Publicação
A hiperqueratose do canal do teto nas explorações leiteiras portuguesas. Causas e efeitos microbiológicos
| Resumo: | A produção e acumulação de queratina no canal dos tetos dos bovinos, é uma resposta normal do epitélio do canal dos tetos à perda de queratina causada pela ordenha. No entanto, quando esta resposta é exagerada ocorre a hiperqueratose, que pode aumentar a vulnerabilidade do úbere a novas infecções. O objectivo deste estudo foi caracterizar uma amostra de explorações de bovinos leiteiros quanto à existência de hiperqueratose e observar os efeitos dos principais factores de risco sobre o canal do teto. Outro objectivo foi observar a influência da hiperqueratose sobre as mastites e analisar a existência de alguma associação entre a condição do canal dos tetos e os agentes microbiológicos detectados. As explorações amostradas participavam num programa de controlo da qualidade do leite e receberam duas visitas: uma para colheita de amostras compostas de leite a todos os animais para análise microbiológica, e outra visita para avaliação da hiperqueratose e a caracterização dos seus factores de risco. Das 17 explorações avaliadas, 71% tinham mais de 20% dos animais com níveis de hiperqueratose altos (2B, 2C e 2D). A prevalência de animais com níveis de hiperqueratose altos, variou entre 5% e 43% nas explorações observadas. Os factores de risco considerados neste estudo que demonstraram estar associados ao aparecimento da hiperqueratose foram a forma, a posição (OR= 1,26, p<0,05), o comprimento dos tetos (OR= 1,68, p<0,00), o número de lactações (OR= 2,72, p<0,00), o número de dias de lactação (OR= 2,10, p<0,00), o vácuo de ordenha nas tetinas (OR= 1,64, p<0,05). Os dois factores que demonstraram uma relação mais forte com a hiperqueratose foram, a inexistência de retiradores automáticos das tetinas na máquina de ordenha (OR= 3,75, p<0,00) e a utilização de desinfectantes dos tetos no final da ordenha (OR= 3,41, p<0,00). Foi observado que os tetos com hiperqueratose tiveram um risco maior de sofrerem mastites e esta associação é tanto mais forte quanto maior for o nível de hiperqueratose. Observou-se também que a hiperqueratose influenciava o tipo de agentes que infectava o úbere pois os animais com hiperqueratose, tinham um risco maior de sofrerem infecção por Enterococcus spp (OR= 2,02, p<0,05), Enterobactereaceae (OR=1,73, p<0,05) e Streptococcus agalactiae (OR= 2,76, p<0,05) e os animais com níveis baixos de hiperqueratose tinham uma maior probabilidade de não terem nenhuma infecção do úbere (OR= 2,42, p<0,00), indicando que a hiperqueratose interfere na eficácia do canal do teto em travar a entrada de microrganismos patogénicos. Com este trabalho foi possível concluir que a hiperqueratose constitui um problema em muitas das explorações observadas e pode contribuir para o aparecimento de algumas mastites. |
|---|---|
| Autores principais: | Sousa, João Miguel Bastos |
| Assunto: | Hiperqueratose Mastites OR Hyperkeratosis Mastitis |
| Ano: | 2008 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A produção e acumulação de queratina no canal dos tetos dos bovinos, é uma resposta normal do epitélio do canal dos tetos à perda de queratina causada pela ordenha. No entanto, quando esta resposta é exagerada ocorre a hiperqueratose, que pode aumentar a vulnerabilidade do úbere a novas infecções. O objectivo deste estudo foi caracterizar uma amostra de explorações de bovinos leiteiros quanto à existência de hiperqueratose e observar os efeitos dos principais factores de risco sobre o canal do teto. Outro objectivo foi observar a influência da hiperqueratose sobre as mastites e analisar a existência de alguma associação entre a condição do canal dos tetos e os agentes microbiológicos detectados. As explorações amostradas participavam num programa de controlo da qualidade do leite e receberam duas visitas: uma para colheita de amostras compostas de leite a todos os animais para análise microbiológica, e outra visita para avaliação da hiperqueratose e a caracterização dos seus factores de risco. Das 17 explorações avaliadas, 71% tinham mais de 20% dos animais com níveis de hiperqueratose altos (2B, 2C e 2D). A prevalência de animais com níveis de hiperqueratose altos, variou entre 5% e 43% nas explorações observadas. Os factores de risco considerados neste estudo que demonstraram estar associados ao aparecimento da hiperqueratose foram a forma, a posição (OR= 1,26, p<0,05), o comprimento dos tetos (OR= 1,68, p<0,00), o número de lactações (OR= 2,72, p<0,00), o número de dias de lactação (OR= 2,10, p<0,00), o vácuo de ordenha nas tetinas (OR= 1,64, p<0,05). Os dois factores que demonstraram uma relação mais forte com a hiperqueratose foram, a inexistência de retiradores automáticos das tetinas na máquina de ordenha (OR= 3,75, p<0,00) e a utilização de desinfectantes dos tetos no final da ordenha (OR= 3,41, p<0,00). Foi observado que os tetos com hiperqueratose tiveram um risco maior de sofrerem mastites e esta associação é tanto mais forte quanto maior for o nível de hiperqueratose. Observou-se também que a hiperqueratose influenciava o tipo de agentes que infectava o úbere pois os animais com hiperqueratose, tinham um risco maior de sofrerem infecção por Enterococcus spp (OR= 2,02, p<0,05), Enterobactereaceae (OR=1,73, p<0,05) e Streptococcus agalactiae (OR= 2,76, p<0,05) e os animais com níveis baixos de hiperqueratose tinham uma maior probabilidade de não terem nenhuma infecção do úbere (OR= 2,42, p<0,00), indicando que a hiperqueratose interfere na eficácia do canal do teto em travar a entrada de microrganismos patogénicos. Com este trabalho foi possível concluir que a hiperqueratose constitui um problema em muitas das explorações observadas e pode contribuir para o aparecimento de algumas mastites. |
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