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Análise Genotípica de Isolados Clínicos de Mycobacterium tuberculosis de imigrantes provenientes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa

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Resumo:A região africana possui uma das maiores taxas de incidência e mortalidade de tuberculose a nível global, representando 28% dos casos mundialmente, representando os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) igualmente uma elevada incidência desta doença. Portugal, por outro lado, apresentou em 2014 uma taxa de incidência moderada de 20 casos por 100 000 habitantes, com a capital Lisboa a assumir-se como uma das regiões mais afetadas e a única com casos de resistência TB-XDR. A caracterização das estirpes Mycobacterium tuberculosis mais predominantes na região de Lisboa foi realizada, desconhecendo-se a estrutura populacional destas estirpes nas diferentes comunidades de imigrantes, nomeadamente nos PALOP. Com o objetivo de estabelecer uma possível associação entre a estrutura populacional de M. tuberculosis de imigrantes provenientes dos PALOP e as estirpes em circulação em Lisboa, caracterizou-se por spoligotyping 133 isolados clínicos recuperados entre 2008 e 2010, de imigrantes provenientes da Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Angola e São Tomé e Príncipe. Para além deste, foi ainda realizada a genotipagem de nove estirpes com resistência a um ou mais antibacilares pela técnica MIRU-VNTR 24loci. Na observação da distribuição populacional destes isolados através da construção de árvores de extensão mínima para cada sub-população foi demonstrada a existência de um complexo clonal comum em todos os sub-grupos, pertencendo à linhagem LAM, e mais especificamente, aos SITs 20 e 42. Esta linhagem é igualmente prevalente nos dados existentes para Portugal na base de dados internacional SITVITWEB. A análise por MIRU-VNTR 24loci das estirpes resistentes permitiu a deteção de três clusters distintos, compostos por seis das nove estirpes, associados a diferentes perfis de resistência. Dois dos clusters detetados foram identificados como clusters genéticos Lisboa3-A e Lisboa3-B, que estão associados a estirpes de tuberculose multirresistente (TB-MR) e tuberculose extensivamente resistente (TB-XDR) em Portugal. Estes resultados demonstram uma estrutura populacional de M. tuberculosis similar entre os sub-grupos estudados, sugerindo que a tuberculose se tem vindo a disseminar nestas sub-populações de imigrantes e que a importação de estirpes para Portugal desempenha um papel menor do que inicialmente se pensava, reforçando a noção de um elevado grau de endemicidade da tuberculose em Portugal.
Autores principais:Pereira, Catarina Isabel Ventura
Assunto:M. tuberculosis Portugal Imigrantes Spoligotyping MIRU-VNTR 24loci Lisboa3 Teses de mestrado - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A região africana possui uma das maiores taxas de incidência e mortalidade de tuberculose a nível global, representando 28% dos casos mundialmente, representando os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) igualmente uma elevada incidência desta doença. Portugal, por outro lado, apresentou em 2014 uma taxa de incidência moderada de 20 casos por 100 000 habitantes, com a capital Lisboa a assumir-se como uma das regiões mais afetadas e a única com casos de resistência TB-XDR. A caracterização das estirpes Mycobacterium tuberculosis mais predominantes na região de Lisboa foi realizada, desconhecendo-se a estrutura populacional destas estirpes nas diferentes comunidades de imigrantes, nomeadamente nos PALOP. Com o objetivo de estabelecer uma possível associação entre a estrutura populacional de M. tuberculosis de imigrantes provenientes dos PALOP e as estirpes em circulação em Lisboa, caracterizou-se por spoligotyping 133 isolados clínicos recuperados entre 2008 e 2010, de imigrantes provenientes da Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Angola e São Tomé e Príncipe. Para além deste, foi ainda realizada a genotipagem de nove estirpes com resistência a um ou mais antibacilares pela técnica MIRU-VNTR 24loci. Na observação da distribuição populacional destes isolados através da construção de árvores de extensão mínima para cada sub-população foi demonstrada a existência de um complexo clonal comum em todos os sub-grupos, pertencendo à linhagem LAM, e mais especificamente, aos SITs 20 e 42. Esta linhagem é igualmente prevalente nos dados existentes para Portugal na base de dados internacional SITVITWEB. A análise por MIRU-VNTR 24loci das estirpes resistentes permitiu a deteção de três clusters distintos, compostos por seis das nove estirpes, associados a diferentes perfis de resistência. Dois dos clusters detetados foram identificados como clusters genéticos Lisboa3-A e Lisboa3-B, que estão associados a estirpes de tuberculose multirresistente (TB-MR) e tuberculose extensivamente resistente (TB-XDR) em Portugal. Estes resultados demonstram uma estrutura populacional de M. tuberculosis similar entre os sub-grupos estudados, sugerindo que a tuberculose se tem vindo a disseminar nestas sub-populações de imigrantes e que a importação de estirpes para Portugal desempenha um papel menor do que inicialmente se pensava, reforçando a noção de um elevado grau de endemicidade da tuberculose em Portugal.