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Modelação da qualidade das águas superficiais ao nível de microbacias com base na ocupação por sistemas de produção agrícola

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A agricultura constitui relevante fonte de poluição hídrica, e a avaliação dos impactos ambientais de práticas agrícolas específicas dificulta a operacionalização de políticas públicas conciliadoras entre agricultura e sustentabilidade ambiental. Na busca por abordagens alternativas, os sistemas de produção agrícola (SPA) foram utilizados como variável independente: são explorações agrícolas que apresentam padrões de uso ou atividades semelhantes que utilizam os mesmos recursos e, por isso, são suscetíveis a idênticos impactes e respostas a alterações de políticas. Através dos SPA identificados para o Alentejo, pretendeu-se responder: (a) há diferenças entre impactos na qualidade da água causados pela agricultura e pela floresta?; e (b) o predomínio de certos SPA pode ser um indicador de qualidade da água? Os dados de qualidade de água superficial de 2017 e 2019 - variável dependente – foram agrupados em “Desejada” (Excelente, Bom), “Indesejada” (Razoável, Medíocre e Mau). Os indicadores biológicos foram diatomáceas e as unidades de análise foram microbacias até 2500 ha. O modelo apresentou 84,1% de predições corretas e os SPA estatisticamente significativos (Cereais de sequeiro, Pastagens sem gado, Ovelhas em pastoreio com pastagens e forragens, e o sistema Arroz) apresentaram efeitos negativos, sugerindo que usos agrícolas são mais prejudiciais do que usos não agrícolas (floresta). Também confirmou-se que o peso relativo de diferentes SPA pode ser utilizado para predizer o nível de qualidade da água superficial, e os mais intensivos e/ou de regadio não foram selecionados. Fatores que possivelmente afetaram estes resultados foram: (i) nível tecnológico, (ii) nível de intensidade dos SPA baseado nos preços dos outputs em vez de exprimir o nível de inputs por unidades de área, (iii) tamanho das microbacias, (iv) dinâmicas internas associadas, ou (v) condição ecológica do bioindicador utilizado (diatomáceas). Portanto, os efeitos da agricultura não foram tão previsíveis quanto frequentemente relatados na literatura, e tal metodologia permite replicação noutras áreas e apoio ao desenho de políticas mais eficientes no planeamento do uso da terra
Autores principais:Derossi, Fabiola Nunes
Assunto:sistemas de produção agrícola qualidade da água política agroambiental práticas agrícolas Diretiva-quadro da água
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A agricultura constitui relevante fonte de poluição hídrica, e a avaliação dos impactos ambientais de práticas agrícolas específicas dificulta a operacionalização de políticas públicas conciliadoras entre agricultura e sustentabilidade ambiental. Na busca por abordagens alternativas, os sistemas de produção agrícola (SPA) foram utilizados como variável independente: são explorações agrícolas que apresentam padrões de uso ou atividades semelhantes que utilizam os mesmos recursos e, por isso, são suscetíveis a idênticos impactes e respostas a alterações de políticas. Através dos SPA identificados para o Alentejo, pretendeu-se responder: (a) há diferenças entre impactos na qualidade da água causados pela agricultura e pela floresta?; e (b) o predomínio de certos SPA pode ser um indicador de qualidade da água? Os dados de qualidade de água superficial de 2017 e 2019 - variável dependente – foram agrupados em “Desejada” (Excelente, Bom), “Indesejada” (Razoável, Medíocre e Mau). Os indicadores biológicos foram diatomáceas e as unidades de análise foram microbacias até 2500 ha. O modelo apresentou 84,1% de predições corretas e os SPA estatisticamente significativos (Cereais de sequeiro, Pastagens sem gado, Ovelhas em pastoreio com pastagens e forragens, e o sistema Arroz) apresentaram efeitos negativos, sugerindo que usos agrícolas são mais prejudiciais do que usos não agrícolas (floresta). Também confirmou-se que o peso relativo de diferentes SPA pode ser utilizado para predizer o nível de qualidade da água superficial, e os mais intensivos e/ou de regadio não foram selecionados. Fatores que possivelmente afetaram estes resultados foram: (i) nível tecnológico, (ii) nível de intensidade dos SPA baseado nos preços dos outputs em vez de exprimir o nível de inputs por unidades de área, (iii) tamanho das microbacias, (iv) dinâmicas internas associadas, ou (v) condição ecológica do bioindicador utilizado (diatomáceas). Portanto, os efeitos da agricultura não foram tão previsíveis quanto frequentemente relatados na literatura, e tal metodologia permite replicação noutras áreas e apoio ao desenho de políticas mais eficientes no planeamento do uso da terra