Publicação
Contribuição para o estudo dos movimentos de vertente desencadeados por eventos sísmicos em Portugal Continental
| Resumo: | A actividade sísmica é, muitas vezes, responsável pelo desencadeamento de movimentos de vertente, os quais ampliam as consequências dos próprios sismos. O território de Portugal Continental localiza-se num ambiente tectónico responsável por uma actividade neotectónica e sísmica relevante (Cabral, 1993). Mas enquanto a informação sobre sismicidade histórica encontra-se compilada, a informação sobre movimentos de vertente desencadeados pelos sismos é ainda muito reduzida. Considerando a dispersão da informação e o pouco tratamento dado ao assunto, neste trabalho procurou-se: (i) identificar os movimentos de vertente desencadeados por eventos sísmicos no território de Portugal Continental; (ii) reconhecer esses movimentos na morfologia actual e reunir as suas principais características; e (iii) analisar a sua distribuição espacial e compará-la com a dos movimentos associados a outros factores desencadeantes, nomeadamente a precipitação. Neste contexto, foram identificados 29 movimentos de vertente, através dos registos históricos, os quais foram posteriormente inseridos numa base de dados e cartografados com o rigor possível. A identificação dos movimentos de vertente na morfologia actual apoiou-se na análise de informação cartográfica, fotográfica, histórica, arqueológica, na criação de modelos digitais de elevação de pormenor e em trabalho de campo. No entanto, o tempo decorrido sobre os movimentos de vertente e as alterações na morfologia dificultaram o seu reconhecimento, não sendo exequível, na maior parte dos casos, uma identificação rigorosa ao nível da vertente. Desta forma, nem sempre foi possível estabelecer relações entre os movimentos de vertente, os factores condicionantes e os parâmetros sísmicos. No entanto, foi possível concluir que os movimentos de vertente desencadeados por sismos concentram-se quase exclusivamente na parte sul e centro de Portugal continental, em claro contraste com a distribuição conhecida para os movimentos desencadeados pela precipitação, que tendem a ocorrer mais frequentemente no norte e centro do país. Foram igualmente coligidas outras consequências morfodinâmicas e hidrológicas desencadeadas pelos sismos com base nos registos históricos, como é o caso das alterações ao nível das nascentes/fontes, a formação de fendas e ocorrência de liquefacção. |
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| Autores principais: | Vaz, Teresa Gregório |
| Assunto: | Sismos - Portugal Movimentos de vertente - Portugal Geomorfologia - Portugal Teses de mestrado - 2010 |
| Ano: | 2010 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A actividade sísmica é, muitas vezes, responsável pelo desencadeamento de movimentos de vertente, os quais ampliam as consequências dos próprios sismos. O território de Portugal Continental localiza-se num ambiente tectónico responsável por uma actividade neotectónica e sísmica relevante (Cabral, 1993). Mas enquanto a informação sobre sismicidade histórica encontra-se compilada, a informação sobre movimentos de vertente desencadeados pelos sismos é ainda muito reduzida. Considerando a dispersão da informação e o pouco tratamento dado ao assunto, neste trabalho procurou-se: (i) identificar os movimentos de vertente desencadeados por eventos sísmicos no território de Portugal Continental; (ii) reconhecer esses movimentos na morfologia actual e reunir as suas principais características; e (iii) analisar a sua distribuição espacial e compará-la com a dos movimentos associados a outros factores desencadeantes, nomeadamente a precipitação. Neste contexto, foram identificados 29 movimentos de vertente, através dos registos históricos, os quais foram posteriormente inseridos numa base de dados e cartografados com o rigor possível. A identificação dos movimentos de vertente na morfologia actual apoiou-se na análise de informação cartográfica, fotográfica, histórica, arqueológica, na criação de modelos digitais de elevação de pormenor e em trabalho de campo. No entanto, o tempo decorrido sobre os movimentos de vertente e as alterações na morfologia dificultaram o seu reconhecimento, não sendo exequível, na maior parte dos casos, uma identificação rigorosa ao nível da vertente. Desta forma, nem sempre foi possível estabelecer relações entre os movimentos de vertente, os factores condicionantes e os parâmetros sísmicos. No entanto, foi possível concluir que os movimentos de vertente desencadeados por sismos concentram-se quase exclusivamente na parte sul e centro de Portugal continental, em claro contraste com a distribuição conhecida para os movimentos desencadeados pela precipitação, que tendem a ocorrer mais frequentemente no norte e centro do país. Foram igualmente coligidas outras consequências morfodinâmicas e hidrológicas desencadeadas pelos sismos com base nos registos históricos, como é o caso das alterações ao nível das nascentes/fontes, a formação de fendas e ocorrência de liquefacção. |
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