Publicação
A preponderância dos modelos de organização do trabalho neo-tayloristas nas sociedades ocidentais do fim do século XX
| Resumo: | No fim do século XX, os modelos de O.T. sofrem ainda profundas influências da O.C.T.. Apesar de uma evolução organizacional, fruto do surgimento de novas teorias e das práticas organizacionais delas decorrentes e, não obstante a realização de experiências de carácter excepcional, o trabalhador comum continua a ser encarado enquanto "peça de uma engrenagem fabril / empresarial". A rígida separação entre concepção e execução, os incentivos materiais variáveis (tipo salário à peça), o controlo dos níveis operacionais por hierarquias poderosas e a ausência de participação nas bases, fazem do neo-taylorismo uma realidade. As tecnologias de informação, concebidas por elites de experts, funcionam como principal elemento adjuvante na planificação do trabalho e num controlo exaustivo, por vezes coercivo, de trabalhadores e produtividade. A manutenção da polarização das qualificações é possibilitada por uma gestão tecnocentrada da tecnologia, que aposta em elites de concepção e na formalização do saber da máquina levado ao extremo, em detrimento das qualificações e da valorização da globalidade dos recursos humanos. Apesar de, como referiram Kern e Schumann, a própria valorização do capital depender da reintrodução da inteligência produtiva, a redução dos custos imediatos e directos, e a melhoria do controlo do processo produtivo continuam a constituir as principais preocupações da gestão de topo. A estagnação da O.T., num estádio neo-taylorista, é possibilitada pelas vicissitudes da internacionalização da economia, pela perspectiva tecnocêntrica (sempre condicionada pelo receio das hierarquias perderem o poder), pelo funcionamento dos sistemas de ensino, minados pela lógica industrial / empresarial vigente, pela evolução de um direito do trabalho que tende a transformar-se num "direito de empresa" (possibilitando a difusão dos contratos precários) e pelo arredamento dos sindicatos da reorganização produtiva. Num contexto deste tipo, toma-se inviável a edificação de um sistema antropocênctrico. O presente trabalho aprofunda o percurso histórico do taylorismo e a sua evolução para o neotaylorismo, assim como tenta diagnosticar e desenvolver as (supracitadas) principais causas para a preponderância do neo-taylorismo nas sociedades ocidentais do fim do século. |
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| Autores principais: | Madureira, César Nuno Grima |
| Assunto: | neo-taylorismo taylorismo informático determinismo tecnológico polarização das qualificações sistemas de ensino direito do trabalho neo-taylorism technological determinism computer taylorism teaching systems lalour law qualifícations polarization |
| Ano: | 1997 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | No fim do século XX, os modelos de O.T. sofrem ainda profundas influências da O.C.T.. Apesar de uma evolução organizacional, fruto do surgimento de novas teorias e das práticas organizacionais delas decorrentes e, não obstante a realização de experiências de carácter excepcional, o trabalhador comum continua a ser encarado enquanto "peça de uma engrenagem fabril / empresarial". A rígida separação entre concepção e execução, os incentivos materiais variáveis (tipo salário à peça), o controlo dos níveis operacionais por hierarquias poderosas e a ausência de participação nas bases, fazem do neo-taylorismo uma realidade. As tecnologias de informação, concebidas por elites de experts, funcionam como principal elemento adjuvante na planificação do trabalho e num controlo exaustivo, por vezes coercivo, de trabalhadores e produtividade. A manutenção da polarização das qualificações é possibilitada por uma gestão tecnocentrada da tecnologia, que aposta em elites de concepção e na formalização do saber da máquina levado ao extremo, em detrimento das qualificações e da valorização da globalidade dos recursos humanos. Apesar de, como referiram Kern e Schumann, a própria valorização do capital depender da reintrodução da inteligência produtiva, a redução dos custos imediatos e directos, e a melhoria do controlo do processo produtivo continuam a constituir as principais preocupações da gestão de topo. A estagnação da O.T., num estádio neo-taylorista, é possibilitada pelas vicissitudes da internacionalização da economia, pela perspectiva tecnocêntrica (sempre condicionada pelo receio das hierarquias perderem o poder), pelo funcionamento dos sistemas de ensino, minados pela lógica industrial / empresarial vigente, pela evolução de um direito do trabalho que tende a transformar-se num "direito de empresa" (possibilitando a difusão dos contratos precários) e pelo arredamento dos sindicatos da reorganização produtiva. Num contexto deste tipo, toma-se inviável a edificação de um sistema antropocênctrico. O presente trabalho aprofunda o percurso histórico do taylorismo e a sua evolução para o neotaylorismo, assim como tenta diagnosticar e desenvolver as (supracitadas) principais causas para a preponderância do neo-taylorismo nas sociedades ocidentais do fim do século. |
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