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A transição entre extremos metamórficos em orógenos: constrangimentos petrológicos, geoquímicos e isotópicos na passagem do metamorfismo de alta pressão ao de alta temperatura na Zona de Ossa-Morena

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As regiões de Safira e Evoramonte estão localizadas na Zona de Ossa-Morena, abrangendo o setor de Montemor – Ficalho e o setor de Estremoz – Barrancos, respetivamente. Na região de Safira afloram várias unidades litológicas como ortognaisses, granulitos félsicos e eclogitos, enquanto na região de Evoramonte afloram micaxistos, xistos com estaurolite e migmatitos, sendo as unidades litológicas de Safira e os migmatitos de Evoramonte o foco principal deste trabalho. O tema proposto consiste na caracterização petrológica e geoquímica das rochas das regiões em estudo para uma melhor compreensão dos processos metamórficos ao longo do percurso evolutivo das rochas em estudo, nomeadamente, dos eclogitos de Safira e dos migmatitos de Evoramonte, com auxílio de química mineral, geotermobarometria, análise geoquímica e isotópica. Em relação aos resultados obtidos, recorreu-se aos trabalhos de Pedro (1996) e Leal (2001) de forma a comparar e complementar os resultados alcançados por estes autores. Foi possível observar que os eclogitos de Safira apresentam um percurso P-T distinto do proposto por Pedro (1996) e Leal (2001), observando-se um pico metamórfico (P = 15-17.9 kbar e T = 638-707 ºC) mais elevado quando comparado com os obtidos por estes autores. Para os migmatitos de Evoramonte os dados P-T obtidos podem ser considerados relativamente baixos para este tipo de rocha (P = 3.7-4.8 kbar e T = 577-587 ºC), correspondendo estes à retrogradação e não ao pico térmico como era esperado. De forma a compreender a evolução térmica dos migmatitos recorreu-se ao cálculo de taxas de arrefecimento petrológicas, reconhecendo, através destas, que estes estiveram sujeitos a uma exumação rápida, comprovada pela aceleração do arrefecimento durante a retrogradação. Na análise geoquímica, foi possível verificar que as rochas básicas estudadas por Pedro (1996) e neste trabalho, nomeadamente, eclogitos e prasinitos, apresentam várias semelhanças, como pertencerem à série toleítica e estarem associados a ambientes oceânicos. Ambas as rochas apresentam afinidade com os MORB-E, o que é realçado por valores de εNd370 ~ +4.4. As rochas félsicas estudadas neste trabalho e por Pedro (1996) e por Telhado (2018), particularmente, migmatitos, granulitos félsicos, gnaisses félsicos e ortognaisses, apresentam semelhanças entre si, como pertencerem à série calco-alcalina e apresentarem assinatura isotópica tipicamente continental. Esta assinatura é realçada por valores negativos do εNd. Estas rochas têm afinidade a granitóides de arco vulcânico e/ou granitoides intra-placa. O setor de Safira apresenta um registo de metamorfismo de alta pressão comprovado pela presença de eclogitos neste setor. Os eclogitos recolhidos neste setor estiveram sujeitos a uma exumação rápida, demonstrada pelas fraturas radiais presentes nestas rochas, sendo estas exumadas num ambiente de subducção. O setor de Evoramonte apresenta um registo de metamorfismo de alta temperatura. Os migmatitos recolhidos neste setor, estiveram sujeitos a um período de arrefecimento lento que permitiu um reequilíbrio químico na rocha não preservando o registo P-T do pico térmico, apenas o registo P-T associado à retrogradação. Através do cálculo de taxas petrológicas, verificou-se que os migmatitos sofreram uma fase mais tardia de exumação rápida, associada ao período tardi-orogénico varisco. Com a análise dos dados recolhidos, verificou-se uma evolução de um estágio precoce de alta pressão (setor de Safira) para um estágio mais tardio de alta temperatura (setor de Evoramonte). Após toda uma reflexão, conclui-se que a ZOM apresenta relações complexas entre o metamorfismo e a orogénese. Estas relações colocam em evidência a dinâmica dos processos geológicos, visto que os dois eventos se encontram espacialmente próximos e separados por um período de tempo relativamente curto do ponto de vista geológico (~50 Ma).
Autores principais:Oliveira, Roberta Lemos Henriques
Assunto:Zona de Ossa-Morena Eclogito Migmatito Geotermobarometria Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As regiões de Safira e Evoramonte estão localizadas na Zona de Ossa-Morena, abrangendo o setor de Montemor – Ficalho e o setor de Estremoz – Barrancos, respetivamente. Na região de Safira afloram várias unidades litológicas como ortognaisses, granulitos félsicos e eclogitos, enquanto na região de Evoramonte afloram micaxistos, xistos com estaurolite e migmatitos, sendo as unidades litológicas de Safira e os migmatitos de Evoramonte o foco principal deste trabalho. O tema proposto consiste na caracterização petrológica e geoquímica das rochas das regiões em estudo para uma melhor compreensão dos processos metamórficos ao longo do percurso evolutivo das rochas em estudo, nomeadamente, dos eclogitos de Safira e dos migmatitos de Evoramonte, com auxílio de química mineral, geotermobarometria, análise geoquímica e isotópica. Em relação aos resultados obtidos, recorreu-se aos trabalhos de Pedro (1996) e Leal (2001) de forma a comparar e complementar os resultados alcançados por estes autores. Foi possível observar que os eclogitos de Safira apresentam um percurso P-T distinto do proposto por Pedro (1996) e Leal (2001), observando-se um pico metamórfico (P = 15-17.9 kbar e T = 638-707 ºC) mais elevado quando comparado com os obtidos por estes autores. Para os migmatitos de Evoramonte os dados P-T obtidos podem ser considerados relativamente baixos para este tipo de rocha (P = 3.7-4.8 kbar e T = 577-587 ºC), correspondendo estes à retrogradação e não ao pico térmico como era esperado. De forma a compreender a evolução térmica dos migmatitos recorreu-se ao cálculo de taxas de arrefecimento petrológicas, reconhecendo, através destas, que estes estiveram sujeitos a uma exumação rápida, comprovada pela aceleração do arrefecimento durante a retrogradação. Na análise geoquímica, foi possível verificar que as rochas básicas estudadas por Pedro (1996) e neste trabalho, nomeadamente, eclogitos e prasinitos, apresentam várias semelhanças, como pertencerem à série toleítica e estarem associados a ambientes oceânicos. Ambas as rochas apresentam afinidade com os MORB-E, o que é realçado por valores de εNd370 ~ +4.4. As rochas félsicas estudadas neste trabalho e por Pedro (1996) e por Telhado (2018), particularmente, migmatitos, granulitos félsicos, gnaisses félsicos e ortognaisses, apresentam semelhanças entre si, como pertencerem à série calco-alcalina e apresentarem assinatura isotópica tipicamente continental. Esta assinatura é realçada por valores negativos do εNd. Estas rochas têm afinidade a granitóides de arco vulcânico e/ou granitoides intra-placa. O setor de Safira apresenta um registo de metamorfismo de alta pressão comprovado pela presença de eclogitos neste setor. Os eclogitos recolhidos neste setor estiveram sujeitos a uma exumação rápida, demonstrada pelas fraturas radiais presentes nestas rochas, sendo estas exumadas num ambiente de subducção. O setor de Evoramonte apresenta um registo de metamorfismo de alta temperatura. Os migmatitos recolhidos neste setor, estiveram sujeitos a um período de arrefecimento lento que permitiu um reequilíbrio químico na rocha não preservando o registo P-T do pico térmico, apenas o registo P-T associado à retrogradação. Através do cálculo de taxas petrológicas, verificou-se que os migmatitos sofreram uma fase mais tardia de exumação rápida, associada ao período tardi-orogénico varisco. Com a análise dos dados recolhidos, verificou-se uma evolução de um estágio precoce de alta pressão (setor de Safira) para um estágio mais tardio de alta temperatura (setor de Evoramonte). Após toda uma reflexão, conclui-se que a ZOM apresenta relações complexas entre o metamorfismo e a orogénese. Estas relações colocam em evidência a dinâmica dos processos geológicos, visto que os dois eventos se encontram espacialmente próximos e separados por um período de tempo relativamente curto do ponto de vista geológico (~50 Ma).