Publicação
O problema da Metafísica em Heidegger no período de gestação de Ser e Tempo
| Resumo: | O presente artigo traça a génese da questão do ser em Heidegger procurando evidenciar a sua íntima articulação com o problema da possibilidade da Metafísica como ciência. Mostra como foi através da leitura de Aristóteles, que o filósofo se deu conta da ausência, em Metafísica, de um sentido unitário e abrangente para o conceito de ser e da necessidade de suprir esta lacuna a fim de viabilizar qualquer intento consistente de nova sistemática. A seu ver, os grandes problemas da Ontologia prendem-se com a insuficiente clarificação daquele conceito, designadamente no que concerne a sua relação com o tempo. Os principais influxos do seu percurso filosófico até ao amadurecimento da problemática da obra-magna Ser e Tempo – o sistema de Metafísica escolástica, o neokantismo e a fenomenologia – são sempre acolhidos do ponto de vista da sua pertinência para a consecução do projecto, que anima o jovem filósofo, de reforma da Metafísica. No entanto, a experiência da primeira grande Guerra mundial e da crise de sentido dela decorrente fê-lo romper com a dogmática católica e o racionalismo académico da época e procurar junto do protestantismo e da filosofia existencial, então emergente, inspiração para um novo ponto de partida filosófico. O antigo projecto filosófico radicaliza-se neste outro de teor refundacional: trata-se não apenas de reformar, mas de inovar, lançando as bases de uma nova interpretação do ser a partir do tempo. |
|---|---|
| Autores principais: | Blanc, Mafalda |
| Assunto: | Ser Metafísica Aristóteles, 0384-0322 a.C. - Crítica e interpretação Escolástica Neokantismo Fenomenologia |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O presente artigo traça a génese da questão do ser em Heidegger procurando evidenciar a sua íntima articulação com o problema da possibilidade da Metafísica como ciência. Mostra como foi através da leitura de Aristóteles, que o filósofo se deu conta da ausência, em Metafísica, de um sentido unitário e abrangente para o conceito de ser e da necessidade de suprir esta lacuna a fim de viabilizar qualquer intento consistente de nova sistemática. A seu ver, os grandes problemas da Ontologia prendem-se com a insuficiente clarificação daquele conceito, designadamente no que concerne a sua relação com o tempo. Os principais influxos do seu percurso filosófico até ao amadurecimento da problemática da obra-magna Ser e Tempo – o sistema de Metafísica escolástica, o neokantismo e a fenomenologia – são sempre acolhidos do ponto de vista da sua pertinência para a consecução do projecto, que anima o jovem filósofo, de reforma da Metafísica. No entanto, a experiência da primeira grande Guerra mundial e da crise de sentido dela decorrente fê-lo romper com a dogmática católica e o racionalismo académico da época e procurar junto do protestantismo e da filosofia existencial, então emergente, inspiração para um novo ponto de partida filosófico. O antigo projecto filosófico radicaliza-se neste outro de teor refundacional: trata-se não apenas de reformar, mas de inovar, lançando as bases de uma nova interpretação do ser a partir do tempo. |
|---|