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Paternidades de hoje : significados, práticas e negociações da parentalidade na conjugalidade e na residência alternada

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Nesta investigação pesquisaram-se dinâmicas de construção da paternidade em parcerias parentais, a partir do estudo qualitativo de duas realidades familiares distintas: a dos homens que se encontram numa primeira conjugalidade; e a dos homens que, após divórcio ou separação, vivem em regime de guarda conjunta com residência alternada. O principal objectivo foi compreender a transformação e a diversidade social da paternidade na sociedade portuguesa contemporânea, identificando os processos sociais e as lógicas de acção que a tecem nas interacções quotidianas da vida familiar. Para atingir os objectivos propostos, privilegiou-se uma abordagem das dinâmicas internas da paternidade. Através da análise dos sentidos subjectivos, práticas e identidades paternas, procurou-se perceber a relação entre lógicas de relacionamento pai-filhos e lógicas de cooperação parental. Adicionalmente, para aferir a sua autonomia relativa, procurou-se inscrever as dinâmicas de paternidade nos tempos sociais e biográficos dos percursos de vida, das relações sociais de género e dos posicionamentos sociais que as modelam. Verificou-se que os modos de construir a paternidade, na relação com os filhos e na cooperação parental, são vários e complexos, como exemplificam os perfis que identificámos: na conjugalidade encontrámos paternidades conjuntas, de apoio, incentivadas, electivas e autónomas; na residência alternada identificámos paternidades assertivas, reconstruídas, conjuntas e condicionadas. No que diz respeito às dinâmicas internas da paternidade foram essencialmente quatro os eixos de diversificação e mudança identificados. Primeiro, a articulação entre a adesão a uma nova norma de paternidade próxima e a negociação de modelos de partilha parental e conjugal. Segundo, a construção da proximidade paterna pela individualização através de um processo de individualização e de autonomização das interacções pai-filhos. Terceiro, a negociação do lugar do homem no sistema de relações familiares e do papel paterno nas parcerias parentais. Finalmente, a influência dos percursos masculinos na reconstrução da paternidade após a dissolução conjugal: Apesar da importância dos aspectos mais interaccionais na construção da paternidade, o papel dos constrangimentos e oportunidades estruturais não deve ser negligenciado. Assim, a pesquisa contribuiu igualmente para assinalar o efeito modelador das relações de género, dos volumes desiguais de recursos parentais (nomeadamente, tempo, competências, escolaridade, conhecimento acerca das singularidades dos filhos, etc.) e das posições sociais e económicas de cada progenitor.
Autores principais:Marinho, Sofia
Assunto:Teses de doutoramento - 2012
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Nesta investigação pesquisaram-se dinâmicas de construção da paternidade em parcerias parentais, a partir do estudo qualitativo de duas realidades familiares distintas: a dos homens que se encontram numa primeira conjugalidade; e a dos homens que, após divórcio ou separação, vivem em regime de guarda conjunta com residência alternada. O principal objectivo foi compreender a transformação e a diversidade social da paternidade na sociedade portuguesa contemporânea, identificando os processos sociais e as lógicas de acção que a tecem nas interacções quotidianas da vida familiar. Para atingir os objectivos propostos, privilegiou-se uma abordagem das dinâmicas internas da paternidade. Através da análise dos sentidos subjectivos, práticas e identidades paternas, procurou-se perceber a relação entre lógicas de relacionamento pai-filhos e lógicas de cooperação parental. Adicionalmente, para aferir a sua autonomia relativa, procurou-se inscrever as dinâmicas de paternidade nos tempos sociais e biográficos dos percursos de vida, das relações sociais de género e dos posicionamentos sociais que as modelam. Verificou-se que os modos de construir a paternidade, na relação com os filhos e na cooperação parental, são vários e complexos, como exemplificam os perfis que identificámos: na conjugalidade encontrámos paternidades conjuntas, de apoio, incentivadas, electivas e autónomas; na residência alternada identificámos paternidades assertivas, reconstruídas, conjuntas e condicionadas. No que diz respeito às dinâmicas internas da paternidade foram essencialmente quatro os eixos de diversificação e mudança identificados. Primeiro, a articulação entre a adesão a uma nova norma de paternidade próxima e a negociação de modelos de partilha parental e conjugal. Segundo, a construção da proximidade paterna pela individualização através de um processo de individualização e de autonomização das interacções pai-filhos. Terceiro, a negociação do lugar do homem no sistema de relações familiares e do papel paterno nas parcerias parentais. Finalmente, a influência dos percursos masculinos na reconstrução da paternidade após a dissolução conjugal: Apesar da importância dos aspectos mais interaccionais na construção da paternidade, o papel dos constrangimentos e oportunidades estruturais não deve ser negligenciado. Assim, a pesquisa contribuiu igualmente para assinalar o efeito modelador das relações de género, dos volumes desiguais de recursos parentais (nomeadamente, tempo, competências, escolaridade, conhecimento acerca das singularidades dos filhos, etc.) e das posições sociais e económicas de cada progenitor.