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Aplicação de medicinas complementares à prática de clínica de equinos

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Summary:A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) é uma corrente da prática de Medicina, tanto na saúde humana, como na saúde animal, que trata do diagnóstico, tratamento e prevenção das doenças. Esta corrente filosófica aborda e incorpora a experiência do povo chinês na sua longa luta contra a doença. Caracteriza-se essencialmente pela sua interpretação das funções fisiológicas e alterações patológicas, pelas suas técnicas de diagnóstico específicas e pelos seus princípios terapêuticos próprios. Desta abordagem médica, fazem parte inúmeras técnicas, nomeadamente a Fitoterapia, a Massagem Tui Na, a Dietética, o Qi Qong e a Acupunctura, a única destas técnicas abordada neste trabalho. Além da referida Acupunctura, outras técnicas como a Quiropráctica e a Homeopatia são consideradas como pertencentes à Medicina Integrada, uma corrente holística com difusão a nível global, apesar de todas as dificuldades e obstáculos que surgem na conciliação de algumas das suas técnicas e a Medicina dita convencional, baseada na evidência. Actualmente, o número de estudos científicos relativos aos métodos que abrange é imenso, visando explicar os seus mecanismos de funcionamento, embora alguns permaneçam por esclarecer. A clínica de equinos, em particular equinos de desporto, recai, frequentemente, sobre problemas ortopédicos, com especial destaque para claudicações e problemas vertebrais; alterações e/ou desvios comportamentais, os quais se reflectem nos resultados obtidos em provas; e problemas de performance e/ou vontade dos proprietários de explorarem ao máximo as potencialidades dos seus animais, visando retirar um desempenho o mais exímio possível. Apesar das inúmeras abordagens possíveis a qualquer alteração ortopédica em curso e das infinitas moléculas às quais se pode recorrer para exponenciar a performance do atleta de quatro patas, estas opções e decisões geralmente acarretam grandes desvantagens, as quais se prendem, essencialmente com os efeitos secundários nefastos das moléculas utilizadas, além dos custos elevados aos quais estão associadas. Em acréscimo, a abordagem alopática não contempla o perfil comportamental do equino, pelo que desvios e/ou problemas comportamentais e de stress não são passíveis de serem resolvidos à luz da medicina ocidental, mas encontrando soluções quando se opta por uma abordagem segundo as Medicinas Complementares e integradas. Apesar da controvérsia gerada em torno da Homeopatia, em particular, e do reduzido número de estudos relativos a doenças específicas em equinos, tratadas com Acupunctura e Quiropráctica, os estudos e resultados obtidos em humanos são muito positivos e satisfatórios, pelo que será seguro afirmar-se que a Medicina Complementar ou Integrada oferece abordagens terapêuticas e de diagnóstico seguras como complemento na prática clínica de equinos. Apesar de uma amostra reduzida, com poucos casos clínicos, e das limitações em termos do acompanhamento da evolução de cada caso apresentado, por razões logísticas e de sigilo profissional, além dos custos inerentes, observou-se uma evolução positiva sempre que se recorreu à aplicação e utilização de técnicas da Medicina Complementar, tanto na aceitação dos proprietários, como na aceitação dos próprios animais e na evolução/recuperação da doença em curso. Tais resultados apontam para uma necessidade de estudos mais completos sobre estas técnicas em equinos, reunindo uma amostra mais significativa, grupo de controlo, avaliação cega e maior tempo de tratamento, para ser possível avaliar a fundo a eficácia de cada uma das técnicas, em animais num mesmo ambiente e com a mesma doença. Ao longo do estágio, a aplicação destas técnicas mesmo em animais com um carácter mais difícil ou menos tolerantes na manipulação com bons resultados de aceitação permitiu concluir que, apesar da irascibilidade de alguns temperamentos dos pacientes abordados, os tratamentos foram perfeitamente aceites. Desta forma, parece ser indicador de que, em animais de temperamento mais dócil, este tipo de abordagem seja aceite ainda com maior facilidade.
Main Authors:Cachado, Rita Sofia Martins Fragoso de Sousa
Subject:Medicina Tradicional Chinesa Medicina Complementar Homeopatia Acupunctura Quiropráctica Equinos de Desporto Chinese Traditional Medicine Complementary Medicine Homeopathy Acupuncture Quiropractics Sport Horses
Year:2012
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Lisboa
Language:Portuguese
Origin:Repositório da Universidade de Lisboa
Description
Summary:A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) é uma corrente da prática de Medicina, tanto na saúde humana, como na saúde animal, que trata do diagnóstico, tratamento e prevenção das doenças. Esta corrente filosófica aborda e incorpora a experiência do povo chinês na sua longa luta contra a doença. Caracteriza-se essencialmente pela sua interpretação das funções fisiológicas e alterações patológicas, pelas suas técnicas de diagnóstico específicas e pelos seus princípios terapêuticos próprios. Desta abordagem médica, fazem parte inúmeras técnicas, nomeadamente a Fitoterapia, a Massagem Tui Na, a Dietética, o Qi Qong e a Acupunctura, a única destas técnicas abordada neste trabalho. Além da referida Acupunctura, outras técnicas como a Quiropráctica e a Homeopatia são consideradas como pertencentes à Medicina Integrada, uma corrente holística com difusão a nível global, apesar de todas as dificuldades e obstáculos que surgem na conciliação de algumas das suas técnicas e a Medicina dita convencional, baseada na evidência. Actualmente, o número de estudos científicos relativos aos métodos que abrange é imenso, visando explicar os seus mecanismos de funcionamento, embora alguns permaneçam por esclarecer. A clínica de equinos, em particular equinos de desporto, recai, frequentemente, sobre problemas ortopédicos, com especial destaque para claudicações e problemas vertebrais; alterações e/ou desvios comportamentais, os quais se reflectem nos resultados obtidos em provas; e problemas de performance e/ou vontade dos proprietários de explorarem ao máximo as potencialidades dos seus animais, visando retirar um desempenho o mais exímio possível. Apesar das inúmeras abordagens possíveis a qualquer alteração ortopédica em curso e das infinitas moléculas às quais se pode recorrer para exponenciar a performance do atleta de quatro patas, estas opções e decisões geralmente acarretam grandes desvantagens, as quais se prendem, essencialmente com os efeitos secundários nefastos das moléculas utilizadas, além dos custos elevados aos quais estão associadas. Em acréscimo, a abordagem alopática não contempla o perfil comportamental do equino, pelo que desvios e/ou problemas comportamentais e de stress não são passíveis de serem resolvidos à luz da medicina ocidental, mas encontrando soluções quando se opta por uma abordagem segundo as Medicinas Complementares e integradas. Apesar da controvérsia gerada em torno da Homeopatia, em particular, e do reduzido número de estudos relativos a doenças específicas em equinos, tratadas com Acupunctura e Quiropráctica, os estudos e resultados obtidos em humanos são muito positivos e satisfatórios, pelo que será seguro afirmar-se que a Medicina Complementar ou Integrada oferece abordagens terapêuticas e de diagnóstico seguras como complemento na prática clínica de equinos. Apesar de uma amostra reduzida, com poucos casos clínicos, e das limitações em termos do acompanhamento da evolução de cada caso apresentado, por razões logísticas e de sigilo profissional, além dos custos inerentes, observou-se uma evolução positiva sempre que se recorreu à aplicação e utilização de técnicas da Medicina Complementar, tanto na aceitação dos proprietários, como na aceitação dos próprios animais e na evolução/recuperação da doença em curso. Tais resultados apontam para uma necessidade de estudos mais completos sobre estas técnicas em equinos, reunindo uma amostra mais significativa, grupo de controlo, avaliação cega e maior tempo de tratamento, para ser possível avaliar a fundo a eficácia de cada uma das técnicas, em animais num mesmo ambiente e com a mesma doença. Ao longo do estágio, a aplicação destas técnicas mesmo em animais com um carácter mais difícil ou menos tolerantes na manipulação com bons resultados de aceitação permitiu concluir que, apesar da irascibilidade de alguns temperamentos dos pacientes abordados, os tratamentos foram perfeitamente aceites. Desta forma, parece ser indicador de que, em animais de temperamento mais dócil, este tipo de abordagem seja aceite ainda com maior facilidade.