Publicação
Alterações imagiológicas dos traumatismos crânio-encefálicos na idade pediátrica
| Resumo: | Introdução: Os traumatismos crânio-encefálicos (TCE) apresentam elevada prevalência na idade pediátrica, constituindo uma causa importante de morbilidade e mortalidade infantil. A tomografia computorizada crânio-encefálica (TC-CE) apresenta-se como o método diagnóstico de eleição dos TCE no serviço de urgência, pela sua ampla disponibilidade e rapidez na aquisição das imagens. O objetivo do presente estudo consistiu em caracterizar os dados clínicos e imagiológicos agudos de doentes pediátricos que tenham sofrido traumatismo crânio-encefálico e/ou vértebro-medular, bem como relacionar o mecanismo de lesão traumática e as manifestações clínicas à admissão com a existência de alterações neuro-imagiológicas. Métodos: Foi concretizado um estudo retrospetivo de doentes em idade pediátrica, diagnosticados com traumatismo crânio-encefálico e/ou vértebro-medular, no Serviço de Urgência do Hospital Santa Maria, entre janeiro e outubro de 2022, que realizaram estudo de imagem. Foram recolhidos e analisados os dados clínicos e imagiológicos dos doentes. A análise estatística foi realizada através do SPSS (v24.0) e posteriormente analisada. Resultados: Amostra constituída por 380 doentes, com predomínio do sexo masculino (58%) e de crianças com idade inferior a 4 anos (40,5%). A idade média foi de 7,7±5,9 anos. A queda foi o mecanismo de lesão mais frequentemente relatado nos grupos etários dos 0-4 anos e 5-9 anos e o acidente de viação o mais reportado nos outros dois grupos etários (10-14 anos e 15-17 anos). As manifestações clínicas mais comuns à admissão no serviço de urgência foram o hematoma epicraniano (30%), os vómitos (22%) e a sonolência (19%). As quedas de superfície e os acidentes de viação foram identificados como mecanismos de lesão traumática preditores de existência de lesão crânio-encefálica e/ou vértebro- medular nos exames de imagem, bem como a apresentação à admissão com hematoma epicraniano ou com alteração do estado de consciência. A TC-CE foi o método de imagem realizado em todos os doentes, sendo observado alterações em 16,6%. As lesões mais comumente identificadas foram a fratura do crânio (63,5%), o hematoma subdural (36,5%), a hemorragia subaracnoideia (20%), a contusão cerebral (19%) e o hematoma epidural (15,8%). Pela suspeita de lesão vertebral, foram efetuados TC da coluna vertebral em 57 doentes, sendo encontradas alterações em 8 (14,03%) estudos, com destaque para a fratura vertebral e a lesão articular. Conclusão: Os TCE apesar de muito frequentes na idade pediátrica, apresentam baixa prevalência de lesão crânio-encefálica. A TC-CE identifica e caracteriza precocemente as lesões decorrentes do traumatismo. No entanto, a sua utilização deve ter em conta fatores clínicos preditores de alterações imagiológicas, como o mecanismo de lesão traumática e as manifestações clínicas à admissão no Serviço de Urgência, para evitar a exposição desnecessária à radiação ionizante. O clínico deve ainda permanecer em alerta para lesões decorrentes do traumatismo vértebro-medular, frequentemente em concomitância com o TCE. |
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| Autores principais: | Baptista, Júlia Leonor Sousa Lemos |
| Assunto: | Traumatismo crânio-encefálico Pediátrico Tomografia computorizada Traumatismo vértebro-medular Imagiologia |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: Os traumatismos crânio-encefálicos (TCE) apresentam elevada prevalência na idade pediátrica, constituindo uma causa importante de morbilidade e mortalidade infantil. A tomografia computorizada crânio-encefálica (TC-CE) apresenta-se como o método diagnóstico de eleição dos TCE no serviço de urgência, pela sua ampla disponibilidade e rapidez na aquisição das imagens. O objetivo do presente estudo consistiu em caracterizar os dados clínicos e imagiológicos agudos de doentes pediátricos que tenham sofrido traumatismo crânio-encefálico e/ou vértebro-medular, bem como relacionar o mecanismo de lesão traumática e as manifestações clínicas à admissão com a existência de alterações neuro-imagiológicas. Métodos: Foi concretizado um estudo retrospetivo de doentes em idade pediátrica, diagnosticados com traumatismo crânio-encefálico e/ou vértebro-medular, no Serviço de Urgência do Hospital Santa Maria, entre janeiro e outubro de 2022, que realizaram estudo de imagem. Foram recolhidos e analisados os dados clínicos e imagiológicos dos doentes. A análise estatística foi realizada através do SPSS (v24.0) e posteriormente analisada. Resultados: Amostra constituída por 380 doentes, com predomínio do sexo masculino (58%) e de crianças com idade inferior a 4 anos (40,5%). A idade média foi de 7,7±5,9 anos. A queda foi o mecanismo de lesão mais frequentemente relatado nos grupos etários dos 0-4 anos e 5-9 anos e o acidente de viação o mais reportado nos outros dois grupos etários (10-14 anos e 15-17 anos). As manifestações clínicas mais comuns à admissão no serviço de urgência foram o hematoma epicraniano (30%), os vómitos (22%) e a sonolência (19%). As quedas de superfície e os acidentes de viação foram identificados como mecanismos de lesão traumática preditores de existência de lesão crânio-encefálica e/ou vértebro- medular nos exames de imagem, bem como a apresentação à admissão com hematoma epicraniano ou com alteração do estado de consciência. A TC-CE foi o método de imagem realizado em todos os doentes, sendo observado alterações em 16,6%. As lesões mais comumente identificadas foram a fratura do crânio (63,5%), o hematoma subdural (36,5%), a hemorragia subaracnoideia (20%), a contusão cerebral (19%) e o hematoma epidural (15,8%). Pela suspeita de lesão vertebral, foram efetuados TC da coluna vertebral em 57 doentes, sendo encontradas alterações em 8 (14,03%) estudos, com destaque para a fratura vertebral e a lesão articular. Conclusão: Os TCE apesar de muito frequentes na idade pediátrica, apresentam baixa prevalência de lesão crânio-encefálica. A TC-CE identifica e caracteriza precocemente as lesões decorrentes do traumatismo. No entanto, a sua utilização deve ter em conta fatores clínicos preditores de alterações imagiológicas, como o mecanismo de lesão traumática e as manifestações clínicas à admissão no Serviço de Urgência, para evitar a exposição desnecessária à radiação ionizante. O clínico deve ainda permanecer em alerta para lesões decorrentes do traumatismo vértebro-medular, frequentemente em concomitância com o TCE. |
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