Publicação
Segregação socioespacial urbana
| Resumo: | A circunscrição ou mesmo o fechamento de determinados grupos sociais ou étnicos em zonas específicas das cidades, retirando-lhes o direito à mobilidade, limitando os seus laços sociais com os restantes membros da sociedade e impedindo-os de escolher onde viver e onde utilizar o espaço público, tem sido um processo que vem acompanhando a história da urbanização. Embora as cidades sejam uma mistura fascinante de pessoas diferentes, um espaço de oportunidades, como afirma o adágio medieval alemão “O ar da cidade traz liberdade”, o direito à cidade (Lefebvre, 2009) – pertencer à cidade e ter plena liberdade de acesso aos seus recursos – nunca foi universal e é muitas vezes seriamente limitado pela segregação socioespacial. Desde os casos das populações judaicas e mouriscas nas cidades ibéricas medievais ou da separação estrita dos sem-casta, outrora denominados intocáveis, nas localidades indianas, até aos guetos urbanos nazis para judeus em várias urbes europeias nas décadas de 1930-40, passando pelos exemplos mais recentes de segregação racial formal nas cidades dos EUA entre os anos de 1920 e 1960 ou da política de Apartheid na África do Sul (que se prolongou até ao último decénio do século XX), são diversos e geograficamente diversificados os exemplos extremos de separação espacial forçada e legalmente promovida, com redução severa dos direitos coletivos e individuais. Mas a estas formas mais brutais de segregação, que normalmente dão origem a áreas designadas como guetos, juntam-se processos mais subtis de natureza económica, sociocultural e política que levam a que as metrópoles sejam marcadas pela existência de uma miríade de áreas segregadas. |
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| Autores principais: | Malheiros, Jorge |
| Outros Autores: | Madeira, Paulo Miguel |
| Assunto: | Segregação Socioespacial Urbana Direitos coletivos e individuais Grupos sociais ou étnicos Espaço público |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A circunscrição ou mesmo o fechamento de determinados grupos sociais ou étnicos em zonas específicas das cidades, retirando-lhes o direito à mobilidade, limitando os seus laços sociais com os restantes membros da sociedade e impedindo-os de escolher onde viver e onde utilizar o espaço público, tem sido um processo que vem acompanhando a história da urbanização. Embora as cidades sejam uma mistura fascinante de pessoas diferentes, um espaço de oportunidades, como afirma o adágio medieval alemão “O ar da cidade traz liberdade”, o direito à cidade (Lefebvre, 2009) – pertencer à cidade e ter plena liberdade de acesso aos seus recursos – nunca foi universal e é muitas vezes seriamente limitado pela segregação socioespacial. Desde os casos das populações judaicas e mouriscas nas cidades ibéricas medievais ou da separação estrita dos sem-casta, outrora denominados intocáveis, nas localidades indianas, até aos guetos urbanos nazis para judeus em várias urbes europeias nas décadas de 1930-40, passando pelos exemplos mais recentes de segregação racial formal nas cidades dos EUA entre os anos de 1920 e 1960 ou da política de Apartheid na África do Sul (que se prolongou até ao último decénio do século XX), são diversos e geograficamente diversificados os exemplos extremos de separação espacial forçada e legalmente promovida, com redução severa dos direitos coletivos e individuais. Mas a estas formas mais brutais de segregação, que normalmente dão origem a áreas designadas como guetos, juntam-se processos mais subtis de natureza económica, sociocultural e política que levam a que as metrópoles sejam marcadas pela existência de uma miríade de áreas segregadas. |
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