorpos anti-PD-1. Desde então, a procura por novos alvos terapêuticos tem-se intensificado principalmente nas áreas de imunoterapia e terapia dirigida, sendo que o sistema imunitário e os fatores genéticos desempenham um papel fundamental na patogénese do melanoma. Surgem assim os inibidores BRAF e MEK na área das terapias dirigidas, com destaque para os fármacos vemurafenib, dabrafenib e trametinib, que apresentam benefícios significativos descritos para os doentes de melanoma irressecável ou metastático. Estão a ser estudadas também combinações dos diferentes tipos de terapêuticas em várias vertentes, tal como a combinação dos inibidores BRAF e MEK que apresenta resultados positivos em ensaios clínicos e na prática clínica. Apesar disso, fatores como o surgimento de resistências, o desenvolvimentos de efeitos adversos significativos, o microambiente tumoral e a heterogeneidade do tumor comprometem as opções terapêuticas disponíveis e justificam a necessidade de continuar a investigação nesta área, sendo um dos maiores desafios a identificação de marcadores biológicos e parâmetros tumorais, de forma a individualizar o tratamento a cada doente. |
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