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Lusofonia e francophonie : narrativas (a)familiares nas literaturas pós-coloniais (os casos de Alain Mabanckou e José Eduardo Agualusa)

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Resumo:Esta tese investiga os conceitos de lusofonia e de francophonie numa perspetiva comparatista, analisando as narrativas institucionais e literárias no contexto pós-colonial, na segunda metade do século XX, e os romances de Alain Mabanckou (Congo) e José Eduardo Agualusa (Angola). Orientada pela análise do que denomino narrativas (a)familiares, investigo as diferentes dimensões e a evolução dos conceitos de lusofonia e de francophonie a partir do século XX. Argumento que estas narrativas familiares, que se apoiam no argumento da fraternidade entre comunidades linguísticas pós-coloniais e revivem a nostalgia do império, são, por sua vez, destabilizadas por narrativas afamiliares nas literaturas póscoloniais, como examino nos casos de O Vendedor de Passados (2004) e de Petit Piment (2015). Atendendo à centralidade da casa, como espaço e imaginário simbólico nos dois romances, analiso de que forma a ideia de casa se relaciona com as narrativas das familiaridades entre as comunidades linguísticas que, tal como demonstro, estão subentendidas nas designações lusófono e francophone. Analiso de que modo as familiaridades narrativas, tal como a casa, se instituem como espaços de pertença e exclusão, de comunidades audíveis e afónicas, de familiaridade e afamiliaridade no âmbito da memória histórica e literária pós-colonial. Através da análise da evolução e frequência de utilização dos vocábulos lusofonia e francophonie a partir do século XX, constato que o aumento da sua utilização corresponde ao fim dos impérios e que tendem a traduzir, para o momento pós-colonial, as noções de portugalidade e de francité. Recordo as posições teóricas e políticas que lançam suspeições em relação a estas instituições políticas e as que as aplaudem e defendem. Relaciono a evolução do termo com processos de esquecimento dos crimes cometidos no império. Finalmente, defendo que as literaturas pós-coloniais introduzem elementos de estranhamento, destabilização e contaminação dos espaços da lusofonia e francophonie pela temática da reinvenção e reescrita da memória, pela apropriação das línguas coloniais, pela reescrita do romance realista. Por outras palavras, estes romances póscoloniais expõem as ambivalências das narrativas (a)familiares da lusofonia e da francophonie
Autores principais:Sousa, Miriam Filipa da Silva de
Assunto:Agualusa, José Eduardo - 1960- . O vendedor de passados Mabanckou, Alain - 1966-. Petit Piment Literatura pós-colonial - Temas, Motivos Romance angolano - séc.20-21 - História e crítica Romance congolês (República) de língua francesa - séc.20-21 - História e crítica Literatura comparada - Angolana e francesa Identidade colectiva - Na literatura Memória colectiva - Na literatura Literatura - Influência colonial Teses de doutoramento - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta tese investiga os conceitos de lusofonia e de francophonie numa perspetiva comparatista, analisando as narrativas institucionais e literárias no contexto pós-colonial, na segunda metade do século XX, e os romances de Alain Mabanckou (Congo) e José Eduardo Agualusa (Angola). Orientada pela análise do que denomino narrativas (a)familiares, investigo as diferentes dimensões e a evolução dos conceitos de lusofonia e de francophonie a partir do século XX. Argumento que estas narrativas familiares, que se apoiam no argumento da fraternidade entre comunidades linguísticas pós-coloniais e revivem a nostalgia do império, são, por sua vez, destabilizadas por narrativas afamiliares nas literaturas póscoloniais, como examino nos casos de O Vendedor de Passados (2004) e de Petit Piment (2015). Atendendo à centralidade da casa, como espaço e imaginário simbólico nos dois romances, analiso de que forma a ideia de casa se relaciona com as narrativas das familiaridades entre as comunidades linguísticas que, tal como demonstro, estão subentendidas nas designações lusófono e francophone. Analiso de que modo as familiaridades narrativas, tal como a casa, se instituem como espaços de pertença e exclusão, de comunidades audíveis e afónicas, de familiaridade e afamiliaridade no âmbito da memória histórica e literária pós-colonial. Através da análise da evolução e frequência de utilização dos vocábulos lusofonia e francophonie a partir do século XX, constato que o aumento da sua utilização corresponde ao fim dos impérios e que tendem a traduzir, para o momento pós-colonial, as noções de portugalidade e de francité. Recordo as posições teóricas e políticas que lançam suspeições em relação a estas instituições políticas e as que as aplaudem e defendem. Relaciono a evolução do termo com processos de esquecimento dos crimes cometidos no império. Finalmente, defendo que as literaturas pós-coloniais introduzem elementos de estranhamento, destabilização e contaminação dos espaços da lusofonia e francophonie pela temática da reinvenção e reescrita da memória, pela apropriação das línguas coloniais, pela reescrita do romance realista. Por outras palavras, estes romances póscoloniais expõem as ambivalências das narrativas (a)familiares da lusofonia e da francophonie