Publicação
Efeito da estrutura do habitat e da intensidade de pastoreio na condição física de Apodemus sylvaticus em ambiente agro-silvo-pastoril
| Resumo: | Pressões antropogénicas, como a agricultura e o pastoreio, são bastante comuns em ecossistemas Mediterrânicos, como o montado. Estas pressões alteram significativamente os habitats, afectando as comunidades animais presentes, em especial os animais com uma mobilidade limitada, como é o caso dos pequenos mamíferos. Este estudo pretendeu avaliar de que modo a presença de pastoreio e os diferentes níveis do habitat afectavam a condição corporal de Apodemus sylvaticus. Para tal, procedeu-se à captura de indivíduos para recolha das métricas corporais em locais pastoreado em simultâneo com locais excluídos ao pastoreio em diferentes anos (desde 1998, 2004 e 2008). Também se procedeu à caracterização do habitat onde essas capturas ocorreram. O aumento da condição corporal não se revelou directamente proporcional com o período de exclusão, mas antes foi encontrado um certo nível de semelhança entre os locais de controlo com os locais isolados ao pastoreio desde 2004 e entre os locais isolados desde 1998 com os locais isolados desde 2008. Os machos possuíram uma maior média de condição corporal do que as fêmeas. Em relação aos diferentes níveis do habitat, os modelos lineares generalizados revelaram que tanto variáveis de microhabitat como de macrohabitat influenciavam a condição corporal dos indivíduos, e que as variáveis importantes para os machos eram diferentes das importantes para as fêmeas. Assim, enquanto que para os machos, apenas a percentagem de cobertura de arbustos se tenha revelado como uma influência positiva sobre a condição corporal, para as fêmeas as variáveis correspondentes à percentagem de cobertura das gramíneas e a altura média destas possuíram influência positiva, ao passo que o número de sobreiros possuiu influência negativa sobre a condição corporal. Estes resultados sugerem que a presença de abrigo e alimento são determinantes para a condição corporal de Apodemus sylvaticus, embora com diferente relevância para os machos e fêmeas, uma vez que estes possuem estratégias ecológicas diferentes. Apesar do pastoreio não se ter revelado como uma influência directa sobre a condição corporal, os habitats sobre esta pressão possuem abrigo e alimento para os pequenos mamíferos em menor disponibilidade, actuando assim como uma influência indirecta sobre estes animais. Deste modo, os locais isolados ao pastoreio intercalados com locais com pastoreio podem tornar-se locais de refúgio, com habitats mais complexos e com maior disponibilidade de recursos. Por fim, é aconselhada uma gestão da paisagem que mantenha o mosaico de habitats e que permita conciliar as comunidades faunísticas nativas com os diferentes usos do solo. |
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| Autores principais: | Fragoso, Ricardo Jorge Ribeiro |
| Assunto: | Condição corporal Pequenos mamíferos Pastoreio Montado Níveis de habitat Teses de mestrado - 2018 |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Pressões antropogénicas, como a agricultura e o pastoreio, são bastante comuns em ecossistemas Mediterrânicos, como o montado. Estas pressões alteram significativamente os habitats, afectando as comunidades animais presentes, em especial os animais com uma mobilidade limitada, como é o caso dos pequenos mamíferos. Este estudo pretendeu avaliar de que modo a presença de pastoreio e os diferentes níveis do habitat afectavam a condição corporal de Apodemus sylvaticus. Para tal, procedeu-se à captura de indivíduos para recolha das métricas corporais em locais pastoreado em simultâneo com locais excluídos ao pastoreio em diferentes anos (desde 1998, 2004 e 2008). Também se procedeu à caracterização do habitat onde essas capturas ocorreram. O aumento da condição corporal não se revelou directamente proporcional com o período de exclusão, mas antes foi encontrado um certo nível de semelhança entre os locais de controlo com os locais isolados ao pastoreio desde 2004 e entre os locais isolados desde 1998 com os locais isolados desde 2008. Os machos possuíram uma maior média de condição corporal do que as fêmeas. Em relação aos diferentes níveis do habitat, os modelos lineares generalizados revelaram que tanto variáveis de microhabitat como de macrohabitat influenciavam a condição corporal dos indivíduos, e que as variáveis importantes para os machos eram diferentes das importantes para as fêmeas. Assim, enquanto que para os machos, apenas a percentagem de cobertura de arbustos se tenha revelado como uma influência positiva sobre a condição corporal, para as fêmeas as variáveis correspondentes à percentagem de cobertura das gramíneas e a altura média destas possuíram influência positiva, ao passo que o número de sobreiros possuiu influência negativa sobre a condição corporal. Estes resultados sugerem que a presença de abrigo e alimento são determinantes para a condição corporal de Apodemus sylvaticus, embora com diferente relevância para os machos e fêmeas, uma vez que estes possuem estratégias ecológicas diferentes. Apesar do pastoreio não se ter revelado como uma influência directa sobre a condição corporal, os habitats sobre esta pressão possuem abrigo e alimento para os pequenos mamíferos em menor disponibilidade, actuando assim como uma influência indirecta sobre estes animais. Deste modo, os locais isolados ao pastoreio intercalados com locais com pastoreio podem tornar-se locais de refúgio, com habitats mais complexos e com maior disponibilidade de recursos. Por fim, é aconselhada uma gestão da paisagem que mantenha o mosaico de habitats e que permita conciliar as comunidades faunísticas nativas com os diferentes usos do solo. |
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