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O cinema e a ciência dos processos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O cinema, cuja invenção decorreu ao longo do século XIX, provocou alterações no conceito de obra de arte devido, em grande parte, às características do seu modo de produção: é que ele é simultaneamente uma tecnologia, uma indústria e uma arte. O cinema constitui uma tecnologia que veio também modificar profundamente o modo de percepção humano. Nesse sentido, ele é denominado nesta dissertação uma tecnologia do conhecimento. Mas, sobretudo, a invenção do cinema acompanha uma tendência que se verificou em várias áreas de actividade humana, detectável durante todo o século XIX, e que tem a ver com uma nova atenção dada ao tempo. Na ciência, esta tendência manifesta-se em primeiro lugar nas novas disciplinas de terreno — a geologia, logo seguida pela biologia — nas quais são introduzidos novos conceitos (devir, temporalidade histórica, evolução) para descrever processos, quer dizer, para investigar o modo como os fenómenos decorrem ao longo do tempo. Esta dissertação vai investigar esta concomitância, esta sincronia entre a emergência de uma ciência que estuda os fenómenos enquanto processos e a invenção do cinema. Esta sincronia é sintomática de uma profunda mutação epistemológica que se manifesta, em primeiro lugar, num novo modo de pensar o tempo.
Autores principais:Caldas, Pedro Rosa Vieira
Assunto:Tempo Espaço visual Literacia Cinema Processo Time Visual space Literacy Process
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O cinema, cuja invenção decorreu ao longo do século XIX, provocou alterações no conceito de obra de arte devido, em grande parte, às características do seu modo de produção: é que ele é simultaneamente uma tecnologia, uma indústria e uma arte. O cinema constitui uma tecnologia que veio também modificar profundamente o modo de percepção humano. Nesse sentido, ele é denominado nesta dissertação uma tecnologia do conhecimento. Mas, sobretudo, a invenção do cinema acompanha uma tendência que se verificou em várias áreas de actividade humana, detectável durante todo o século XIX, e que tem a ver com uma nova atenção dada ao tempo. Na ciência, esta tendência manifesta-se em primeiro lugar nas novas disciplinas de terreno — a geologia, logo seguida pela biologia — nas quais são introduzidos novos conceitos (devir, temporalidade histórica, evolução) para descrever processos, quer dizer, para investigar o modo como os fenómenos decorrem ao longo do tempo. Esta dissertação vai investigar esta concomitância, esta sincronia entre a emergência de uma ciência que estuda os fenómenos enquanto processos e a invenção do cinema. Esta sincronia é sintomática de uma profunda mutação epistemológica que se manifesta, em primeiro lugar, num novo modo de pensar o tempo.