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Efeito da inclusão da microalga Nannochloropsis oceanica da dieta de borregos no desempenho produtivo e qualidade da carne

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Resumo:A carne de ruminantes é caracterizada por ser pobre em ácidos gordos polinsaturados (PUFA) e rica em ácidos gordos saturados (SFA), devido ao processo de bioidrogenação (BH) que ocorre no rúmen. É recomendado pelas organizações mundiais de saúde que a população diminua o seu consumo em SFA e aumente o teor em PUFA, sendo altamente recomendável o aumento de PUFA ómega 3 de cadeia longa (n-3 LC-PUFA), nomeadamente o ácido eicosapentaenoico (EPA) e docosahexaenoico (DHA). Uma das estratégias para alterar o perfil lipídico da carne é recorrendo à manipulação da alimentação animal com a inclusão de EPA e DHA, provenientes, essencialmente de fontes marinhas, como o óleo de peixe e microalgas. A hipótese colocada neste trabalho corresponde a averiguar se a introdução de microalgas, na forma de biomassa desidratada, na dieta de ruminantes, poderá proteger naturalmente os LC-PUFA dos microrganismos do rúmen melhorando, desta forma o perfil lipídico da carne. Assim sendo, foi realizado um ensaio no INIAV-Santarém, com a duração de três semanas; o qual contou com 28 borregos de raça Merino Branco (MB) distribuídos aleatoriamente por 4 dietas diferentes (Controlo (C) e dieta C suplementada com 1,2% de óleo extraído de Nannochloropsis spp (O); 9,2% de Nannochloropsis oceanica liofilizada (L); e 12,3% de N. oceanica spray dried (S)). Cada quantidade de microalgas foi adicionada para a dieta conter quantidades idênticas de EPA (3 g/kg de matéria seca). Neste ensaio testou-se a viabilidade da N. oceanica como uma via de proteção do EPA não só no rúmen, mas também no restante caminho até ao duodeno do animal, onde poderá ser absorvido e depositado nos seus tecidos sem afetar o desempenho produtivo dos animais. Os resultados obtidos demonstraram que a incorporação da biomassa da N. oceanica na dieta dos borregos aumentou os níveis de n-3 LC-PUFA, maioritariamente o EPA, na carne, não havendo diferenças significativas entre as dietas com os diferentes métodos de secagem. Estes resultados foram obtidos sem afetar tanto o desempenho produtivo dos borregos como as características qualitativas da carne. A biomassa de N. oceanica é, assim, uma potencial fonte protetora de EPA quando incorporada na alimentação de borregos.
Autores principais:Godinho, Ana Mónica de Figueiredo
Assunto:Nannochloropsis oceanica EPA n-3 LC-PUFA bioidrogenação borregos Biohydrogenation lambs
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A carne de ruminantes é caracterizada por ser pobre em ácidos gordos polinsaturados (PUFA) e rica em ácidos gordos saturados (SFA), devido ao processo de bioidrogenação (BH) que ocorre no rúmen. É recomendado pelas organizações mundiais de saúde que a população diminua o seu consumo em SFA e aumente o teor em PUFA, sendo altamente recomendável o aumento de PUFA ómega 3 de cadeia longa (n-3 LC-PUFA), nomeadamente o ácido eicosapentaenoico (EPA) e docosahexaenoico (DHA). Uma das estratégias para alterar o perfil lipídico da carne é recorrendo à manipulação da alimentação animal com a inclusão de EPA e DHA, provenientes, essencialmente de fontes marinhas, como o óleo de peixe e microalgas. A hipótese colocada neste trabalho corresponde a averiguar se a introdução de microalgas, na forma de biomassa desidratada, na dieta de ruminantes, poderá proteger naturalmente os LC-PUFA dos microrganismos do rúmen melhorando, desta forma o perfil lipídico da carne. Assim sendo, foi realizado um ensaio no INIAV-Santarém, com a duração de três semanas; o qual contou com 28 borregos de raça Merino Branco (MB) distribuídos aleatoriamente por 4 dietas diferentes (Controlo (C) e dieta C suplementada com 1,2% de óleo extraído de Nannochloropsis spp (O); 9,2% de Nannochloropsis oceanica liofilizada (L); e 12,3% de N. oceanica spray dried (S)). Cada quantidade de microalgas foi adicionada para a dieta conter quantidades idênticas de EPA (3 g/kg de matéria seca). Neste ensaio testou-se a viabilidade da N. oceanica como uma via de proteção do EPA não só no rúmen, mas também no restante caminho até ao duodeno do animal, onde poderá ser absorvido e depositado nos seus tecidos sem afetar o desempenho produtivo dos animais. Os resultados obtidos demonstraram que a incorporação da biomassa da N. oceanica na dieta dos borregos aumentou os níveis de n-3 LC-PUFA, maioritariamente o EPA, na carne, não havendo diferenças significativas entre as dietas com os diferentes métodos de secagem. Estes resultados foram obtidos sem afetar tanto o desempenho produtivo dos borregos como as características qualitativas da carne. A biomassa de N. oceanica é, assim, uma potencial fonte protetora de EPA quando incorporada na alimentação de borregos.