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Factores de prognóstico da ARDS

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: A Síndrome de dificuldade respiratória do Adulto (ARDS) consiste numa insuficiência respiratória aguda, que se traduz radiograficamente por infiltrados pulmonares bilaterais, de causa não hidrostática, sendo caracterizada por uma fase exsudativa seguida de uma fibroproliferativa. Apesar da terapêutica de suporte, continua a estar associada a uma elevada mortalidade, sem que até à data existam marcadores em uso clínico que nos permitam definir prognóstico ou sub-grupos de intervenção. Objetivo e metodologia: O objetivo deste artigo é a revisão detalhada dos fatores relacionados com prognóstico de doentes com ARDS, baseados na fisiopatologia da doença. Foi efetuada uma pesquisa na PubMed e Google articles usando várias palavras chave, nomeadamente ARDS e lesão pulmonar aguda, e foram selecionados 55 artigos. Resultados: Após revisão da bibliografia, foram identificados marcadores relacionados com lesão endotelial, lesão epitelial, inflamação, coagulação e fibrinólise e fibrose. Verificou-se que os níveis mais elevados de Ang-2, VEGF, selectinas, KL-6, IL-1β, TNF-α, IL-10, HMGB-1, PCT, PCP-III e Fas/Fas-L foram correlacionados com a mortalidade. Já os marcadores VWF, ICAM-1, RAGE, IL-6, IL-8, Proteína C, Trombomodulina foram relacionados com a mortalidade e o nº de dias com ventilação e falência orgânica. Por outro lado, os níveis de Surfactante, CC-16, PCR e PAI-1 têm sido relacionados com os parâmetros referidos de forma inconsistente. Ressalva-se ainda que todos estes marcadores biológicos devem ser ajustados para outros fatores, como idade, co-morbilidades, sepsis, scores de gravidade da doença, nível de hipoxémia, hipertensão pulmonar, ventilação de espaço morto, que se correlacionam com a mortalidade. Conclusão: Embora tenham sido identificados vários biomarcadores associados a mortalidade em doentes com ARDS, nenhum deles tem poder discriminativo suficiente, particularmente isoladamente para definir sub-grupos de risco e determinar diferentes intervenções terapêuticas. Será necessário no futuro, inclusão de grupos mais homogéneos de doentes (apenas com ARDS primário, por exemplo) e marcadores com menor variação.
Autores principais:Monteiro, Ana Carolina Correia
Assunto:Síndrome de dificuldade respiratória do adulto Lesão pulmonar aguda Biomarcadores Prognóstico Imunologia
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: A Síndrome de dificuldade respiratória do Adulto (ARDS) consiste numa insuficiência respiratória aguda, que se traduz radiograficamente por infiltrados pulmonares bilaterais, de causa não hidrostática, sendo caracterizada por uma fase exsudativa seguida de uma fibroproliferativa. Apesar da terapêutica de suporte, continua a estar associada a uma elevada mortalidade, sem que até à data existam marcadores em uso clínico que nos permitam definir prognóstico ou sub-grupos de intervenção. Objetivo e metodologia: O objetivo deste artigo é a revisão detalhada dos fatores relacionados com prognóstico de doentes com ARDS, baseados na fisiopatologia da doença. Foi efetuada uma pesquisa na PubMed e Google articles usando várias palavras chave, nomeadamente ARDS e lesão pulmonar aguda, e foram selecionados 55 artigos. Resultados: Após revisão da bibliografia, foram identificados marcadores relacionados com lesão endotelial, lesão epitelial, inflamação, coagulação e fibrinólise e fibrose. Verificou-se que os níveis mais elevados de Ang-2, VEGF, selectinas, KL-6, IL-1β, TNF-α, IL-10, HMGB-1, PCT, PCP-III e Fas/Fas-L foram correlacionados com a mortalidade. Já os marcadores VWF, ICAM-1, RAGE, IL-6, IL-8, Proteína C, Trombomodulina foram relacionados com a mortalidade e o nº de dias com ventilação e falência orgânica. Por outro lado, os níveis de Surfactante, CC-16, PCR e PAI-1 têm sido relacionados com os parâmetros referidos de forma inconsistente. Ressalva-se ainda que todos estes marcadores biológicos devem ser ajustados para outros fatores, como idade, co-morbilidades, sepsis, scores de gravidade da doença, nível de hipoxémia, hipertensão pulmonar, ventilação de espaço morto, que se correlacionam com a mortalidade. Conclusão: Embora tenham sido identificados vários biomarcadores associados a mortalidade em doentes com ARDS, nenhum deles tem poder discriminativo suficiente, particularmente isoladamente para definir sub-grupos de risco e determinar diferentes intervenções terapêuticas. Será necessário no futuro, inclusão de grupos mais homogéneos de doentes (apenas com ARDS primário, por exemplo) e marcadores com menor variação.