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Aspectos cognitivos e linguísticos no raciocínio inclusivo em crianças de 5/6 anos

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Resumo:Esta dissertação teve como objectivo contribuir para o esclarecimento da natureza do raciocínio inclusivo: saber se esta forma de raciocínio é uma competência fundamentalmente operatória, como Piaget sempre defendeu, ou sobretudo uma competência funcional, uma competência na dependência de diversos factores de desempenho, especialmente linguísticos, como muitos dos seus críticos dão a entender. Consta de dois estudos, envolvendo cada um 48 crianças de 5/6 anos. Todas as crianças envolvidas nestes dois estudos eram crianças de nível intermédio em termos do seu desenvolvimento cognitivo, tal como avaliado numa prova Piagetiana de conservação do número. O Estudo 1 procurou reproduzir parcialmente a investigação de Carpendale, McBride e Chapman (1996). Metade das crianças foi submetida à versão clássica de uma prova de inclusão de classes e a outra metade respondeu a uma pergunta de comparação entre as duas subclasses, antes de responder à pergunta-teste da referida prova; A ideia era verificar se a segunda condição melhorava significativamente o desempenho das crianças na pergunta-teste de tal prova. O Estudo 2 analisou em que extensão a introdução de uma pergunta prévia de comparação entre subclasses facilitava o raciocínio inclusivo das crianças, no caso da utilização de três, em vez de duas subclasses. Os dois estudos analisaram também em que medida o raciocínio inclusivo das crianças envolvia ou não conhecimento necessário, um tipo de conhecimento que, segundo Piaget, é central na definição de uma competência operatória. Em ambos os estudos, o desempenho das crianças foi avaliado em termos dos seus juízos apenas e em termos dos seus juízos com justificações. Tomados em conjunto, os resultados dessa dissertação mostram que: (a) quando se elege como critério de sucesso apenas os juízos da criança, a introdução de uma pergunta prévia de comparação entre as subclasses não melhora o seu nível de desempenho numa prova de inclusão com duas subclasses; (b) acontece o contrário na prova com três subclasses; (c) o nível de desempenho é sempre menor quando se utiliza o critério de juízos com justificações, caso em que, independentemente do número de subclasses envolvidas, a diferença de desempenho entre as condições linguísticas deixa de ser significativa; (d) a maioria das crianças de 5/6 não domina ainda o raciocínio inclusivo; e (e) praticamente nenhuma criança tem sucesso na pergunta de conhecimento necessário relativa à inclusão de classes. Tudo bem considerado, ambos os estudos parecem reforçar a ideia Piagetiana de que o raciocínio inclusivo é mais uma competência operatória do que funcional. Provavelmente, é a própria dificuldade com este tipo de raciocínio que leva as crianças pré-escolares a interpretarem erradamente a pergunta-teste da prova clássica de inclusão de classes.
Autores principais:Castelo Branco, Joana Vilhena, 1968-
Assunto:Teses de mestrado - 2002 Raciocínio inclusivo Crianças Aspectos cognitivos Aspectos linguísticos
Ano:2002
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta dissertação teve como objectivo contribuir para o esclarecimento da natureza do raciocínio inclusivo: saber se esta forma de raciocínio é uma competência fundamentalmente operatória, como Piaget sempre defendeu, ou sobretudo uma competência funcional, uma competência na dependência de diversos factores de desempenho, especialmente linguísticos, como muitos dos seus críticos dão a entender. Consta de dois estudos, envolvendo cada um 48 crianças de 5/6 anos. Todas as crianças envolvidas nestes dois estudos eram crianças de nível intermédio em termos do seu desenvolvimento cognitivo, tal como avaliado numa prova Piagetiana de conservação do número. O Estudo 1 procurou reproduzir parcialmente a investigação de Carpendale, McBride e Chapman (1996). Metade das crianças foi submetida à versão clássica de uma prova de inclusão de classes e a outra metade respondeu a uma pergunta de comparação entre as duas subclasses, antes de responder à pergunta-teste da referida prova; A ideia era verificar se a segunda condição melhorava significativamente o desempenho das crianças na pergunta-teste de tal prova. O Estudo 2 analisou em que extensão a introdução de uma pergunta prévia de comparação entre subclasses facilitava o raciocínio inclusivo das crianças, no caso da utilização de três, em vez de duas subclasses. Os dois estudos analisaram também em que medida o raciocínio inclusivo das crianças envolvia ou não conhecimento necessário, um tipo de conhecimento que, segundo Piaget, é central na definição de uma competência operatória. Em ambos os estudos, o desempenho das crianças foi avaliado em termos dos seus juízos apenas e em termos dos seus juízos com justificações. Tomados em conjunto, os resultados dessa dissertação mostram que: (a) quando se elege como critério de sucesso apenas os juízos da criança, a introdução de uma pergunta prévia de comparação entre as subclasses não melhora o seu nível de desempenho numa prova de inclusão com duas subclasses; (b) acontece o contrário na prova com três subclasses; (c) o nível de desempenho é sempre menor quando se utiliza o critério de juízos com justificações, caso em que, independentemente do número de subclasses envolvidas, a diferença de desempenho entre as condições linguísticas deixa de ser significativa; (d) a maioria das crianças de 5/6 não domina ainda o raciocínio inclusivo; e (e) praticamente nenhuma criança tem sucesso na pergunta de conhecimento necessário relativa à inclusão de classes. Tudo bem considerado, ambos os estudos parecem reforçar a ideia Piagetiana de que o raciocínio inclusivo é mais uma competência operatória do que funcional. Provavelmente, é a própria dificuldade com este tipo de raciocínio que leva as crianças pré-escolares a interpretarem erradamente a pergunta-teste da prova clássica de inclusão de classes.