Publicação

Pesquisa de Trypanosoma cruzi e relato de ocorrência de helmintes gastrointestinais em gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) e gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita) num CRAS do município de Jundiaí, estado de São Paulo, Brasil

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Os gambás (Didelphis spp.) são mamíferos marsupiais que ocorrem ao longo do conti-nente americano e que, devido à cada vez maior destruição dos seus habitats e aproximação dos centros urbanos, são hoje considerados animais sinantrópicos. Estes animais constituem um importante reservatório natural de Trypanosoma cruzi, pro-tozoário agente da Doença de Chagas, considerada, pela Organização Mundial de Saúde, uma Doença Tropical Negligenciada. Os estudos sobre a fauna helmintológica dos gambás restringem-se sobretudo ao gambá-da-virgínia (Didelphis virginiana) e ao gambá-comum (Didelphis marsupialis). Os registos feitos de helmintes em gambás no Brasil são esporádicos, dispersos e também muito variáveis, con-forme as dinâmicas ecológicas nas diferentes regiões e biomas. No Estado de São Paulo, ocor-rem as espécies gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) e gambá-de-orelha-preta (Didel-phis aurita). Os objetivos deste trabalho foram averiguar a existência de T. cruzi, bem como pesquisar helmintes nos gambás que deram entrada na Associação Mata Ciliar (Jundiaí, São Paulo, Brasil), oriundos do município de Jundiaí e municípios circundantes. Para tal, foram colhidas amostras nos gambás-de-orelha-branca e de orelha-preta em recuperação (n=20) e realizadas necrópsias (n=11), na Associação Mata Ciliar, entre os dias 10 e 19 de Maio de 2019, para posterior proces-samento das amostras na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias - UNESP, Jaboticabal, São Paulo. As análises feitas por RCP, bem como os esfregaços de conteúdo perianal e sangue, revelaram-se negativos para a pesquisa de T. cruzi. A pesquisa de helmintes revelou que 5 dos 10 animais sujeitos a necrópsia estavam infetados. Os helmintes encontrados e respetivas pre-valências foram Cruzia sp. (40%, 4/10), Strongyloides sp. (40%, 4/10), Trichuris sp. (30%, 3/10), Turgida sp. (10%,1/10), Oligacanthorhynchus sp. (10%, 1/10) e Cestoda (40%, 4/10). Este estudo representa, assim, um importante contributo para o conhecimento da fauna helmintológica dos gambás do município de Jundiaí e municípios circundantes e poderá constituir uma base para investigações futuras sobre este tema.
Autores principais:Cruz, Lígia Parreira da
Assunto:Gambás Didelphis Brasil Trypanosoma cruzi Helmintes Opossums Didelphis Brazil Trypanosoma cruzi Helminths
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Os gambás (Didelphis spp.) são mamíferos marsupiais que ocorrem ao longo do conti-nente americano e que, devido à cada vez maior destruição dos seus habitats e aproximação dos centros urbanos, são hoje considerados animais sinantrópicos. Estes animais constituem um importante reservatório natural de Trypanosoma cruzi, pro-tozoário agente da Doença de Chagas, considerada, pela Organização Mundial de Saúde, uma Doença Tropical Negligenciada. Os estudos sobre a fauna helmintológica dos gambás restringem-se sobretudo ao gambá-da-virgínia (Didelphis virginiana) e ao gambá-comum (Didelphis marsupialis). Os registos feitos de helmintes em gambás no Brasil são esporádicos, dispersos e também muito variáveis, con-forme as dinâmicas ecológicas nas diferentes regiões e biomas. No Estado de São Paulo, ocor-rem as espécies gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) e gambá-de-orelha-preta (Didel-phis aurita). Os objetivos deste trabalho foram averiguar a existência de T. cruzi, bem como pesquisar helmintes nos gambás que deram entrada na Associação Mata Ciliar (Jundiaí, São Paulo, Brasil), oriundos do município de Jundiaí e municípios circundantes. Para tal, foram colhidas amostras nos gambás-de-orelha-branca e de orelha-preta em recuperação (n=20) e realizadas necrópsias (n=11), na Associação Mata Ciliar, entre os dias 10 e 19 de Maio de 2019, para posterior proces-samento das amostras na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias - UNESP, Jaboticabal, São Paulo. As análises feitas por RCP, bem como os esfregaços de conteúdo perianal e sangue, revelaram-se negativos para a pesquisa de T. cruzi. A pesquisa de helmintes revelou que 5 dos 10 animais sujeitos a necrópsia estavam infetados. Os helmintes encontrados e respetivas pre-valências foram Cruzia sp. (40%, 4/10), Strongyloides sp. (40%, 4/10), Trichuris sp. (30%, 3/10), Turgida sp. (10%,1/10), Oligacanthorhynchus sp. (10%, 1/10) e Cestoda (40%, 4/10). Este estudo representa, assim, um importante contributo para o conhecimento da fauna helmintológica dos gambás do município de Jundiaí e municípios circundantes e poderá constituir uma base para investigações futuras sobre este tema.