Publicação
Tacto, bom senso e prudência nos manuais de pedagogia e didáctica do magistério primário : a dimensão hermenêutica do trabalho do professor (Portugal, 1870-1950)
| Resumo: | Entre Oitocentos e Novecentos, ao mesmo tempo que se instituía uma ciência da educação, a literatura de pedagogia e de didáctica apelava à legitimidade e autonomia da prática profissional docente. Nos manuais portugueses de pedagogia e de didáctica do magistério primário, por exemplo, entre 1870 e 1950 fala-se do "tacto" ou do "bom senso" do professor. Estas palavras parecem justificar-se pela natureza profissional destes livros. O ponto de vista profissional inclui a atenção ao trabalho localizado e a tentativa de expressão das regras que não se consegue transmitir porque estão relacionadas com a própria situação de trabalho. Nestas circunstâncias, quase invariavelmente, os manuais de pedagogia e de didáctica falam no "tacto" ou no "bom senso" necessários ao professor. Nesta dissertação, interpreto o recurso a estes termos à luz da hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer. Segundo esta perspectiva, observar que se falava de "tacto" ou "bom senso" pedagógicos é verificar a presença do conhecimento hermenêutico no domínio da história da profissão docente. Por outras palavras, o uso de termos como "tacto" do professor significou o reconhecimento da legitimidade e autonomia da forma de conhecimento que guia a prática - o conhecimento hermenêutico, para além ou aquém do método científico. Mais precisamente, ao usar termos como "tacto", "bom senso" ou "prudência" do professor, os manuais portugueses de pedagogia e de didáctica publicados entre 1870 e 1950 estariam a afirmar que só cada professor podia compreender e fazer o apropriado à situação de trabalho em que, de cada vez, se encontrava. |
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| Autores principais: | Girão, Laura Maria Batista da Mota, 1965- |
| Assunto: | Teses de mestrado - 2005 Pedagogia Magistério Primário Professores (Ensino primário) Manuais de ensino - Portugal - História e crítica |
| Ano: | 2005 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Entre Oitocentos e Novecentos, ao mesmo tempo que se instituía uma ciência da educação, a literatura de pedagogia e de didáctica apelava à legitimidade e autonomia da prática profissional docente. Nos manuais portugueses de pedagogia e de didáctica do magistério primário, por exemplo, entre 1870 e 1950 fala-se do "tacto" ou do "bom senso" do professor. Estas palavras parecem justificar-se pela natureza profissional destes livros. O ponto de vista profissional inclui a atenção ao trabalho localizado e a tentativa de expressão das regras que não se consegue transmitir porque estão relacionadas com a própria situação de trabalho. Nestas circunstâncias, quase invariavelmente, os manuais de pedagogia e de didáctica falam no "tacto" ou no "bom senso" necessários ao professor. Nesta dissertação, interpreto o recurso a estes termos à luz da hermenêutica filosófica de Hans-Georg Gadamer. Segundo esta perspectiva, observar que se falava de "tacto" ou "bom senso" pedagógicos é verificar a presença do conhecimento hermenêutico no domínio da história da profissão docente. Por outras palavras, o uso de termos como "tacto" do professor significou o reconhecimento da legitimidade e autonomia da forma de conhecimento que guia a prática - o conhecimento hermenêutico, para além ou aquém do método científico. Mais precisamente, ao usar termos como "tacto", "bom senso" ou "prudência" do professor, os manuais portugueses de pedagogia e de didáctica publicados entre 1870 e 1950 estariam a afirmar que só cada professor podia compreender e fazer o apropriado à situação de trabalho em que, de cada vez, se encontrava. |
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