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A matemática dos alunos e a matemática escolar

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A Matemática tem sido considerada por vários educadores matemáticos como um conhecimento construído socialmente. Alguns estudos recentes têm mostrado que uma grande parte do conhecimento matemático é adquirido fora da Escola (Nunes, 1992). Schoenfeld (1992) defende que os alunos deverão aprender Matemática de uma forma semelhante à que os matemáticos realizam. D'Ambrosio (1990) define Etnomatemática como a arte ou técnica de explicar, de conhecer, nos diversos contextos culturais. As pesquisas feitas no campo da Etnomatemática pouco têm dito sobre a aula de Matemática (Boiba, 1993). Neste quadro, este estudo teve como objectivo contribuir para a clarificação do seguinte problema: Como é que a cultura matemática que os alunos trazem de casa integra e é integrada pela cultura matemática da sala de aula? No âmbito desta problemática, foram analisadas as seguintes questões: (i) Em que medida e de que forma a actividade de resolução de problemas em situações reais contribui para o descongelamento da matemática dos alunos? (ii) Como utilizar a cultura matemática de casa para a construção de "novos" conceitos matemáticos na sala de aula? (iii) Como encarar o processo de ensino aprendizagem na sala de aula, para que esteja presente a cultura matemática que os alunos trazem para a escola? A natureza do problema em investigação e as questões a que se pretende responder sugeriram a adopção de uma metodologia de tipo interpretativo, baseada na recolha de dados de natureza qualitativa e em ambiente natural. A recolha de dados baseou-se na observação de dois grupos de alunos de uma turma do 7º ano, através de gravações de áudio e de vídeo, durante cinco aulas de introdução à unidade didáctica 'Proporcionalidade Directa". Nestas aulas, os alunos resolveram problemas retratando situações do dia-a-dia, directamente ou indirectamente relacionadas com o conceito de proporcionalidade. Os problemas estavam organizados em quatro actividades. A análise dos dados foi feita actividade por actividade. As conclusões foram organizadas por três grandes áreas: Relativamente à Cultura da Sala de Aula: os objectivos dos alunos são sobretudo o querer agradar ao professor. Os motivos ligados a este objectivos parecem ser sobretudo institucionais. Quanto à resolução de problemas, reconhece-se duas fases distintas: a da resolução propriamente dita e a da escrita da resposta ao problema. Na primeira fase, a grande finalidade é resolver o problema. É mais uma fase oral do que escrita. Quanto à fase escrita, o objectivo parece ser sobretudo o de justificar à professora que o problema foi resolvido.Quanto à utilização dos conceitos matemáticos: a sua utilização como ferramentas na resolução de problemas parece não se fazer de uma forma linear e parece depender de diversos factores. O conhecimento que se tem da situação com que se está a lidar e a experiência de utilização dos conceitos matemáticos como ferramentas poderão ser alguns daqueles factores. No que diz respeito à Actividade Contextualizada, apesar dos alunos utilizarem por vezes conhecimentos prévios sobre situações do dia-a-dia, eles estão de facto a resolver aquelas situações problemáticas no contexto da sala de aula de Matemática, com as suas regras, com a sua própria cultura. Quanto aos Artefactos Socioculturais, foram identificados os seguintes conceitos como artefactos socioculturais: a Tabela, as Quatro Operações, a "Regra de Três Simples" e as Percentagens.
Autores principais:Pimentel, Pedro Manuel Vilela Botto
Assunto:Matemática - Estudo e ensino Aprendizagem Cultura Salas de aula Resolução de problemas Aspectos socioculturais Teses de mestrado - 1997
Ano:1997
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Matemática tem sido considerada por vários educadores matemáticos como um conhecimento construído socialmente. Alguns estudos recentes têm mostrado que uma grande parte do conhecimento matemático é adquirido fora da Escola (Nunes, 1992). Schoenfeld (1992) defende que os alunos deverão aprender Matemática de uma forma semelhante à que os matemáticos realizam. D'Ambrosio (1990) define Etnomatemática como a arte ou técnica de explicar, de conhecer, nos diversos contextos culturais. As pesquisas feitas no campo da Etnomatemática pouco têm dito sobre a aula de Matemática (Boiba, 1993). Neste quadro, este estudo teve como objectivo contribuir para a clarificação do seguinte problema: Como é que a cultura matemática que os alunos trazem de casa integra e é integrada pela cultura matemática da sala de aula? No âmbito desta problemática, foram analisadas as seguintes questões: (i) Em que medida e de que forma a actividade de resolução de problemas em situações reais contribui para o descongelamento da matemática dos alunos? (ii) Como utilizar a cultura matemática de casa para a construção de "novos" conceitos matemáticos na sala de aula? (iii) Como encarar o processo de ensino aprendizagem na sala de aula, para que esteja presente a cultura matemática que os alunos trazem para a escola? A natureza do problema em investigação e as questões a que se pretende responder sugeriram a adopção de uma metodologia de tipo interpretativo, baseada na recolha de dados de natureza qualitativa e em ambiente natural. A recolha de dados baseou-se na observação de dois grupos de alunos de uma turma do 7º ano, através de gravações de áudio e de vídeo, durante cinco aulas de introdução à unidade didáctica 'Proporcionalidade Directa". Nestas aulas, os alunos resolveram problemas retratando situações do dia-a-dia, directamente ou indirectamente relacionadas com o conceito de proporcionalidade. Os problemas estavam organizados em quatro actividades. A análise dos dados foi feita actividade por actividade. As conclusões foram organizadas por três grandes áreas: Relativamente à Cultura da Sala de Aula: os objectivos dos alunos são sobretudo o querer agradar ao professor. Os motivos ligados a este objectivos parecem ser sobretudo institucionais. Quanto à resolução de problemas, reconhece-se duas fases distintas: a da resolução propriamente dita e a da escrita da resposta ao problema. Na primeira fase, a grande finalidade é resolver o problema. É mais uma fase oral do que escrita. Quanto à fase escrita, o objectivo parece ser sobretudo o de justificar à professora que o problema foi resolvido.Quanto à utilização dos conceitos matemáticos: a sua utilização como ferramentas na resolução de problemas parece não se fazer de uma forma linear e parece depender de diversos factores. O conhecimento que se tem da situação com que se está a lidar e a experiência de utilização dos conceitos matemáticos como ferramentas poderão ser alguns daqueles factores. No que diz respeito à Actividade Contextualizada, apesar dos alunos utilizarem por vezes conhecimentos prévios sobre situações do dia-a-dia, eles estão de facto a resolver aquelas situações problemáticas no contexto da sala de aula de Matemática, com as suas regras, com a sua própria cultura. Quanto aos Artefactos Socioculturais, foram identificados os seguintes conceitos como artefactos socioculturais: a Tabela, as Quatro Operações, a "Regra de Três Simples" e as Percentagens.