Publicação
Determinantes genéticos de virulência bacteriana e sua relação com as infecções urinárias como causa primária de bacterémias
| Resumo: | As infecções urinárias e as bacterémias são muitas vezes originadas por Enterobacteriaceae multirresistentes, principalmente quando se tratam de infecções associadas aos cuidados de saúde. Este estudo pretende caracterizar as estirpes de Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae do hospital de Santa Maria, em Lisboa, isoladas a partir de uro e hemoculturas do mesmo doente. Vinte e oito isolados clínicos de E.coli e treze de K.pneumoniae, de doze e seis doentes, respectivamente, foram estudados em termos de perfil genético, genes de resistência antibacteriana e ambiente genético em que se inserem, determinantes genéticos de virulência e plasmídeos transportados, além do grupo filogenético, ilhas de patogenicidade e perfil alélico obtido por MLST para E.coli. Verificou-se que enquanto para E.coli existiam apenas duas estirpes isoladas a partir do sangue e da urina do mesmo doente, para K.pneumoniae foram identificadas seis. A estirpe de E.coli responsável pela maioria das infecções tem uma elevada prevalência no hospital desde 2000 e já foi identificada através de MLST como ST131 em vários países. Pertence ao grupo filogenético B2, possui vários genes de resistência, entre eles blaCTX-M-15 transportado em plasmídeos IncF e é virulenta, estando alguns operões organizados em ilhas de patogenicidade. O pílus ECP parece ser um dos responsáveis pelo seu sucesso, permitindo a sua permanência no organismo hospedeiro durante longos períodos de tempo, enquanto as fímbrias do tipo 1 lhe conferem a capacidade de internalização no epitélio da bexiga, protegendo-a da acção dos antibacterianos. A maioria dos isolados de K.pneumoniae também são produtores de ß-lactamases de espectro alargado CTX-M-type, codificadas principalmente em plasmídeos IncHI1, mas também em IncFIA. A resistência às quinolonas deve-se não só a mutações nas zonas QRDR de gyrA e parC em E.coli e provavelmente em K.pneumoniae, mas também aos genes aac(6')-Ib-cr em E.coli e qnr em K.pneumoniae. |
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| Autores principais: | Nunes, Filipa Andreia Portugal |
| Assunto: | Genética microbiana Infecções hospitalares Escherichia coli Klebsiella pneumoniae Resistência aos antibióticos Teses de mestrado |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As infecções urinárias e as bacterémias são muitas vezes originadas por Enterobacteriaceae multirresistentes, principalmente quando se tratam de infecções associadas aos cuidados de saúde. Este estudo pretende caracterizar as estirpes de Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae do hospital de Santa Maria, em Lisboa, isoladas a partir de uro e hemoculturas do mesmo doente. Vinte e oito isolados clínicos de E.coli e treze de K.pneumoniae, de doze e seis doentes, respectivamente, foram estudados em termos de perfil genético, genes de resistência antibacteriana e ambiente genético em que se inserem, determinantes genéticos de virulência e plasmídeos transportados, além do grupo filogenético, ilhas de patogenicidade e perfil alélico obtido por MLST para E.coli. Verificou-se que enquanto para E.coli existiam apenas duas estirpes isoladas a partir do sangue e da urina do mesmo doente, para K.pneumoniae foram identificadas seis. A estirpe de E.coli responsável pela maioria das infecções tem uma elevada prevalência no hospital desde 2000 e já foi identificada através de MLST como ST131 em vários países. Pertence ao grupo filogenético B2, possui vários genes de resistência, entre eles blaCTX-M-15 transportado em plasmídeos IncF e é virulenta, estando alguns operões organizados em ilhas de patogenicidade. O pílus ECP parece ser um dos responsáveis pelo seu sucesso, permitindo a sua permanência no organismo hospedeiro durante longos períodos de tempo, enquanto as fímbrias do tipo 1 lhe conferem a capacidade de internalização no epitélio da bexiga, protegendo-a da acção dos antibacterianos. A maioria dos isolados de K.pneumoniae também são produtores de ß-lactamases de espectro alargado CTX-M-type, codificadas principalmente em plasmídeos IncHI1, mas também em IncFIA. A resistência às quinolonas deve-se não só a mutações nas zonas QRDR de gyrA e parC em E.coli e provavelmente em K.pneumoniae, mas também aos genes aac(6')-Ib-cr em E.coli e qnr em K.pneumoniae. |
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