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Para uma tipologia do relacionamento entre o Estado e a Igreja

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Em 1983, a religião já era um anacronismo: estava então para haver uma organização política terminal. Essa organização era o comunismo, afirmavam alguns. Dez anos depois, em 1993, caíra o muro de Berlim e com ele o comunismo, que, em Cuba, estava a ser dissolvido graças sobretudo aos electrodomésticos e na China subsistia, mas sem capacidade de atração internacional, pois o que atraía era a sínica capacidade capitalista de vencer a globalização. A organização social terminal passara a ser o mundo globalizado, o «Estado universal homogéneo», no dizer hegeliano de Francis Fukuyama. Em 2008, um quarto de século depois, o comunismo desvanecera-se e o Estado não era universal nem homogéneo: a globalização era económica e financeira, mas a democracia representativa não chegara à China nem ao islão árabe. A globalização passara a ser um horizonte inultrapassável e ao mesmo tempo um conceito frágil cujos conflitos internos alimentavam uma contestação crescente. Esta globalização limitada não eliminou a religião. Aliás, a democracia não era universal e a história não tinha chegado ao fim.
Autores principais:Matos, Luís Salgado de
Assunto:Relações Estado-Igreja Religião
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Em 1983, a religião já era um anacronismo: estava então para haver uma organização política terminal. Essa organização era o comunismo, afirmavam alguns. Dez anos depois, em 1993, caíra o muro de Berlim e com ele o comunismo, que, em Cuba, estava a ser dissolvido graças sobretudo aos electrodomésticos e na China subsistia, mas sem capacidade de atração internacional, pois o que atraía era a sínica capacidade capitalista de vencer a globalização. A organização social terminal passara a ser o mundo globalizado, o «Estado universal homogéneo», no dizer hegeliano de Francis Fukuyama. Em 2008, um quarto de século depois, o comunismo desvanecera-se e o Estado não era universal nem homogéneo: a globalização era económica e financeira, mas a democracia representativa não chegara à China nem ao islão árabe. A globalização passara a ser um horizonte inultrapassável e ao mesmo tempo um conceito frágil cujos conflitos internos alimentavam uma contestação crescente. Esta globalização limitada não eliminou a religião. Aliás, a democracia não era universal e a história não tinha chegado ao fim.