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Educação feminina no século XIX em Portugal : em busca de uma consciência

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Este trabalho assumiu como objectivo principal a análise do contexto educativo feminino de Oitocentos. Procurando analisar os aspectos de natureza educativa e pedagógica, pretendeu-se compreender também os propósitos sociais e políticos especificamente adoptados como estratégia diferenciadora na formação das raparigas. A tese divide-se em quatro capítulos. No primeiro capítulo a nossa abordagem assenta na tentativa de reconstrução da realidade oitocentista e a própria representação da condição feminina, nomeadamente, a contextualização e o direito da mulher a ser mulher. No segundo capítulo são abordadas as várias «Faces de Eva», ou seja, os diferentes papéis acessíveis à mulher: mãe, dona de casa, educadora na família e progressivamente o seu enquadramento como educadora na escola. No terceiro capítulo é analisada a questão da educação diferenciada de acordo com os eixos sociais e de género, assim como a problemática da educação doméstica e o papel do Estado na educação institucionalizada. No quarto capítulo foi tratada a questão das lutas das feministas pela melhoria dos direitos da mulher, uma vez que algumas feministas e movimentos tentavam abanar as consciências oitocentistas, através da defesa dos direitos das mulheres e, sobretudo, questionando os modelos educacionais então vigentes. Algumas vozes feministas sublinhavam as suas preocupações com a necessidade de a educação feminina ser complementada pela instrução. A instrução deveria despertar nas mulheres a consciência para a reivindicação de mais direitos e assim melhorar a situação política da mulher na sociedade portuguesa. Mas as possibilidades da mulher encontrar na sociedade a hipótese de inserção no mercado do trabalho remunerado, eram amplamente discutidas pelas correntes dotadas de concepções conservadoras e pelas vozes que defendiam as tímidas visões alternativas ao modelo vigente. Pois, permitir à mulher o enquadramento laborai fora do núcleo familiar alheio aos seus atributos associados à sua natureza intrínseca, pressupunha a abertura de um novo caminho para o ciclo de vida feminina. No discurso feminista surgiam algumas concepções feminidade mais arrojadas que, gradualmente, foram reivindicando a melhoria dos direitos políticos e sociais para as mulheres.
Autores principais:Pedro, Carlota Maria Conceição Aires, 1977-
Assunto:Teses de mestrado - 2006 Educação feminina Emancipação feminina Educação - Portugal - séc.19
Ano:2006
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Este trabalho assumiu como objectivo principal a análise do contexto educativo feminino de Oitocentos. Procurando analisar os aspectos de natureza educativa e pedagógica, pretendeu-se compreender também os propósitos sociais e políticos especificamente adoptados como estratégia diferenciadora na formação das raparigas. A tese divide-se em quatro capítulos. No primeiro capítulo a nossa abordagem assenta na tentativa de reconstrução da realidade oitocentista e a própria representação da condição feminina, nomeadamente, a contextualização e o direito da mulher a ser mulher. No segundo capítulo são abordadas as várias «Faces de Eva», ou seja, os diferentes papéis acessíveis à mulher: mãe, dona de casa, educadora na família e progressivamente o seu enquadramento como educadora na escola. No terceiro capítulo é analisada a questão da educação diferenciada de acordo com os eixos sociais e de género, assim como a problemática da educação doméstica e o papel do Estado na educação institucionalizada. No quarto capítulo foi tratada a questão das lutas das feministas pela melhoria dos direitos da mulher, uma vez que algumas feministas e movimentos tentavam abanar as consciências oitocentistas, através da defesa dos direitos das mulheres e, sobretudo, questionando os modelos educacionais então vigentes. Algumas vozes feministas sublinhavam as suas preocupações com a necessidade de a educação feminina ser complementada pela instrução. A instrução deveria despertar nas mulheres a consciência para a reivindicação de mais direitos e assim melhorar a situação política da mulher na sociedade portuguesa. Mas as possibilidades da mulher encontrar na sociedade a hipótese de inserção no mercado do trabalho remunerado, eram amplamente discutidas pelas correntes dotadas de concepções conservadoras e pelas vozes que defendiam as tímidas visões alternativas ao modelo vigente. Pois, permitir à mulher o enquadramento laborai fora do núcleo familiar alheio aos seus atributos associados à sua natureza intrínseca, pressupunha a abertura de um novo caminho para o ciclo de vida feminina. No discurso feminista surgiam algumas concepções feminidade mais arrojadas que, gradualmente, foram reivindicando a melhoria dos direitos políticos e sociais para as mulheres.