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A importância dos mangais de São Tomé: perceções e serviços ecossistémicos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Os Serviços Ecossistémicos (SE) têm sido um tema em constante evolução nos últimos anos, possuindo o potencial de contribuir para a conservação dos ecossistemas, através da consciencialização ambiental, tanto a nível das comunidades, como a nível dos responsáveis pela gestão de ecossistemas. Este trabalho realiza uma análise inicial dos SE nos mangais de São Tomé, e especificamente nos de Diogo Nunes, São João dos Angolares e Malanza. Em concreto, visa mapear os sistemas de mangal, assim como identificar e quantificar SE, identificar ameaças e analisar as perceções das populações locais sobre os temas mencionados previamente. Através de uma revisão bibliográfica, procurou-se elaborar uma lista de ameaças e SE, identificados como importantes em zonas de mangal. Esta lista serviu de base à comparação com os resultados obtidos em questionários, aplicados presencialmente nas populações locais, e em observação direta durante o trabalho de campo. Os resultados da revisão bibliográfica indicaram um elevado número de serviços identificados para sistema de mangal, apesar de só ser possível encontrar registos de quantificação dos SE para alguns deles. A comparação entre os dados recolhidos por observação direta e por pesquisa bibliográfica indicou que nem todos os SE são fáceis de identificar, tanto na comunidade científica como nas populações locais, sendo evidente a dificuldade que as populações locais têm em detetar principalmente os serviços de regulação e suporte. De acordo com os resultados obtidos, as populações locais mostraram uma grande dificuldade na identificação de um ecossistema de mangal, não conseguindo muitas vezes perceber o que o define e quais os seus limites. Esta questão torna o reconhecimento dos SE associados a estes sistemas específicos um grande desafio. Apesar desta dificuldade, alguns dos inquiridos listaram alguns serviços de provisão e culturais, mas apenas foram capazes de identificar três tipos de ameaças, enquanto foram identificadas, através da bibliografia, 20 ameaças ao mangal. Curiosamente, o corte de mangue (i.e. árvores de mangal) foi indicado como uma das principais medidas de conservação, por forma a garantir a possibilidade de realizar visitas turísticas. Além disso, eram vários os inquiridos que consideravam que o mangal devia ser visto como uma fonte de serviços de extração, de forma a melhorar a sua qualidade de vida. Concluiu-se assim que a visão local sobre o ecossistema é uma objetivação antropogénica do mangal. Logo, é clara a necessidade de um trabalho sério de integração e divulgação de informação, de forma a sensibilizar as comunidades e autoridades locais sobre a importância dos SE de mangal, assim como sobre as ameaças existentes. Este trabalho é fundamental para garantir a manutenção sustentável dos SE, contribuindo também, de forma relevante, para o desenvolvimento de planos regionais de gestão e conservação.
Autores principais:Afonso, Filipa Miguel Graça
Assunto:Avaliação ecossistémica Comunidades periféricas Ecossistemas aquáticos Sistemas estuarinos Conservação ambiental Teses de mestrado - 2019
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Os Serviços Ecossistémicos (SE) têm sido um tema em constante evolução nos últimos anos, possuindo o potencial de contribuir para a conservação dos ecossistemas, através da consciencialização ambiental, tanto a nível das comunidades, como a nível dos responsáveis pela gestão de ecossistemas. Este trabalho realiza uma análise inicial dos SE nos mangais de São Tomé, e especificamente nos de Diogo Nunes, São João dos Angolares e Malanza. Em concreto, visa mapear os sistemas de mangal, assim como identificar e quantificar SE, identificar ameaças e analisar as perceções das populações locais sobre os temas mencionados previamente. Através de uma revisão bibliográfica, procurou-se elaborar uma lista de ameaças e SE, identificados como importantes em zonas de mangal. Esta lista serviu de base à comparação com os resultados obtidos em questionários, aplicados presencialmente nas populações locais, e em observação direta durante o trabalho de campo. Os resultados da revisão bibliográfica indicaram um elevado número de serviços identificados para sistema de mangal, apesar de só ser possível encontrar registos de quantificação dos SE para alguns deles. A comparação entre os dados recolhidos por observação direta e por pesquisa bibliográfica indicou que nem todos os SE são fáceis de identificar, tanto na comunidade científica como nas populações locais, sendo evidente a dificuldade que as populações locais têm em detetar principalmente os serviços de regulação e suporte. De acordo com os resultados obtidos, as populações locais mostraram uma grande dificuldade na identificação de um ecossistema de mangal, não conseguindo muitas vezes perceber o que o define e quais os seus limites. Esta questão torna o reconhecimento dos SE associados a estes sistemas específicos um grande desafio. Apesar desta dificuldade, alguns dos inquiridos listaram alguns serviços de provisão e culturais, mas apenas foram capazes de identificar três tipos de ameaças, enquanto foram identificadas, através da bibliografia, 20 ameaças ao mangal. Curiosamente, o corte de mangue (i.e. árvores de mangal) foi indicado como uma das principais medidas de conservação, por forma a garantir a possibilidade de realizar visitas turísticas. Além disso, eram vários os inquiridos que consideravam que o mangal devia ser visto como uma fonte de serviços de extração, de forma a melhorar a sua qualidade de vida. Concluiu-se assim que a visão local sobre o ecossistema é uma objetivação antropogénica do mangal. Logo, é clara a necessidade de um trabalho sério de integração e divulgação de informação, de forma a sensibilizar as comunidades e autoridades locais sobre a importância dos SE de mangal, assim como sobre as ameaças existentes. Este trabalho é fundamental para garantir a manutenção sustentável dos SE, contribuindo também, de forma relevante, para o desenvolvimento de planos regionais de gestão e conservação.