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Hipogonadismo hipogonadotrófico : causas, terapêutica e potencial de reversibilidade

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Resumo:O correto desenvolvimento e coordenação do eixo hipotálamo- hipófise-gónadas (HHG) é essencial à fertilidade. O hipogonadismo hipogonadotrófico (HH) é uma doença rara em que existe uma perturbação do eixo por desregulação da libertação ou ação de GnRH, provocando uma falha no atingimento da puberdade e subsequente infertilidade. Quando à síndrome anterior se associam sintomas de anósmia ou hiposmia é diagnóstico de Síndrome de Kallmann (KS). A lista de genes que têm sido implicados na patogénese molecular do HH congénito tem vindo a aumentar. Estes codificam neuropéptidos e proteínas envolvidas no desenvolvimento e migração dos neurónios GnRH, bem como pontos chave na transmissão de sinal ao longo do eixo. É proposto um modelo de oligogenidade no qual as diversas mutações em vez de contribuírem para um fenótipo mais grave, originassem fenótipos de penetrância variável. Entre os principais genes identificados estão ANOS1, FGFR-1/FGF8, PROKR2/PROK2, KISS1R e TAC3/TACR3. O tratamento destes doentes deve ser direcionado conforme a fase da vida do indivíduo e conforme o desejo de procriar. Na adolescência é essencial induzir a puberdade a fim de evitar complicações não exclusivas do sistema reprodutivo, na ausência de hormonas esteróides sexuais. Na idade adulta a fertilidade é induzida pela estimulação do eixo reprodutor, com pulsos de GnRH ou tratamento com gonadotrofinas. O aumento do número de casos reportados com reversibilidade de HH anteriormente documentado veio desafiar o dogma anterior de que esta condição seria permanente. A reversibilidade ocorre em ambos os sexos e parece ser mais frequente do que se previa anteriormente, ocorrendo em cerca de 10 a 15% dos casos, tendo sido documentados casos de deficiência grave de GnRH que abrigam mutações em loci de HH conhecidos. A reversibilidade desta condição sublinha a plasticidade do sistema neuroendócrino e sugere que seja necessária mais investigação.
Autores principais:Rosa, Carla Sofia de Campos
Assunto:Hipogonadismo hipogonadotrófico Síndrome de Kallmann Gonadotrofinas Eixo hipotálamo-hipófise-gónadas Tratamento de infertilidade Indução da puberdade
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O correto desenvolvimento e coordenação do eixo hipotálamo- hipófise-gónadas (HHG) é essencial à fertilidade. O hipogonadismo hipogonadotrófico (HH) é uma doença rara em que existe uma perturbação do eixo por desregulação da libertação ou ação de GnRH, provocando uma falha no atingimento da puberdade e subsequente infertilidade. Quando à síndrome anterior se associam sintomas de anósmia ou hiposmia é diagnóstico de Síndrome de Kallmann (KS). A lista de genes que têm sido implicados na patogénese molecular do HH congénito tem vindo a aumentar. Estes codificam neuropéptidos e proteínas envolvidas no desenvolvimento e migração dos neurónios GnRH, bem como pontos chave na transmissão de sinal ao longo do eixo. É proposto um modelo de oligogenidade no qual as diversas mutações em vez de contribuírem para um fenótipo mais grave, originassem fenótipos de penetrância variável. Entre os principais genes identificados estão ANOS1, FGFR-1/FGF8, PROKR2/PROK2, KISS1R e TAC3/TACR3. O tratamento destes doentes deve ser direcionado conforme a fase da vida do indivíduo e conforme o desejo de procriar. Na adolescência é essencial induzir a puberdade a fim de evitar complicações não exclusivas do sistema reprodutivo, na ausência de hormonas esteróides sexuais. Na idade adulta a fertilidade é induzida pela estimulação do eixo reprodutor, com pulsos de GnRH ou tratamento com gonadotrofinas. O aumento do número de casos reportados com reversibilidade de HH anteriormente documentado veio desafiar o dogma anterior de que esta condição seria permanente. A reversibilidade ocorre em ambos os sexos e parece ser mais frequente do que se previa anteriormente, ocorrendo em cerca de 10 a 15% dos casos, tendo sido documentados casos de deficiência grave de GnRH que abrigam mutações em loci de HH conhecidos. A reversibilidade desta condição sublinha a plasticidade do sistema neuroendócrino e sugere que seja necessária mais investigação.