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A construção da diferença num arquipélago mestiço: brancos e não-brancos na são Filipe da primeira metade de novecentos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Neste trabalho, propõe-se um modelo teórico de interpretação do sistema de relações raciais em São Filipe, ilha do Fogo, Cabo Verde, na primeira metade de Novecentos. Trata-se de uma linha de pesquisa focada nas dinâmicas da percepção e construção da raça e nas determinantes não raciais na explicação da dominação de exterioridade racial. O cruzamento das identificações raciais com outras variáveis (cultura, classe, poder) constitui um quadro de análise permitido pela existência de vasta documentação escrita e iconográfica e pela longevidade de parte considerável da população insular. A metodologia de investigação assenta, pois, na pesquisa documental e na entrevista a informantes qualificados. Os conceitos compósitos de branco e não-branco condensam o essencial da argumentação: ser branco, no Fogo, fazia parte de uma referencialidade simbólica alargada que integrava, para além da biológica, as dimensões cultural e linhagística. Assimetrias profundas e continuadas entre os dois grupos de povoadores – livre europeu e escravo africano – conformaram uma racialidade forte. A rarefacção do capital económico dos brancos, obstando à reprodução simbólica do grupo, e a crescente capitalização material e escolar dos não-brancos diminuiram a importância relativa da raça e do nascimento entre as dimensões significantes da estratificação e heterogeneizaram a composição sócio-racial da elite local.
Autores principais:Caldas, Maria de Lurdes Martins
Assunto:Raça Classe Cultura, Poder São Filipe Ilha do Fogo Cabo Verde Fogo Island Race Class Culture Power Sao Filipe Cape Verde
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Neste trabalho, propõe-se um modelo teórico de interpretação do sistema de relações raciais em São Filipe, ilha do Fogo, Cabo Verde, na primeira metade de Novecentos. Trata-se de uma linha de pesquisa focada nas dinâmicas da percepção e construção da raça e nas determinantes não raciais na explicação da dominação de exterioridade racial. O cruzamento das identificações raciais com outras variáveis (cultura, classe, poder) constitui um quadro de análise permitido pela existência de vasta documentação escrita e iconográfica e pela longevidade de parte considerável da população insular. A metodologia de investigação assenta, pois, na pesquisa documental e na entrevista a informantes qualificados. Os conceitos compósitos de branco e não-branco condensam o essencial da argumentação: ser branco, no Fogo, fazia parte de uma referencialidade simbólica alargada que integrava, para além da biológica, as dimensões cultural e linhagística. Assimetrias profundas e continuadas entre os dois grupos de povoadores – livre europeu e escravo africano – conformaram uma racialidade forte. A rarefacção do capital económico dos brancos, obstando à reprodução simbólica do grupo, e a crescente capitalização material e escolar dos não-brancos diminuiram a importância relativa da raça e do nascimento entre as dimensões significantes da estratificação e heterogeneizaram a composição sócio-racial da elite local.